O mal não pode ser uma força. Se fosse, então teríamos dois opostos – uma força divina e uma força maligna, as quais teriam que ser resolvidas por um outro Todopoderoso diferente daquele que é a força divina. Teríamos, portanto, que criar uma outra força em que aquelas duas existissem.
Há muitos anos já vivo fascinado por uma lista de valores que Krishna ensina para Arjuna naquele diálogo essencial sobre Yoga que é a Bhagavadgītā. Essa parte da instrução sobre como aplicar o Yoga na vida através das atitudes ocupa as estrofes oito a 12 do capítulo XIII desse importante texto. Cultivar valores no cotidiano é essencial para se ter uma vida tranquila e feliz.
Para muitos praticantes, o Yogasūtra, obra seminal de Patañjali, é visto como um dos textos mais importantes dentro desta tradição. Porém, a bem da verdade, devemos lembrar que este tratado não contém ideias originais: suas bases estão firmemente fincadas na tradição védica. Muitos pensam que Patañjali tenha “inventado” este sistema quando de fato, ele apenas reúne este corpo de conhecimento e o coloca como um sistema prático.
Você está andando numa rua escura. Virando uma esquina, vê um homem batendo numa mulher. O que você faz? Passa ao longo fingindo que nada viu ou intercede em favor da vítima? Possuo a firme convicção de que a postura do yogi perante o mundo (bem como o lugar que ele ocupa em nossa sociedade), deve ser embasada na correta compreensão dos ensinamentos que a nossa bela tradição nos legou.
Assim como o arroz sem descascar e sem preparar pode germinar mas não consegue faze-lo quando é descascado e torrado, da mesma forma o karmāśaya, quando baseado nos kleśas, é capaz de produzir conseqüências, mas não produz nenhum efeito quando esses kleśas são removidos através da adquisição do conhecimento verdadeiro.
Devo entender que a ansiedade em relação ao futuro não faz parte de mim, e que em nada me ajuda. Devo entender que o desconhecido será sempre uma mistura de bom e de mau e que eu terei de viver com isso. Devo lembrar que não preciso sentir medo em relação ao futuro ou aos outros. Devo conhecer a mim mesmo com paz.
A mente fica como um cristal transparente: Uma vez que a mente esteja razoavelmente clara e estabilizada (1.33-1.39), o processo profundo do Yoga pode ter início. Eventualmente, a mente fica como um cristal transparente (1.41), sendo uma ferramenta purificada para as explorações mais refinadas dos níveis denso e sutil. Tal mente pode explorar toda uma gama de objetos, desde os menores até os maiores (1.40).
Fala-se muito hoje de uma crise ética. Sim, há, mas sempre houve, pois o ser humano se equivoca desde que é ser humano. Em épocas de mensalão e de dinheiro escondido nos lugares mais inusitados, faz-se necessária uma reflexão sobre a importância da ética. Ou melhor, sobre o valor da ética.
Preparação para práticas sutis: É necessário estabilizar e clarear a mente antes de sermos capazes de experimentar as meditações sutis ou o samadhi. O treinamento especializado de um atleta olímpico é baseado em uma fundação sólida de preparação física. De modo similar, é necessário o treino generalizado em concentração correta para avançar nas práticas.
Obstáculos são esperados: Existe um número previsível de obstáculos que surgem na jornada interior, acompanhados de várias conseqüências. Embora estes obstáculos possam ser desafios, saber que são algo natural fornece alguma tranqüilidade, pois são uma parte previsível do processo. Saber disto pode ajudar a manter a fé e a convicção, apresentados em sutras anteriores como sendo essenciais.
O Om é um caminho direto: A vibração desse som, acompanhado de um profundo sentimento para com o significado do que ele representa traz a realização do Eu individual e a remoção dos obstáculos que normalmente impedem esta realização. De certa forma, esta prática é como um atalho pelo qual podemos ir diretamente para o coração do processo.
Escolha seu nível de prática: Nos sutras 1:21 e 22 são descritos nove níveis de prática e compromisso, e três subdivisões para a prática intensa. Devemos escolher um dentre esses níveis de prática e compromisso. Todos podem progredir e ter a experiência direta. É muito útil se conseguirmos nos localizar nas nossas práticas pessoais, pois grande liberdade pode vir ao saber onde estamos.
A situação da sociedade está empobrecida, e a empobrecer progressivamente no que diz respeito a valores comportamentais. Estes valores são extremamente importantes para o bom funcionamento de qualquer tecido social, desde o mais pequeno, por exemplo uma família, ao maior, como por exemplo um país ou mesmo o planeta. Estas regras de conduta sustentam as relações interpessoais tornando-as mais produtivas, sinceras e harmoniosas, originando bem-estar, entendimento e paz.
Estágios: Fundamentado na prática (abhyasa) e no não-apego (vairagya) (1.12-1.16), o meditador se move sistematicamente para o seu próprio interior, através dos quatro níveis, ou estágios, de concentração em um objeto (1.17) e depois avança para o estágio de concentração sem objeto (1.18).
Dois princípios Centrais: Prática (abhyasa, 1.13) e não-apego (vairagya, 1.15) são os dois princípios centrais sobres os quais o sistema inteiro do Yoga se apoia (1.12). É pela prática e cultivo destes dois princípios que as demais práticas do Yoga são desenvolvidas e pela qual a maestria sobre o campo da mente acontece (1.2), o que possibilita a realização do verdadeiro Eu (1.3).
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