Pintura (Pahari, c. 1830): Durgā mata Mahiṣa

Śrī Mahiṣāsura Mardini Stotram – Ayi Giri Nandini

Por Pedro Kupfer 26 de outubro de 2020 36 minutos de leitura

श्रीः

महिषासुरमर्दिनिस्तोत्रम्

Mahiṣāsuramardinistotram

Ayi Giri Nandini · O Hino à Destruidora de Mahiṣa

Mahiṣāsuramardinistotram (महिषासुरमर्दिनिस्तोत्रम्) quer dizer «Hino à Destruidora do demônio Mahiṣa». Mardinī, da raiz mṛd, esmagar, é «a que esmaga»; Mahiṣāsura é o asura Mahiṣa, o demônio que tomava a forma de um búfalo. Na Índia inteira o hino é conhecido pelas suas primeiras palavras, Ayi Giri Nandini, «Ó filha da montanha». É o canto da vitória de Durgā, a Mãe Divina, sobre as forças que obscurecem o mundo e a mente, e é cantado sobretudo nas nove noites de Navarātri.

Uma breve glossa

São vinte e uma estrofes, cada uma terminada pelo mesmo refrão: jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute, «vitória, vitória, ó destruidora de Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha». A tradição popular costuma atribuir o hino a Śaṅkara; segundo outras fontes, ele faz parte do Bhagavatīpadyapuṣpāñjalistotra, a «Oferenda de flores em versos à Deusa», da autoria de Śrī Rāmakṛṣṇa Kavi.

O poema percorre a história contada no Devīmāhātmya: a Deusa nasce do esplendor reunido de todos os devas e vence, um a um, Madhu e Kaiṭabha, Caṇḍa e Muṇḍa, Dhūmralocana, Raktabīja, Śumbha e Niśumbha e, por fim, Mahiṣa (estrofes 2 a 8). Depois a batalha vira dança e música (9 e 10), a Deusa é contemplada na sua beleza (11 a 17) e o devoto termina pedindo refúgio aos seus pés e a sua compaixão (18 a 21). O texto é feito para ser cantado: as sílabas se repetem e ecoam, como no jogo de palavras da estrofe 11 (sumanaḥ sumanaḥ sumanaḥ), e algumas estrofes imitam o som dos tambores e dos guizos. Conheça a história de Durgā como Mahiṣāsuramardinī em A História de Durgā Kālī, a Mãe Divina.

A seguir, apresentamos o texto em devanāgarī e sua transliteração, com o pādapāṭha, a tradução palavra por palavra, e a tradução de cada estrofe. Como o refrão se repete, a sua tradução palavra por palavra aparece apenas na primeira estrofe.

Abertura: o título do hino

भगवतीपद्यपुष्पाञ्जलिस्तोत्रान्तर्गतं महिषासुरमर्दिनिस्तोत्रम् ॥

bhagavatīpadyapuṣpāñjalistotrāntargataṁ mahiṣāsuramardinistotram ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

bhagavatī: a Deusa venerável; padya: em verso; puṣpāñjali: oferenda de flores feita com as mãos em concha; stotra: hino de louvor; antargatam: contido em, que faz parte de; mahiṣāsuramardinistotram: o hino à destruidora do demônio Mahiṣa.

O Hino à Destruidora de Mahiṣāsura, que faz parte do Bhagavatīpadyapuṣpāñjalistotra, a Oferenda de flores em versos à Deusa.

Primeira estrofe: a filha da montanha

अयि गिरिनन्दिनि नन्दितमेदिनि विश्वविनोदिनि नन्दिनुते
गिरिवरविन्ध्यशिरोऽधिनिवासिनि विष्णुविलासिनि जिष्णुनुते ।
भगवति हे शितिकण्ठकुटुम्बिनि भूरिकुटुम्बिनि भूरिकृते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १ ॥

ayi girinandini nanditamedini viśvavinodini nandinute
girivaravindhyaśiro’dhinivāsini viṣṇuvilāsini jiṣṇunute |
bhagavati he śitikaṇṭhakuṭumbini bhūrikuṭumbini bhūrikṛte
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 1 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

