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Guru Pūrṇima, a Lua do Mestre

Guru Pūrṇima é a Lua Cheia do Mestre. Há muitas e lindas histórias que circulam na Índia sobre o Guru Pūrṇima. Conta uma delas que, muitos milênios atrás, Śiva Mahādeva apareceu no alto do Himalaya na forma de um yogi na postura do lótus, em silenciosa meditação sob uma frondosa figueira, o banyam.

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Guru Pūrṇima é a Lua Cheia do Mestre, que este ano se celebra no próximo dia 29 de julho. Há muitas e lindas histórias que circulam na Índia sobre o Guru Pūrṇima.

A História do Guru Pūrṇima

Conta uma delas que, muitos milênios atrás, Śiva Mahādeva apareceu no alto do Himalaya na forma de um yogin, na postura do lótus, em silenciosa meditação sob uma frondosa figueira, o banyam.

As pessoas, curiosas, se juntaram ao redor dele, que sorria suavamente, e de cujo corpo emanava uma luz encantadora.

Passou um longo período. O yogi não se mexia. As pessoas se afastaram aos poucos e seguiram com os seus afazeres. A vida continuou.

guru

Porém, sete sábios permaneceram ao lado do yogi. Eles se chamavam Marīci, Atri, Aṅgiras, Pulaha, Kratu, Pulastya e Vasiṣṭha.

Quando finalmente Śiva abriu os olhos por um breve período, eles pediram que os instruísse.

O yogi não respondeu. Ao invés disso, ainda sorrindo compassivamente, voltou a fechar os olhos e entrou novamente em profunda meditação.

Depois, levantou a mão direita e apenas fez cinmudrā, o gesto que aponta para a Consciência. Nessa mudrā, o dedo indicador, que representa o ego, dobra-se e fica em contato com o polegar, que simboliza o Ser.

Em silêncio, Śiva apontava dessa maneira ao reconhecimento de que não devemos atribuir um valor absoluto aos desejos, já que o ego não tem existência separada do Ser.

Esse reconhecimento é tudo o que precisamos para mokṣa, a libertação.

Essa aula silenciosa foi o quanto bastou para que os sete sábios redobrassem sua motivação e entusiasmo pelo autoconhecimento.

Eles permaneceram no lugar e ficaram a meditar junto com Śiva. O tempo passou: os dias tornaram-se semanas, as semanas messes e os meses anos.

84 anos depois, no dia da lua cheia do solstício de verão que marca o dakṣiṇayāṇa, (semestre que marca o momento em que o sol começa a iluminar desde o sul), Śiva finalmente abriu os olhos e olhou para o sol.

É por isso que é chamado Dakṣiṇamūrti, ou “Aquele que Olha para o Sul.”

Os sábios foram abençoados com mokṣa, a libertação e, ao abandonar os seus corpos, tornaram-se as sete estrelas da constelação da Ursa Maior. São chamados conjuntamente saptaṛṣi.

Os ṛṣis e ṛṣiskās são os poetas e as poetisas, os patriarcas e as matriarcas que deram origem à tradição do Yoga, que se estendeu desde então o longo das gerações.

Eles ocupam um lugar muito especial na cultura espiritual da Índia, junto aos deuses e heróis da mitologia hindu, que tem um importante papel formativo naquela cultura.

Quando estamos desnorteados, sem saber para onde ir, olhamos para o norte em busca de orientação. A Ursa Maior, que simboliza a presença dos mestres, nos mostra a Estrela Polar, que por sua vez indica o norte.

E lá está Śiva, a Consciência, que olha para o sul. Somente aquele que sabe onde está (i.e., quem é, em termos absolutos) é que pode olhar para o sul.

É por isso que Śiva, como Ādiguru, o primeiro professor de Yoga, é chamado Dakṣiṇamūrti, como aparece no Guru Vandanam, a saudação aos mestres:

सदाशिवसमारम्भां शङ्कराचार्यमध्यमाम्‌ ।
अस्मदाचार्यपर्यन्तां वन्दे गुरुपरम्पराम्‌ ॥

sadaśiva samarambham
śaṅkarācārya mādhyamam |

asmadācārya paryantam
vande guru paramparām ||

Minha saudação à linhagem dos mestres que,
começando com Sadaśiva (Dakṣiṇamūrti),

tem Ādi Śaṅkarācārya como elo intermediário
e se estende até o meu próprio professor.

Assim, nesta data especial, honramos Śiva na forma de Śrī Dakṣiṇamūrti, bem como a todos aqueles que dissiparam a escuridão, que ensinaram e ensinam hoje a visão libertadora do Yoga ao longo das gerações nessa linda tradição, viva e inspiradora.

॥ हरिः ॐ ॥

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॥ हरिः ॐ ॥

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Pedro nasceu no Uruguai, 60 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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