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Yoga, agora. Yogasūtra, I:1

Por Pedro Kupfer 4 de janeiro de 2015 3 minutos de leitura

Yogasūtra I:1

अथ योगानुशासनम् ॥ १ ॥

atha yogānuśāsanam || 1 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

atha: agora; yoga: jungir, união; anuśāsanam: ensinamento, exposição, instrução (anu, seguindo, depois de, e śāsana, instrução).

Agora, o ensinamento do Yoga. || I:1 ||


A palavra que abre o Yogasūtra, atha, significa “agora”. Pode parecer estranho o sábio Patañjali ter começado o seu texto com um advérbio tão lacônico. Porém, o que se percebe claramente aqui é que o Yogasūtra não é um livro para iniciantes. Alguma coisa foi ensinada previamente, e “agora”, começa o ensinamento do Yoga.

O autor começa a exposição do Yoga dizendo, em primeiro lugar, qual é sua meta. Isso pressupõe que já tenhamos uma prévia visão clara de alguns aspectos do ensinamento, já que não são dadas instruções detalhadas a esse respeito.

Para a correta compreensão dos sūtras, é preciso saber ler nas entrelinhas (em latim, interleggere), fazer uma leitura inteligente e atenta destes textos para podermos extrair-lhes a essência.

Portanto, cabe fazermos a reflexão sobre este primeiro sūtra citando a Kaṭhopaniṣad, VI:

“Quando os cinco sentidos e a mente estão parados e a própria razão descansa em silêncio, então começa o caminho supremo. Esta firmeza calma dos sentidos chama-se Yoga. Mas deve-se estar atento, pois o Yoga vem e vai”.

agora

Esta última afirmação, “o Yoga vem e vai”, está totalmente conectada com a primeira palavra do sūtra em estudo. Poderíamos lê-lo da seguinte forma: “agora, é preciso prestar muita atenção, pois o ensinamento do Yoga está começando”.

O Yoga começa agora

Lembremos que os sūtras não são usados apenas como fórmulas para facilitar a memorização de um texto, mas igualmente como objetos de meditação. Nesse sentido, esta frase, “o Yoga começa agora”, pode ser utilizada como um lembrete para ficarmos totalmente atentos e conscientes a cada momento vivido.

Se Yoga é ausência de distrações, então, ao repetirmos mentalmente, a cada momento do dia, “o Yoga começa agora”, estaremos renovando nosso voto de vivermos de maneira equânime, compassiva, consciente e atenta.

É bem provável que o “ensinamento do Yoga” não se nos apresente unicamente na forma de uma prática formal, mas como experiências cotidianas nas quais temos a oportunidade de aprender, aplicar a equanimidade e exercer a ausência de distrações.

Oportunidades para aplicarmos o Yoga no cotidiano surgem a cada momento. Não as deixemos passar.

॥ हरिः ॐ ॥

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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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Uma resposta

  1. brigado pedro gratidão.wagner xavier

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