ayi: ó (interjeição afetuosa); giri: montanha; nandinī: filha; a que alegra; girinandini: ó filha da montanha; nandita: alegrado, tornado feliz; medinī: a terra; nanditamedini: que alegra a terra; viśva: o universo; vinodinī: que se diverte, que brinca; viśvavinodini: para quem o universo é um jogo; nandin: Nandi, o touro de Śiva; nutā: louvada; nandinute: louvada por Nandi; girivara: a melhor das montanhas; vindhya: os montes Vindhya; śiras: cabeça, cimo; adhinivāsinī: que habita; girivaravindhyaśiro’dhinivāsini: que habita o cimo dos Vindhya, a melhor das montanhas; viṣṇu: Viṣṇu; vilāsinī: que se alegra, que alegra; viṣṇuvilāsini: que alegra Viṣṇu [de quem é irmã]; jiṣṇu: o vitorioso, epíteto de Indra; jiṣṇunute: louvada por Indra; bhagavati: ó Deusa venerável; śitikaṇṭha: o de garganta escura, Śiva, que guardou na garganta o veneno do oceano; kuṭumbinī: dona da casa, esposa; a que tem família; śitikaṇṭhakuṭumbini: ó esposa de Śiva; bhūri: muito, abundante; bhūrikuṭumbini: que tem uma família imensa: todos os seres; kṛt: que faz, que cria; bhūrikṛte: que cria a abundância; jaya: vitória! sê vitoriosa (imperativo de ji, vencer); he: ó; mahiṣa: búfalo; Mahiṣa, o demônio que tomava a forma de búfalo; asura: demônio, força adversa aos devas; mardinī: a que esmaga, a que destrói (de mṛd, esmagar); mahiṣāsuramardini: ó destruidora do demônio-búfalo Mahiṣa (vocativo); ramya: belo, encantador; kapardinī: a que tem os cabelos presos em tranças enroladas (kaparda), como Śiva; ramyakapardini: ó tu, de belas tranças; śaila: montanha; sutā: filha; śailasute: ó filha da montanha [Himavat, o Himālaya].

Saudações à filha da montanha, que alegra o mundo inteiro, para quem o universo é um jogo divino e que é louvada por Nandi [o touro de Śiva], que mora no topo das montanhas Vindhya, a melhor das montanhas, que faz feliz Śrī Viṣṇu [como Sua irmã], que é elogiada por Indra, ó Deusa, consorte de Śiva, o da Garganta Azul, que tem muitos relacionamentos [como a Mãe Cósmica], que cria abundância. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 1 ||

Segunda estrofe: a que nutre os três mundos

सुरवरवर्षिणि दुर्धरधर्षिणि दुर्मुखमर्षिणि हर्षरते
त्रिभुवनपोषिणि शङ्करतोषिणि किल्बिषमोषिणि घोषरते ।
दनुजनिरोषिणि दितिसुतरोषिणि दुर्मदशोषिणि सिन्धुसुते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ २ ॥

suravaravarṣiṇi durdharadharṣiṇi durmukhamarṣiṇi harṣarate
tribhuvanapoṣiṇi śaṅkaratoṣiṇi kilbiṣamoṣiṇi ghoṣarate |
danujaniroṣiṇi ditisutaroṣiṇi durmadaśoṣiṇi sindhusute
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 2 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

sura: deus, deva; vara: dádiva, bênção; varṣiṇī: que faz chover; suravaravarṣiṇi: que derrama dádivas sobre os devas; durdhara: Durdhara, nome de um demônio (lit. «irresistível»); dharṣiṇī: que vence, que subjuga; durmukha: Durmukha, nome de um demônio (lit. «de cara feia»); marṣiṇī: que tolera [e por fim abate]; harṣa: alegria; rata: que se deleita; harṣarate: que se deleita na alegria; tribhuvana: os três mundos; poṣiṇī: que nutre, que sustenta; śaṅkara: Śaṅkara, «o que faz o bem», Śiva; toṣiṇī: que satisfaz, que contenta; kilbiṣa: falta, mal, impureza; moṣiṇī: que rouba, que remove; ghoṣa: estrondo, fragor; ghoṣarate: que se deleita no fragor [da batalha]; danuja: nascidos de Danu: os dānavas, demônios; niroṣiṇī: que apaga a ira (nis + roṣa); ditisuta: filhos de Diti: os daityas, demônios; roṣiṇī: que se encoleriza; ditisutaroṣiṇi: que dirige a sua ira contra os daityas; durmada: orgulho insensato, arrogância; śoṣiṇī: que seca, que extingue; sindhu: oceano; sindhusute: ó filha do oceano [como Lakṣmī]; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Mãe Divina] Que espalha presentes sobre os devas, que se eleva sobre o demônio Durdhara, que tolera o demônio Durmukha e finalmente o mata e que está em êxtase em sua própria plenitude, que apoia e nutre Tribhuvana, os Três Mundos, encantando [Śiva] Śaṅkara, e que remove os frutos das ações erradas, sem se poupar na turbulência da batalha, que se livra da ira dos dānavas [asuras gerados pela demônia Danu], que dirige a sua fúria aos daityas [filhos da também demônia Diti], que aniquila o orgulho disparatado e que é a filha do oceano [como Lakṣmī Devī]. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 2 ||

