O presídio que ficava perto do lugar onde eu moro mudou para outro local. Fui dar uma meditação no lugar novo e perguntei aos presos como estavam as coisas por lá. Disseram que viviam muito melhor, que havia mais espaço para caminhar, melhores e mais confortáveis celas. Estavam bem contentes.
A questão fundamental é que só muda o tamanho da prisão. A pessoa continua encarcerada. Segue sendo prisioneira. O mesmo vale para nós: somos prisioneiros do saṁsāra, dos condicionamentos. O mesmo vale para as instituições religiosas: nenhuma delas liberta ninguém.
Depois da prática de meditação que dei para os presos, eles continuaram presos. Um dos presidiários aproximou-se mim no final para agradecer e contou-me que estava preso por assassinato. Mas disse que não tinha sido ele o executor da vítima: “um mal apossou-se de mim, não fui eu”.
Esses prisioneiros não têm a vantagem de uma visão mais ampla do mundo. Não socializam, não aprendem. Vivem confinados entre aqueles muros. Consequentemente, a visão que eles têm da vida é bastante estreita. Nós podemos perceber as limitações nas vidas deles. No entanto, o mesmo aplica-se às nossas próprias vidas.
Somos prisioneiros, em outro tipo de presídio: o presídio das religiões, o presídio das crenças, o presídio das pressões sociais, das comparações, dos sampradayas. A pessoa sempre tende a identificar-se com alguma instituição, algum grupo, alguma fé, algum clube, alguma cultura, música, etc.
Aquele casulo em torno do eu é a prisão. “Você estuda a planta da prisão para poder escapar dela”, disse Alexandre Dumas num romance. Isso faz sentido. Se você está preso no saṁsāra, precisa conhecer o lugar onde está para poder escapar dele.
Torne-se um estudioso da prisão da qual você precisa escapar. Seja honesto em relação a isso, se é mesmo que você quer libertar-se. É possível viver neste mundo, como estudantes de Vedānta, sem fugir do mundo, sem escapar dele e sem ceder às questões de corrupção que fazem parte dele? Os religiosos não conseguem responder a esta questão. Nós podemos responder afirmativamente. Sim, é possível.
No Manusmṛti, a primeira versão do primeiro código civil da Índia antiga, contempla-se a possibilidade de um condenado trocar a condena pela renúncia, saṁnyāsa. Ele torna-se renunciante, muda de atitude e encontra a redenção quando deixa de lado os apegos aos papéis, às ideias de eu e meu.
Ação, resultado. É assim como fazemos todas as ações, sempre à espera de um resultado. Isso é chamado movimento unitário. Ação, resultado. Eu. Ação, resultado. Eu. Ação, resultado. Eu. Assim a pessoa se conecta com o karma. A solução para sair dessa prisão é deixar de lado a ânsia pelos frutos das ações. Isso é o Karmayoga.
O Karmayoga nos ajuda a apagar esse condicionamento. Observe maneira em que o ego se movimenta. Você pode continuar a fazer o seu trabalho, mas de maneira mais satisfeita, pode continuar a relacionar-se com a sua família, mas de maneira mais amorosa e livre.