Por que deveria eu fazer praticar Yoga? Não acho que você deveria praticar por ser mulher ou homem, jovem ou velho. Você deveria considerar a prática de Yoga, em primeiro lugar, porque você é um ser humano. E o Yoga é para seres humanos. É um caminho que ensina os humanos a vivermos uma vida mais tranqüila e feliz. Para além dos benefícios físicos, energéticos, mentais ou emocionais que esta prática possa trazer para uma mulher ou um homem, o Yoga é uma arte que nos ensina a viver felizes.
O Yoga como prática e como escola de vida
O Yoga é uma escola de auto-conhecimento, com uma tradição milenar que, como você deve saber, nasceu na Índia. Hoje em dia, a visão do Yoga, embora tão antiga, continua fazendo perfeito sentido, uma vez que, sem ser uma religião, pode responder aos anelos que as religiões preenchiam até um tempo atrás. O Yoga é diferente das religiões que, de modo geral, estão centradas em nos trazer conforto. O Yoga não conforta nem afaga. O Yoga liberta, ajuda a crescer.
Sem ser uma ciência, apresenta as coisas de uma maneira muito empírica, o que deixa bem à vontade àqueles que não gostam muito de coisas que não possam verificar por si mesmos. Sem ser uma arte, na prática, percebemos que tem algo similar à arte, pois nos ensina a arte da felicidade, que não é uma arte menor. Muito se fala sobre a filosofia do Yoga, mas essa filosofia não é algo que esteja desconectado do nosso cotidiano, da maneira em que vivemos o dia-a-dia.
Em resumo, o que podemos dizer sobre a filosofia do Yoga é que ela nos ensina que nos já somos a felicidade que estamos buscando. Que não precisamos ser diferentes do que somos para sermos felizes. Que não precisamos correr atrás de nenhuma das quimeras que a sociedade nos impõe para termos uma vida tranqüila. Que não precisamos que algo aconteça do lado de fora para trazer a felicidade para dentro das nossas vida (e isso exclui até a busca pelo príncipe azul ou pela princesa encantada!).
O problema da auto-imagem
Geralmente, quando penso em mim mesmo ou em mim mesma, não me vejo como alguém completo ou feliz. Esse problema não vai ser resolvido tirando todos os demais problemas da minha vida. Esse problema está mais vinculado com a falta de conhecimento que tenho sobre mim mesmo do que com alguma situação ou experiência que eu esteja vivendo. Portanto, isto se resolve através do auto-conhecimento, e não de evitar ou atrair determinadas situações em minha vida.
Comumente, quando me olho no espelho, vejo uma pessoa incompleta, carente, que precisa de alguma coisa para se completar e assim, ser feliz. Vejo alguém que não é, ou pelo menos não se sente, completamente feliz. Poderíamos chamar isso de crença ou feitiço: uma força que, baseada num pressuposto equivocado sobre mim mesmo ou mim mesma, me condiciona a agir de uma determinada maneira e acaba por me colocar em situações de conflito, desconforto ou sofrimento desnecessários.
O que o Yoga me ensina é que, dentro dessas limitações ou imperfeições que possa ver em mim mesmo ou mim mesma, sou simplesmente perfeito ou perfeita. Ou seja, não preciso sair de onde estou, ou renunciar ao meu trabalho, ou me mudar para outra cidade, ou mudar de família, para ser feliz.
Não estou dizendo, com isto, que devamos nos conformar e nos acomodar em situações que atentem contra a nossa dignidade, contra nossos direitos, ou nas quais nos sintamos desconfortáveis. Só estou dizendo que as ações que possamos fazer nesse sentido, embora possam ser vistas como boas, ou doadoras de satisfação, não são capazes de trazer a felicidade para nossas vidas.
A solução: cultivar o discernimento
Reflita sobre isto, repetindo mentalmente estas palavras:
Que eu tenha força para mudar o que deve ser mudado. Que eu tenha paciência para aceitar o que não pode ser mudado. Que eu tenha discernimento para compreender a diferença entre ambos.
A questão não está no que você faz, nem naquilo que você chama de Yoga, mas na sua intenção, no propósito pelo qual você faz suas ações. O fato de eu fazer posturas não significa que esteja fazendo Yoga, se não fizer a prática focado na minha libertação. O fato de praticar respiratórios ou meditação tampouco significa que eu esteja fazendo Yoga, se não fizer a prática focado na minha libertação.
Conclusões
Nesse sentido, se eu pratico Yoga para aprender sobre mim mesmo ou mim mesma, se souber tirar da minha prática lições que possa aplicar na vida, e isso me ajuda no processo da minha liberdade pessoal, então, posso chamar a prática de Yoga. Por outro lado, se eu fizer posturas ou meditação com um propósito diferente dessa meta que é a liberdade, então perco o direito de chamar aquilo de Yoga.
Recomendaria aos interessados, então, que comecassem a caminhada no Yoga pela prática do Hatha, o Yoga do corpo, para perceber o quanto aqueles efeitos das posturas, relaxamentos e respiratórios, aparentemente sutis, vá transformando aspectos da sua vida com os quais não haveria conexão aparente. Eventualmente, a sede pelo auto-conhecimento virá e será saciada em algum momento desse processo. Lembre que é nessa direção que estamos caminhando. Boas práticas! Namastê!
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