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A Essência do Ensinamento de Rāmaṇa

Por Sivaprakasam Pillai 1 de fevereiro de 2017 3 minutos de leitura

Sivaprakasam Pillai foi o afortunado devoto de Śrī Rāmaṇa que, em 1902, postulou a pergunta “Quem sou Eu?” junto com outras igualmente importantes para o mestre, e preservou e contemplou a vida inteira sobre as suas respostas. Esse tesouro de Sabedoria guia e inspira hoje em dia inúmeros buscadores do mundo inteiro.

Sivaprakasam dedicou o resto da sua vida à contemplação desse Ensinamento. Ocasionalmente, escrevia alguns versos sobre o tema. Faleceu em Janeiro de 1949.

Um tempo depois, seu sobrinho, Manickam Pillai, visitou o Āśram de Śrī Rāmaṇa. O mestre perguntou ao jovem sobre os últimos dia do tio, e se ele havia deixado alguns poemas escritos.

O jovem, hesitante, respondeu que sim: “Bhagavān, ele deixou alguns manuscritos comigo, com o pedido de que os queimasse após a sua morte e a condição de que não os mostrasse para ninguém.” O mestre respondeu: “Isso não tem importância. Você pode mostrar esses poemas para mim.”

Da pilha de poemas, Śrī Rāmaṇa escolheu uma folha e disse: “Este é o suficiente”, e devolveu os demais escritos para Manickam. Apresentamos aqui a tradução para o português desse poema de Sivaprakasam Pillai escolhido por Śrī Rāmaṇa.

Rāmaṇa

Śrī Rāmaṇa Vācana Sāram

Esta é a Essência; Esta é a Essência!
Esta é, de fato, a Essência das Palavras de Rāmaṇa!
Diga-me quem é o Você real! Busque o Você real!
Certamente, Você não é a carne, sujeita a decompor-se.

O corpo nasce, o corpo morre.
O corpo desconhece a si mesmo no sono profundo.
Você é Conhecimento. Conhecimento é Você.
O Conhecimento Eterno nunca nasce ou morre.

No sono há Consciência de Si, não do corpo.
Somente Você testemunha a ausência de consciência do corpo.
Não sabem todos que o corpo nasce?
Há alguém que testemunhe o nascimento da Consciência?

Você não é o corpo, com já foi dito.
Destrua a falsa noção de que Você é o corpo.
Busque incessantemente sua natureza real.
Não pense em mais nada.

Se o pensamento-raíz “Eu sou o corpo”
Permanecer, então todos os demais pensamentos permanecerão.
“Quem é consciente do corpo?” – Esta busca
Apenas, irá eliminar a crença “Eu sou o corpo”.

O iludido que pensa “Eu sou o corpo”
Irá anelar consequentemente alimentos, roupas e desejos.
Naquele que for livre da ilusão “Eu sou o corpo”
A mente não irá mais ansiar por alimentos, roupas e desejos.

Ainda que o fim estiver próximo, não se imute
Permaneça tranquilo; é o trabalho de Deus
Não pondere sobre se o corpo é um, dois ou três
Tal busca é vã.

Se você observar atentamente
Não há, absolutamente, espaço para a crença de ser o corpo
Rejeite toda aparência que pareça separada [de Você]
Rejeite-a como sendo “Não Eu”.

Todos os outros dogmas e crenças são como coleções de lixo.
Livre-se de todas elas.
Constantemente inquirindo “Quem sou Eu?”
Apenas o pensamento-Eu permanece.

O resto será cinzas.
Quando o pensamento-Eu for queimado
Você saberá que “Este é o Eu Real”, livre de pensamentos.
Aquele que não nasce nem se põe é o Você Real, que brilha efulgente

O Ser que brilha como o resplandecente Sol:
Seja Ele, sem nunca esmorecer.
Esta é a Essência, esta é a Essência,
Esta, de fato, é a Essência do Ensinamento de Rāmaṇa.

ॐ ॐ ॐ ॐ ॐ


Traduzido por Pedro Kupfer do original em inglês, disponível aqui.
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3 respostas

  1. Joana D’arc Ferreira Baros

    SIM..
    GRATA.

  2. Que simplicidade de ver e viver!
    Muito grato pela leitura.
    Namastê! Harih Om!

  3. Lindo poema.
    Muito obrigado pelo trabalho e a dedicação!
    Namaste.

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