. ॥ श्री: ॥ .

॥ माण्डुक्योपनिषत् ॥

|| māṇḍukyopaniṣat ||

Māṇḍukyopaniṣat

 

 

Breve introdução.

Temos, entre as principais dez Upaniṣads, a presente, chamada Māṇḍukya, que pertence ao Athārvaveda. Ela segue um prakriyā, um método de investigação que inclui um modo de apresentar e resolver um problema que em verdade não existe. Na visão da Upaniṣad, não há problema. Quando se diz que você já é aquilo que quer ser, é porque não há problema algum para ser resolvido.

 

A Māṇḍūkyopaniṣat é breve: tem apenas 12 estrofes. Segue o método chamado kāraṇa kārya prakriyā. Deve haver discernimento entre o que é variável e o que é invariável. Isso nos ajuda a enxergar. Temos, em nossa tradição, apenas um comentário escrito sobre as Upaniṣads anteriores a Ādi Śaṅkarāchārya. Depois dele há uma série de obras dentro da tradição. Há um comentário escrito pelo guru do guru de Śaṅkarācārya, Gaudapāda, chamado karikā, Māṇḍukakarikā ou Gauḍapādakarikā, que é o único comentário das Upaniṣads anterior a Śaṅkara.

 

A saída do saṁsāra.

A Upaniṣad reconhece um ser humano autoconsciente, autojulgador. Esse ser humano faz julgamentos sobre si mesmo ou si mesma sem um meio de conhecimento válido, muitas vezes de maneira precipitada e incorreta. A partir desse julgamento, equivocadamente, a pessoa se enxerga como insignificante e desamparada. 

Daí surge a necessidade de ser diferente do que se é e começa o processo de querer se tornar o que não se é, ou aquilo que se acredita não ser. Isso é chamado saṁsāra. “Eu quero me tornar isto ou aquilo, quero casar, quero me divorciar, quero me libertar, quero ser diferente”.

Se a visão não for corrigida, eu arrastarei esse problema e a lamúria que vem junto com ele até o fim da vida. Querer ser diferente do que se é, é o que chamamos saṁsāra. Mesmo se eu dizer que não quero mudar, mas que quero é que o mundo seja diferente para que eu possa ser feliz, isso não muda nada. É saṁsāra na mesma. A maneira em que nos relacionamos com nossos gostos e aversões determina a maneira como vivemos.

O mundo precisa mudar, tudo deveria ser diferente para que eu seja feliz, para que eu me sinta confortável. O problema é que você é parte do mundo dos demais, assim como os demais fazem parte do seu mundo, e acontece que eles também esperam que você mude para se adequar às necessidades deles. Identificado com esse problema fundamental, você não é aceitável do jeito que é, nem para você nem para os demais. Assim, você se cansa e vem de férias para Rishikesh porque não aguenta essa pressão. 

Essa luta contínua é o saṁsāra. Na visão da Upaniṣad, o saṁsāra acontece por causa do tipo de julgamento que fazemos de nós mesmos e do mundo. Quando faço um julgamento sobre mim mesmo sem uma inquirição prévia, evidentemente, sou um rosto na multidão. Porém, a bem da verdade, eu sou o sujeito, e o mundo à minha volta é uma miríade de objetos que aprecio. Aquilo que eu não sou é infindável, infinitamente grande. Desde o ponto de vista do meu corpo, evidentemente, eu não sou as galáxias, os sistemas solares, os planetas, os oceanos, os continentes, os países, as cidades, as pessoas, os seres vivos, os objetos inanimados. 

Então, se eu não sou nada disso, sou o que? Há uma realidade nisto. É por isso que, uniformemente, todos os seres humanos temos o mesmo tipo de autoidentidade. Isso se chama dvaita, dualidade: eu sou diferente de tudo o mais. Há uma verdade em relação a isso, eu sou evidentemente diferente daquilo que não é eu. Nesse sentido, meu senso de limitação é válido. 

O nosso planeta é invisível em relação ao tamanho da galáxia. Eu então, mesmo que me considere um homem grande, sou absolutamente insignificante na superfície da terra. Nesse sentido, existe uma ideia válida sobre as limitações do meu corpomente. Porém, preciso resolver isso através de uma investigação válida.