Terceira estrofe: a Mãe do mundo

अयि जगदम्ब मदम्ब कदम्ब वनप्रियवासिनि हासरते
शिखरि शिरोमणि तुङ्गहिमालय शृङ्गनिजालय मध्यगते ।
मधुमधुरे मधुकैटभगञ्जिनि कैटभभञ्जिनि रासरते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ३ ॥

ayi jagadamba madamba kadamba vanapriyavāsini hāsarate
śikhari śiromaṇi tuṅgahimālaya śṛṅganijālaya madhyagate |
madhumadhure madhukaiṭabhagañjini kaiṭabhabhañjini rāsarate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 3 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

jagat: mundo; ambā: mãe; jagadamba: ó Mãe do mundo; madamba: ó minha mãe (mat + ambā); kadamba: a árvore kadamba; vana: bosque, floresta; priya: querido, que gosta; vāsinī: que habita; kadamba vanapriyavāsini: que gosta de habitar o bosque de kadambas; hāsa: riso; hāsarate: que se deleita no riso; śikharin: montanha, «a que tem picos»; śiromaṇi: joia da coroa; tuṅga: alto, elevado; himālaya: o Himālaya, «morada da neve»; śṛṅga: pico; nija: próprio; ālaya: morada; śṛṅganijālaya: que tem a sua morada nos picos; madhya: centro, meio; gatā: que está, que foi; madhyagate: que está no centro; madhu: mel; madhure: ó doce; madhumadhure: ó doce como o mel; madhukaiṭabha: Madhu e Kaiṭabha, os dois demônios que nasceram dos ouvidos de Viṣṇu adormecido; gañjinī: que humilha, que vence; kaiṭabhabhañjini: que despedaça Kaiṭabha; rāsa: a dança em roda; o tumulto; rāsarate: que se deleita na dança [e no tumulto da batalha]; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

Saudações à Mãe do universo, que é minha Mãe, que adora viver na floresta das árvores kadamba (neolamarckia cadamba) e se deleita com risos e alegria, que mora no centro da joia no pico mais alto do Himalaia, que é doce como mel, que suportou o orgulho dos demônios Madhu e Kaiṭabha, que destruiu os demônios Madhu e Kaiṭabha, entregando-se ao estrondo e à turbulência da grande batalha. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 3 ||

Quarta estrofe: o leão e os elefantes

अयि शतखण्ड विखण्डितरुण्ड वितुण्डितशुण्ड गजाधिपते
रिपुगजगण्ड विदारणचण्ड पराक्रमशुण्ड मृगाधिपते ।
निजभुजदण्ड निपातितखण्ड विपातितमुण्ड भटाधिपते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ४ ॥

ayi śatakhaṇḍa vikhaṇḍitaruṇḍa vituṇḍitaśuṇḍa gajādhipate
ripugajagaṇḍa vidāraṇacaṇḍa parākramaśuṇḍa mṛgādhipate |
nijabhujadaṇḍa nipātitakhaṇḍa vipātitamuṇḍa bhaṭādhipate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 4 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

śata: cem; khaṇḍa: pedaço; vikhaṇḍita: despedaçado; ruṇḍa: tronco sem cabeça; śatakhaṇḍa vikhaṇḍitaruṇḍa: que despedaça em cem pedaços os troncos decapitados; vituṇḍita: cortado; śuṇḍa: tromba; gaja: elefante; adhipati: chefe, senhor; vituṇḍitaśuṇḍa gajādhipate: que corta a tromba dos chefes dos elefantes [inimigos]; ripu: inimigo; gaṇḍa: têmpora; vidāraṇa: que fende, que rasga; caṇḍa: feroz; parākrama: bravura, força; mṛgādhipati: o rei dos animais, o leão; ripugajagaṇḍa vidāraṇacaṇḍa parākramaśuṇḍa mṛgādhipate: cujo leão, de força feroz, fende as têmporas dos elefantes inimigos; nija: próprio; bhuja: braço; daṇḍa: bastão; aqui, o braço forte como um bastão; nipātita: derrubado, abatido; vipātita: derrubado, cortado; muṇḍa: cabeça; aqui, alusão aos demônios Caṇḍa e Muṇḍa; bhaṭa: guerreiro; bhaṭādhipate: [vencedora] dos chefes dos guerreiros; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

