Pintura indiana com a Deusa

Kularnava Tantra (fragmento)

Por tradução por Pedro Kupfer 30 de julho de 2001 2 minutos de leitura

Quando nem sequer há consciência,
senão a quietude da água parada,
esa meditação despojada se chama samādhi.
A Realidade brilha por si própria,
não somente pelos pensamentos da mente.

Chama-se yogi aquele cujo
movimento respiratório cessa,
imóvel como uma pedra e que
somente conhece o Ser e a Morada supremos.

Quando nem sequer há consciência,
senão a quietude da água parada,
esa meditação despojada se chama samādhi.

A Realidade brilha por si própria,
não somente pelos pensamentos da mente.
E quando a Realidade brilha desta forma,
nos transformamos intantaneamente Nisso.

Aquele que está como dormido,
tanto no sono como na vigília,
sem respirar e imóvel, é verdadeiramente livre.

Aquele cujos sentidos não se agitam,
cuja mente e respiração se absorvem
no próprio ser, que está como morto,
se chama jívanmukta, o que se liberta em vida.

Não ouve, não cheira, nem toca nem vê;
tampouco conhece o prazer ou a dor, nem exercita a mente.
Como um tronco de madeira,
não conhece nada nem é consciente de nada;
está unicamente absorvido em Śiva, está em samādhi.

Quando jogamos água sobre a água,
leite sobre o leite, ghee sobre o ghee,
não aparece nenhuma diferença.
Da mesma forma, não há diferença
entre jívatma e Páramátma, a alma e o Ser.

O homem pode converter-se em Brahman
pela força do samādhi,
igual que o casulo se converte em abelha
pela força da concentração.

E uma vez que o Ser se separa dos gunas,
não torna a ser o mesmo, como a manteiga que,
uma vez extraída do leite, não volta ao seu estado primitivo,
mesmo que você a jogue de novo sobre o leite.

Kularnava Tantra, VI.

Continue a leitura no yoga.pro.br: Viśvasāra Tantra · Vijñānabhairava Tantra: Versos sobre a Libertação · Paśu, Vīra e Divya: o condicionado, o corajoso e o divino
Mais textos em Literatura.

1
Compartilhar:WhatsApp

tradução por Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Swāmi Dayānanda abriu seus olhos no início do século. Hoje aprecia o Yoga mais como uma visão libertadora, do que como uma técnica. Pedro escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar o yoga.pro.br. Visita à Índia regularmente há mais de 40 anos para continuar seus estudos e autoaperfeiçoamento. Mora, junto com a sua amada e companheira de caminhada Ângela Sundarī, num praia perto da Vila da Ericeira, em Portugal.

Uma resposta

  1. Bem dificil esse texto Pedrão.
    Lindo, dificil e lindamente traduzido,
    HariOm :0)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pelas nervuras da folha

Para continuar

Estudar os textos com companhia

Na Formação em Yoga, os textos clássicos são lidos verso a verso, junto com a prática. A próxima turma começa em julho de 2027. Há uma aula experimental gravada, gratuita, para conhecer a abordagem.

Hanumān, em desenho a traço

Gostou deste texto?

Receba quinzenalmente uma mensagem com os próximos artigos do Pedro, novos recursos e conteúdos no seu e-mail.

Sem spam nem anúncios; cancele quando quiser, pelo link em cada e-mail. Política de Privacidade