Algumas pessoas procuram a saída através das religiões, o que não parece uma solução adequada, enquanto que outras tentam de fato fazer esse tipo de inquirição mas, não tendo um meio de conhecimento adequado, não encontram a solução por si mesmas. Esses são os existencialistas. Nem as religiões nem o existencialismo resolvem a questão.

Quando alguém valida seus sentimentos, por um momento você se sente confortável. Cada um é diferente. O mundo é diferente. Fala-se sobre Deus de maneiras muito diferentes. O único a que você aspira, após décadas de conflito, é a uma pausa. As religiões prometem que a saída está depois da vida, depois da morte no além.

 

A visão da Upaniṣad: você é a causa do universo.

A Upaniṣad tem uma visão: este sentimento de insignificância nasce das limitações que eu vejo em relação ao que eu não sou. Isso é válido desde o ponto de vista do corpomente, mas a visão é diferente: não olhe para você desde um ponto de vista, não olhe para você desde o corpomente que você está usando.

Olhe para você desde o que você de fato é. Um ponto de vista é válido se é claro. Quando a visão é distorcida, a validade deve ser descartada. Cada indivíduo tem uma visão distorcida de si mesmo. Um ponto de vista desde a perspectiva de quem vê as coisas como são é válido. Quando isso não acontece, só há distorção.

Assim, a Upaniṣad reconhece a realidade dessa distorção. Usa alguns métodos, o prakriyā, para corrigir a distorção e nos ajudar a enxergar a nós mesmos como somos. Usa um modelo chamado kāraṇa kārya prakriyā: causa e efeito. Tudo o que está aqui é efeito. A causa é chamada Brahman. O efeito é a causa. O efeito não está separado da causa. 

 

É através desse modelo que a Upaniṣad nos ajuda a olhar para nós mesmos e eliminar essa crença de sermos insignificantes. A visão me diz que eu sou a única coisa significante, a causa de tudo. Essa visão, simplesmente, não me dá escolhas. Na Māṇḍūkyopaniṣat, há uma frase: ayamātmā brahma. Ātma significa Ser. Ayamātmā designa o Ser. Esse Ser é Brahman, o ilimitado. O grande ensinamento, mahāvākya, diz que você é Brahman. 

 

 

॥ अथ माण्डुक्योपनिषत् ॥

|| atha māṇḍukyopaniṣat ||

 

Aqui inicia a Māṇḍukyopaniṣat.


ॐ भद्रं कर्णेभिः शृणुयाम देवाः । भद्रं पश्येमाक्षभिर्यजत्राः ।
स्थिरैरङ्गैस्तुष्टुवाग्‍ँसस्तनूभिः । व्यशेम देवहितं यदायूः ।
स्वस्ति न इन्द्रो वृद्धश्रवाः । स्वस्ति नः पूषा विश्ववेदाः ।
स्वस्ति नस्तार्क्ष्यो अरिष्टनेमिः । स्वस्ति नो वृहस्पतिर्दधातु ॥
ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः ॥

 

oṁ bhadraṁ karṅebhiḥ ṣṛṇuyāma devāḥ | bhadraṁ paśyemākṣabhiryajatrāḥ ||
sthirairaṅga-istuṣṭuvāgṁ sastanūbhiḥ | vyaśema devahitaṁ yadāyuḥ ||
svasti na indro vṛddhaśravāḥ | svasti naḥ pūṣā viśvavedāḥ ||
svastinastārkṣyo ariṣṭanemiḥ | svastirno bṛhaspatirdadhātu ||
oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ ||

 

bhadraṁ – o que é significativo, auspicioso; karṅebhiḥ – com os ouvidos; ṣṛṇuyāma – que possamos escutar; devāḥ – Ó devas!; bhadraṁ – auspicioso; paśyema – que possamos enxergar; akṣabhiḥ – com os olhos; yajatrāḥ – Ó devas!; sthirairaṅga – com os membros firmes; tuṣṭuvāṁsaḥ – glorificar; tanūbhiḥ – através das palavras dos Vedas; vyaśema – que possamos desfrutar; devahitaṁ – abençoados pelos devas; yad – esse; āyuḥ – uma vida completa; svasti – aquilo que é auspicioso; naḥ – para nós; Indraḥ – a Consciência manifestada na atmosfera, na forma do resplendor do raio; vṛddhaśravāḥ – que possui grande fama; svasti – aquilo que é auspicioso; naḥ – para nós; Pūṣā – a Consciência manifestada no céu, na forma do brilho do sol; viśvavedāḥ – aquele que tudo conhece, que é todo o conhecimento; svasti – aquilo que é auspicioso; naḥ – para nós; Tārkṣya – um nome de Garuḍa, o deus-águia, que simboliza a eloquência; ariṣṭanemiḥ – que não tem obstáculos para voar; svasti – aquilo que é auspicioso; naḥ – para nós; Bṛhaspatiḥ – o guru; dadhātu – que nos abençoe com sua grande inteligência; Oṁ – símbolo sonoro que aponta para o Ser; śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ – paz, paz, paz.