Saudações à conquistadora dos elefantes do inimigo, que corta suas trombas e despedaça suas cabeças, dilacerando os corpos decapitados em centenas de pedaços, cujo leão arranca orgulhosamente as cabeças, destruindo o poder dos elefantes do inimigo, que corta as cabeças dos demônios Caṇḍa e Muṇḍa com os seus próprios braços armados e conquista os guerreiros inimigos. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 4 ||

Quinta estrofe: Śiva como mensageiro

अयि रणदुर्मद शत्रुवधोदित दुर्धरनिर्जर शक्तिभृते
चतुरविचार धुरीणमहाशिव दूतकृत प्रमथाधिपते ।
दुरितदुरीह दुराशयदुर्मति दानवदूत कृतान्तमते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ५ ॥

ayi raṇadurmada śatruvadhodita durdharanirjara śaktibhṛte
caturavicāra dhurīṇamahāśiva dūtakṛta pramathādhipate |
duritadurīha durāśayadurmati dānavadūta kṛtāntamate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 5 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

raṇa: batalha; durmada: arrogante, ébrio de orgulho; śatru: inimigo; vadha: morte, destruição; udita: surgido, manifestado; śatruvadhodita: que surgiu para destruir os inimigos; durdhara: irresistível; nirjara: que não envelhece, imperecível; śakti: poder; bhṛt: que porta, que sustenta; śaktibhṛte: que detém o poder; catura: hábil, sagaz; vicāra: deliberação, discernimento; dhurīṇa: o primeiro, o mais destacado; mahāśiva: o grande Śiva; dūta: mensageiro; dūtakṛta: que fez [de Śiva] o seu mensageiro; pramatha: os pramathas, a hoste de espíritos que acompanha Śiva; pramathādhipati: o senhor dos pramathas, Śiva; durita: mal, falta; durīha: de más intenções; durāśaya: de propósito perverso; durmati: de mente maldosa; dānava: demônio; dānavadūta: o mensageiro dos demônios; kṛtānta: fim, morte; o deus da morte; mati: intenção, decisão; kṛtāntamate: que decidiu o fim [do mensageiro demoníaco]; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

Saudações à Mãe Divina que se manifestou para destruir demônios arrogantes na batalha e que detém um poder imparável e indestrutível, que fez de Śiva o seu mensageiro, aquele Śiva que se destaca por sua sagacidade na deliberação e que é o Senhor dos fantasmas e espectros, que é honrada por ter rejeitado a proposta [de casar-se com os demônios Śumbha e Niśumbha] e destruído o mensageiro demoníaco mal-intencionado e ignorante. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 5 ||

Sexta estrofe: refúgio até para os inimigos

अयि शरणागत वैरिवधूवर वीरवराभय दायकरे
त्रिभुवनमस्तक शूलविरोधि शिरोऽधिकृतामल शूलकरे ।
दुमिदुमितामर दुन्दुभिनादमहोमुखरीकृत दिङ्मकरे
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ६ ॥

ayi śaraṇāgata vairivadhūvara vīravarābhaya dāyakare
tribhuvanamastaka śūlavirodhi śiro’dhikṛtāmala śūlakare |
dumidumitāmara dundubhinādamahomukharīkṛta diṅmakare
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 6 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

śaraṇa: refúgio; āgata: que veio; śaraṇāgata: que veio buscar refúgio; vairi: inimigo; vadhū: esposa, mulher; vara: esposo; o melhor; vīra: herói, guerreiro; abhaya: destemor, proteção; dāyaka: que dá; kara: mão; vīravarābhaya dāyakare: que concede proteção com a mão; tribhuvana: os três mundos; mastaka: cabeça; śūla: lança, tridente; virodhin: que se opõe; śiras: cabeça; adhikṛta: dirigido, apontado; amala: imaculado; śūlakare: que tem a lança na mão; dumidumi: som onomatopaico dos tambores; amara: imortal, deva; dundubhi: tambor de guerra; nāda: som; mahas: grande, festa; mukharīkṛta: tornado ressoante; diś: direção, ponto cardeal; dundubhinādamahomukharīkṛta diṅmakare: que faz ressoar todas as direções com o som dos tambores dos devas; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

