Esta palavra, por algum motivo, tornou-se popular, mesmo sem as pessoas saberem ao certo o que ela significa. Nos śāstras há uma base para ela: Brahman, na forma do tempo-espaço, manifesta um nāḍā, um som supersutil. O mais sutil dos elementos é o espaço. Cada um dos cinco elementos está associado com um sentido. Esse som, nāḍābrahma, é o atributo do elemento espaço, ākāśa. E o som, que se propaga no espaço, é chamado Oṃ.
O ritmo da criação, bem como o da dissolução do universo, no fim de cada era cósmica, acontece na forma de música. Essa música é chamada nāḍābrahma. Alguns compositores tiveram alguns insights muito grandes em relação a isso e daí surgiu uma forma de Yoga chamada Nāḍā Yoga.
A música é como um tapete, feito com muitos fios e fibras entrelaçados, de cores variadas, que formam desenhos geométricos no espaço antes de darem lugar ao silêncio. Um músico é como um tecelão que desenha sons no espaço vazio, e nos comove.
O instrumento mais grandioso é a voz humana, pois é o único que pode articular palavras, evocar rasa e bhāvana, os sentimentos, e ainda, transmitir uma mensagem. Os outros instrumentos não conseguem fazer isso. Os stotrams, bhajans e kīrtans são sabedoria transmitida em forma de som. A música e o Vedānta sempre andaram de mãos dadas.
Transcrição de uma palestra dada no dia 12 de março de 2011. Tradução de Pedro Kupfer.
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