 

Ó devas! Que possamos ouvir com nossos ouvidos aquilo que é significativo. Que possamos ver com nossos olhos o que é livre de limitação. Ó devas! Que saibamos reverenciar o Ser com as palavras de sabedoria dos Vedas (tanūbhiḥ). Que possamos viver uma vida plena (ayuḥ), com firmeza em todas as partes do corpo (sthirairaṅga). Que Indra, de grande fama, nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Que o Sol, que é Todo-o-Conhecimento (Pūṣā Viśvavedāḥ), nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Que Garuḍa (Ariṣṭanemi), que voa livremente no espaço, nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Que Bṛhaspati  (o guru), de grande inteligência, nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Oṁ. Paz, paz paz.

 

ॐ इत्येतदक्षरमिदं सर्वं तस्योपव्याख्यानं
भूतं भवद् भविष्यदिति सर्वमोङ्कार एव
यच्चान्यत् त्रिकालातीतं तदप्योङ्कार एव  ॥ १ ॥

oṁ ityetadakṣaramidaṁ sarvaṁ tasyopavyākhyānaṁ

bhūtaṁ bhavad bhaviṣyaditi sarvamoṅkāra eva

yaccānyat trikālātītaṁ tadapyoṅāra eva  || 1 ||

 

O Oṅkāra é tudo o que está aqui. Aqui [inicia] a clara exposição: tudo o que foi, o que é e o que será, é de fato Oṁ. Tudo o que há além dos três períodos do tempo é também, de fato, Oṁ. || 1 ||

 

सर्वं ह्येतद् ब्रह्मायमात्मा ब्रह्म
सोऽयमात्मा चतुष्पात् ॥ २ ॥

sarvaṁ hyetad brahmāyamātmā brahma
so’yamātmā catuṣpāt || 2 ||

 

Tudo é certamente Brahman. Este Ser é Brahman. O Ser, tal como é, consiste em quatro quartos. || 2 ||

 

जागरितस्थानो बहिष्प्रज्ञः सप्ताङ्ग एकोनविंशतिमुखः
स्थूल भुग्वैश्वानरः प्रथमः पादः ॥ ३ ॥

jāgaritasthāno bahiṣprajñaḥ saptāṅga ekonaviṁśatimukhaḥ
sthūla bhugvaiśvānaraḥ prathamaḥ pādaḥ || 3 ||

 

O primeiro quarto é Vaiśvānara, cuja esfera [de ação] é a vigília, cujas cognições são externas, que é dotado de sete partes e dezenove rostos, e que aprecia o denso. || 3 ||

 

स्वप्नस्थानोऽन्तः प्रज्ञाः सप्ताङ्ग एकोनविंशतिमुखः
प्रविविक्तभुक्तैजसो द्वितीयः पादः ॥ ४ ॥

svapnasthāno’ntaḥ prajñāḥ saptāṅga ekonaviṁśatimukhaḥ

praviviktabhuktaijaso dvitīyaḥ pādaḥ || 4 ||

 

Taijasa é o segundo quarto, cuja esfera [de atividade] é o sonho, cujas cognições são internas, que possui sete partes e dezenove rostos, e que aprecia o sutil. || 4 ||

 

यत्र सुप्तो न कञ्चन कामं कामयते न कञ्चन स्वप्नं
पश्यति तत् सुषुप्तम् । सुषुप्तस्थान एकीभूतः प्रज्ञानघन
एवानन्दमयो ह्यानन्दभुक् चेतो मुखः प्राज्ञस्तृतीयः पादः ॥ ५ ॥

yatra supto na kañcana kāmaṁ kāmayate na kañcana svapnaṁ

paśyati tat suṣuptam | ekībhūtaḥ prajñānaghana

evānandamayo hyānandabhuk ceto mukhaḥ prājñastṛitīyaḥ pādaḥ || 5 ||

 