Saudações à Divina Mãe que perdoou e acolheu as esposas dos valentes soldados inimigos quando estas buscavam refúgio, que com a sua imaculada lança na mão aponta para as cabeças dos oponentes que ameaçam os três mundos e se opõem à sua lança, cuja vitória dá origem ao som dumi–dumi produzido pelos tambores dos devas (forças elementais da natureza), semelhante ao fluxo incessante de água, que enche todas as direções de alegria. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 6 ||

Sétima estrofe: o huṁkāra que reduz a cinzas

अयि निजहुङ्कृति मात्रनिराकृत धूम्रविलोचन धूम्रशते
समरविशोषित शोणितबीज समुद्भवशोणित बीजलते ।
शिवशिवशुम्भ निशुम्भमहाहव तर्पितभूत पिशाचरते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ७ ॥

ayi nijahuṅkṛti mātranirākṛta dhūmravilocana dhūmraśate
samaraviśoṣita śoṇitabīja samudbhavaśoṇita bījalate |
śivaśivaśumbha niśumbhamahāhava tarpitabhūta piśācarate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 7 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

nija: próprio; huṅkṛti: o som huṁ, o grito de guerra; mātra: só, mero; nirākṛta: repelido, destruído; dhūmravilocana: Dhūmralocana, «olhos de fumaça», general dos demônios; dhūmra: fumaça; śata: cem; dhūmraśate: [que reduziu] a cem fumaças, a cinzas; samara: batalha; viśoṣita: secado, exaurido; śoṇita: sangue; bīja: semente; śoṇitabīja: Raktabīja, «semente de sangue», o demônio de cujas gotas de sangue nasciam novos demônios; samudbhava: nascido; latā: trepadeira; fileira; bījalate: [que exauriu] a fileira de Raktabījas nascidos do sangue; śiva: Śiva; também, auspicioso; śumbha: Śumbha; niśumbha: Niśumbha, irmão de Śumbha; mahāhava: grande batalha; grande oferenda; tarpita: saciado, satisfeito; bhūta: espírito, fantasma; piśāca: ogro, espírito devorador; rata: que se deleita; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

Saudações à Mãe Divina que reduziu o demônio Dhūmralocana a cinzas com seu simples huṁkāra [vibração sonora]. Que drenou a força do demônio original Raktabīja e os demais Raktabījas surgidos [do seu sangue], como uma corrente de répteis durante a batalha, em cujo grande ritual propiciatório [consagrou as vidas de] Śumbha e Niśumbha [que simbolizam a arrogância e o orgulho] e satisfez os fantasmas e ogros [do exército] de Śiva. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 7 ||

Oitava estrofe: o arco em plena batalha

धनुरनुषङ्ग रणक्षणसङ्ग परिस्फुरदङ्ग नटत्कटके
कनकपिशङ्ग पृषत्कनिषङ्ग रसद्भटशृङ्ग हताबटुके ।
कृतचतुरङ्ग बलक्षितिरङ्ग घटद्बहुरङ्ग रटद्बटुके
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ८ ॥

dhanuranuṣaṅga raṇakṣaṇasaṅga parisphuradaṅga naṭatkaṭake
kanakapiśaṅga pṛṣatkaniṣaṅga rasadbhaṭaśṛṅga hatābaṭuke |
kṛtacaturaṅga balakṣitiraṅga ghaṭadbahuraṅga raṭadbaṭuke
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 8 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

