A antiga cultura da Índia usava o nome Jambudvīpa, ou “ilha do jambū”, para se referir ao mundo. Na cosmogonia indiana, considera-se que o centro do mundo seja o Monte Meru, no Tibete. No alto desse monte sagrado cresce a Árvore da Vida, o Jambū. Desta maneira, Jambū é o Eixo do Mundo e a Origem da Vida ao mesmo tempo.

O nome Jambūdvīpa refere-se ao continente onde cresce o jambū: dvīpa significa ilha ou continente, enquanto que o jambo é a árvore que nele cresce. O suco produzido pelo jambo forma um poderoso rio que, descendo do alto do Monte Meru, alimenta os oceanos e dá origem a todas as formas de vida, desde a vegetação ao reino animal.

Esse rio é chamado Jambūnādī. O rio é símbolo do conhecimento. A fluidez das águas representa a dinâmica da vida, a Inteligência Ilimitada, manifestada nas miríades de nomes e formas da natureza.

Por outro lado, o jambo é uma fruta bastante conhecida no Brasil, e que tem um nome muito similar: jambo (syzygium cumini). Embora estejamos habituados a considerar o jambo um fruto nativo da nossa terra, ele é, em verdade, de origem indiana, havendo chegado no Brasil pelas mãos dos navegadores portugueses.

Conta-se no grande épico Rāmāyāṇa que, durante os quatroze anos que durou o exílio na floresta de Sītā, Rāma e Lakṣamaṇa, eles comeram apenas o fruto do jambū, pelo que esta planta é conhecida como “a Árvore dos Deuses”.

No cânone estético da antiga Índia considera-se que a cor do jambo seja a cor do belo, daquilo que é atraente e possui toda a graça. É por isso que tanto a pele de Śrī Rāma como a de Śrī Kṛṣṇa são da cor do jambo.

 

 

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