Quando a pessoa, dormindo, não tem desejos nem sonha, isso é chamado sono. O terceiro quarto é Prājña, que tem o sono como esfera, no qual tudo se torna indiferenciado, que é apenas conhecimento indiferenciado, abundante em ānanda, desfrutador de ānanda, cujo rosto é a consciência. || 5 ||

 

एष सर्वेश्वरः एष सर्वज्ञ एषोऽन्तर्याम्येष
योनिः सर्वस्य प्रभवाप्ययौ हि भूतानाम् ॥ ६ ॥

eṣa sarveśvaraḥ eṣa sarvajña eṣo’ntaryāmyeṣa
yoniḥ sarvasya prabhavāpyayau hi bhūtānām || 6 ||

 

Este é o Senhor de tudo, é Todo o Conhecimento, é a ordem presente em tudo, a fonte de tudo, o ponto de origem e dissolução de todos os seres. || 6 ||

 

नान्तःप्रज्ञं न बहिष्प्रज्ञं नोभयतःप्रज्ञं न प्रज्ञानघनं
न प्रज्ञं नाप्रज्ञम् । अदृष्टमव्यवहार्यमग्राह्यमलक्षणं
अचिन्त्यमव्यपदेश्यमेकात्मप्रत्ययसारं प्रपञ्चोपशमं
शान्तं शिवमद्वैतं चतुर्थं मन्यन्ते स आत्मा स विज्ञेयः ॥ ७ ॥

nāntaḥprajñaṁ na bahiṣprajñaṁ nobhayataḥprajñaṁ na prajñānaghanaṁ

na prajñaṁ nāprajñam | adṛṣṭamavyavahāryamagrāhyamalakṣaṇaṁ

acintyamavyapadeśyamekātmapratyayasāraṁ prapañcopaśamaṁ

śāntaṁ śivamadvaitaṁ caturthaṁ manyante sa ātmā sa vijñeyaḥ || 7 ||

 

Consideram o quarto como sendo aquele que não é o conhecedor dos [objetos] internos, nem o conhecedor dos [objetos] externos, nem o conhecedor de ambos. Nem [aquele que é] conhecimento indiferenciado, nem [aquele que é] consciente ou inconsciente. [Aquele] que não é visível, de quem não se pode falar [como um objeto], que está mais além [da percepção] dos sentidos e do alcance [dos órgãos de ação], aquele que não pode ser inferido, [que é a] essência do autoconhecimento; aquele em quem o universo se resolve, que é pacífico, benigno e não-dual. Esse, dizem [os sábios], é o quarto quarto. É esse o Ser, e ele deve ser conhecido. || 7 ||

 

सोऽयमात्माध्यक्षरमोङ्करोऽधिमात्रं पादा मात्रा
मात्राश्च पादा अकार उकारो मकार इति ॥ ८ ॥

so’yamātmādhyakṣaramoṅkaro’dhimātraṁ pādā mātrā
mātrāśca pādā akāra ukāro makāra iti || 8 ||

 

É este o Ser, que é da natureza da sílaba Oṁ, em relação a seus elementos. Os quartos são os elementos. Os elementos são os quartos. Nomeadamente, [as letras] a, u e . || 8 || 

 

जागरितस्थानो वैश्वानरोऽकारः प्रथमा मात्राऽऽप्तेरादिमत्त्वाद्
वाऽऽप्नोति ह वै सर्वान् कामानादिश्च भवति य एवं वेद ॥ ९ ॥

jāgaritasthāno vaiśvānaro’kāraḥ prathamā mātrā’’pterādimattvād

vā’’pnoti ha vai sarvān kāmānādiśca bhavati ya evaṁ veda || 9 ||

 

Vaiśvānara, tendo como esfera a vigília, é a primeira letra, a, o primeiro elemento, [derivado] da raíz ap, obter, ou [do fato] de ser o primeiro. Aquele que sabe disso, realiza, de fato, todos seus desejos. Também, torna-se o primeiro. || 9 ||

 

