Pintura (Mewar, Rajasthan, c. 1712–15): O Mahārāṇā Saṅgrām Siṅgh II adora um liṅga

Īśvaraprānidhāna, a Entrega a Deus

Por José Hermógenes 18 de junho de 2001 2 minutos de leitura

A Entrega a Deus

Quando os Mestres sugerem Īśvaraprānidhāna, querem dizer ao caminhante: ‘entregue-se a Deus’. Se o caminhante é cristão, ele se dá ao Cristo. Se é hinduísta, dá-se a Īśvara, Kṛṣṇa, Kālī… ou outra expressão bem-aventurada de Deus. Se é budista, entrega-se ao Buddha Amitabha…

Budista, hinduísta, cristão, judeu, maometano, sufi, baha’i, mazdaísta, vedantino… o yogin pauta sua vida pela Vida Divina, procura harmonizar seu comportamento com a lei do Eterno… e seu mantra, sua ladainha, seu cântico predileto é ‘seja feita a Vossa Vontade’.

O devoto, em sua humildade, torna-se sábio e alcança a felicidade se assim pensa: ‘Não sou eu, filho distante e perdido, que posso saber o que é melhor para mim.

Pode ser uma alegria. Pode ser uma tristeza. Pode ser uma ascensão. Pode ser uma queda. Pode ser um aplauso. Pode ser uma vaia. Pode ser uma satisfação ou uma privação. Vindo de Deus, eu recebo’.

A entrega a Deus só pode ser conveniente. Ele é Onisciente, portanto sabe o melhor para nós. É Onipotente, portanto nada lhe é impossível. Entregar-nos a Deus é alívio, é paz, é remédio, é solução.

entrega a deus

A entrega a Deus – viveka, alerta – pode conduzir-nos à abdicação covarde diante do dever, do que temos de fazer, de nosso dharma. Cada ser humano tem um papel a cumprir. É responsável por ele. Tem de prestar contas se falhar ou negligenciar.

O yogin não regateia esforços, ações, palavras… Tudo que pode ele faz, mas não se perturba se os resultados de seu agir não correspondem. A ação, ele reconhece, é obrigação sua. Os frutos da ação pertencem a Deus.

No seu dia-a-dia, o yogin está aberto ao que vier do Senhor. Quando deseja algo, trata de ser de acordo com o plano de Deus.

O yogin tem fé absoluta na sabedoria e na justiça dos desígnios de Deus. Ele sabe que Deus nos dá na medida em que merecemos e na medida em que precisamos. Sua justiça e sabedoria, digamos sua benignidade, podem vir na forma de um tormento que, aos ‘olhos que não vêem’, parece até maldade Sua.

Aos que choram abandono, ingratidão, preterição, traição, desastre, falência, doença, queda… os Mestres receitam o mágico remédio que é a humildade e a sábia aceitação. Ensinam a dizer: ‘Entrego-me a Deus, haja o que houver, e assim encontro a Paz’.


॥ हरिः ॐ ॥

Extraído do livro Yoga, Caminho para Deus.
Digitado por Cristiano Bezerra.
Leia aqui mais textos deste brilhante autor.
Visite aqui o site do Professor Hermógenes.

॥ हरिः ॐ ॥

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