स्वप्नस्थानस्तैजस उकारो द्वितीया मात्रोत्कर्षात्
उभयत्वाद्वोत्कर्षति ह वै ज्ञानसन्ततिं समानश्च भवति
नास्याब्रह्मवित्कुले भवति य एवं वेद ॥ १० ॥

svapnasthānastaijasa ukāro dvitīyā mātrotkarṣāt

ubhayatvādvotkarṣati ha vai jñānasantatiṁ samānaśca bhavati

nāsyābrahmavitkule bhavati ya evaṁ veda || 10 ||

 

Taijasa, cuja esfera [de atividade] é o sonho, é a letra u, o segundo elemento, [e indica] exaltação ou equanimidade. Aquele que sabe disto exalta, de fato, a continuidade do conhecimento e se torna equânime; em sua família, ninguém nasce que não conheça Brahman. || 10 ||

 

सुषुप्तस्थानः प्राज्ञो मकारस्तृतीया मात्रा मितेरपीतेर्वा
मिनोति ह वा इदं सर्वमपीतिश्च भवति य एवं वेद ॥ ११ ॥

suṣuptasthānaḥ prājño makārastṛtīyā mātrā miterapītervā

minoti ha vā idaṁ sarvamapītiśca bhavati ya evaṁ veda || 11 ||

 

Prājña, cuja esfera é o sono, é a letra , o terceiro elemento, derivado da raíz mi, medir, ou por conta da absorção. Aquele que sabe disso, conhece tudo e dissolve [seu egoísmo no Ser]. || 11 ||

 

अमात्रश्चतुर्थोऽव्यवहार्यः प्रपञ्चोपशमः शिवोऽद्वैत
एवमोङ्कार आत्मैव संविशत्यात्मनाऽऽत्मानं य एवं वेद ॥ १२ ॥

amātraścaturtho’vyavahāryaḥ prapañcopaśamaḥ śivo’dvaita

evamoṅkāra ātmaiva saṁviśatyātmanā’’tmānaṁ ya evaṁ veda || 12 ||

 

O quarto é aquele que é livre de elementos, de quem não pode se falar, em quem o mundo se resolve, benigno, não-dual. Portanto, a sílaba Oṁ é o próprio Ser. Aquele que O conhece entra, assim, no Ser com seu ser. || 12 ||

 

ॐ भद्रं कर्णेभिः शृणुयाम देवाः । भद्रं पश्येमाक्षभिर्यजत्राः ।
स्थिरैरङ्गैस्तुष्टुवाग्‍ँसस्तनूभिः । व्यशेम देवहितं यदायूः ।
स्वस्ति न इन्द्रो वृद्धश्रवाः । स्वस्ति नः पूषा विश्ववेदाः ।
स्वस्ति नस्तार्क्ष्यो अरिष्टनेमिः । स्वस्ति नो वृहस्पतिर्दधातु ॥
ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः ॥

oṁ bhadraṁ karṅebhiḥ ṣṛṇuyāma devāḥ | bhadraṁ paśyemākṣabhiryajatrāḥ |
sthirairaṅgai-stuṣṭuvāgṁ sastanūbhiḥ | vyaśema devahitaṁ yadāyuḥ |
svasti na indro vṛddhaśravāḥ | svasti naḥ pūṣā viśvavedāḥ |
svastinastārkṣyo ariṣṭanemiḥ | svastirno bṛhaspatirdadhātu || 

oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ ||

 

Ó devas! Que possamos ouvir com nossos ouvidos aquilo que é significativo. Que possamos ver com nossos olhos o que é livre de limitação. Ó devas! Que saibamos reverenciar o Ser com as palavras de sabedoria dos Vedas (tanūbhiḥ). Que possamos viver uma vida plena (ayuḥ), com firmeza em todas as partes do corpo (sthirairaṅga). Que Indra, de grande fama, nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Que o Sol, que é Todo-o-Conhecimento (Pūṣā Viśvavedāḥ), nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Que Garuḍa (Ariṣṭanemi), que voa livremente no espaço, nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Que Bṛhaspati  (o guru), de grande inteligência, nos abençoe com aquilo que é auspicioso. Oṁ. Paz, paz paz.


।। माण्डूक्योपनिषत्संपूर्णा इति।।

|| māṇḍukyopaniṣatsaṁpūrṇa iti ||

 

Aqui conclui-se a Māṇḍukyopaniṣat.

 

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    COMENTÁRIOS

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  1. Vanessa brito

    Se o efeito não está separado da causa, e a causa é Brahman, então posso entender que o efeito também eh Brahman???
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