dhanus: arco; anuṣaṅga: ligação, o que acompanha; raṇa: batalha; kṣaṇa: instante; saṅga: encontro, contato; parisphurat: que vibra, que se agita; aṅga: membro, corpo; naṭat: que dança; kaṭaka: bracelete; naṭatkaṭake: cujos braceletes dançam; kanaka: ouro; piśaṅga: fulvo, avermelhado; pṛṣatka: flecha; niṣaṅga: aljava; rasat: que grita, que ruge; bhaṭa: guerreiro; śṛṅga: chifre; o chefe; hata: morto, abatido; baṭuka: rapaz; aqui, os inimigos imaturos; kṛta: feito; caturaṅga: o exército de quatro corpos: carros, elefantes, cavalos e infantaria; bala: exército, força; kṣiti: destruição; também, terra; raṅga: arena, campo; cor; ghaṭat: que se junta, que se agrupa; bahuraṅga: de muitas cores; raṭat: que grita; raṭadbaṭuke: [entre] os jovens soldados que gritam; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Mãe Divina] Cuja pulseira dança em seu brilhante brasão, seguindo os movimentos de seu arco a cada momento da batalha, cujas flechas douradas ficam vermelhas [de sangue] quando se cravam nos inimigos ignorantes e os matam apesar de seus gritos e alaridos, que se transforma ao subjugar as quatro fileiras de inimigos que a cercam por todos os lados durante a batalha, compostas de muitas cabeças de várias cores que gritam e gritam estupefactas quando as suas forças minguam. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 8 ||

Nona estrofe: a dança das ninfas celestes

सुरललना ततथेयि तथेयि कृताभिनयोदर नृत्यरते
कृतकुकुथः कुकुथो गडदादिकताल कुतूहल गानरते ।
धुधुकुट धुक्कुट धिन्धिमित ध्वनि धीर मृदङ्ग निनादरते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ९ ॥

suralalanā tatatheyi tatheyi kṛtābhinayodara nṛtyarate
kṛtakukuthaḥ kukutho gaḍadādikatāla kutūhala gānarate |
dhudhukuṭa dhukkuṭa dhindhimita dhvani dhīra mṛdaṅga ninādarate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 9 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

sura: deus, deva; lalanā: mulher; ninfa; suralalanā: as ninfas celestes, as apsarās; tatatheyi tatheyi: sílabas que marcam os passos da dança; kṛta: feito; abhinaya: representação dramática, expressão gestual; nṛtya: dança; nṛtyarate: que se deleita na dança; kukutha, gaḍadādika: sílabas que marcam o ritmo; tāla: ritmo, ciclo rítmico; kutūhala: encanto, curiosidade; gāna: canto; gānarate: que se deleita no canto; dhudhukuṭa dhukkuṭa dhindhimita: o som dos tambores; dhvani: som; dhīra: grave, profundo; mṛdaṅga: o tambor mṛdaṅga; nināda: ressoar; ninādarate: que se deleita no ressoar [do mṛdaṅga]; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe] Que se move no fragor da grande batalha, ao ritmo do ta-tha-theyi, ta-they, onde as dançarinas celestiais expressam o sentimento da luta com sua atuação e sua música, através de talas [ritmos] como ku-kutha, ku-kutha e ga-da-dha, ga-da-dha, que criam uma tensão emocional que encanta [e é acompanhado por] um som constante e profundo que diz dhu-dhu-kuṭa, dhu-kuṭa, dhim-dhimi gerado pelo mṛdaṅga [tambor de barro]. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 9 ||

Décima estrofe: os guizos que encantam Śiva

जय जय जप्य जयेजयशब्द परस्तुति तत्परविश्वनुते
झणझणझिञ्झिमि झिङ्कृत नूपुरशिञ्जितमोहित भूतपते ।
नटित नटार्ध नटी नट नायक नाटितनाट्य सुगानरते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १० ॥

jaya jaya japya jayejayaśabda parastuti tatparaviśvanute
jhaṇajhaṇajhiñjhimi jhiṅkṛta nūpuraśiñjitamohita bhūtapate |
naṭita naṭārdha naṭī naṭa nāyaka nāṭitanāṭya sugānarate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 10 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

jaya jaya: vitória, vitória; japya: o que se recita em voz baixa, como no japa; jayejayaśabda: o grito de «vitória, vitória»; para: grande, supremo; dos outros; stuti: louvor; tatpara: dedicado a isso; viśva: todos, o mundo; nutā: louvada; viśvanute: louvada por todo o mundo; jhaṇajhaṇa, jhiñjhimi, jhiṅkṛta: o tilintar dos guizos; nūpura: tornozeleira de guizos; śiñjita: tilintar; mohita: encantado, fascinado; bhūtapati: o senhor dos seres e dos espíritos, Śiva; naṭita: dançado, representado; naṭa: ator, dançarino; ardha: metade; naṭī: atriz, dançarina; naṭārdha naṭī: o dançarino que é metade dançarina: alusão a Śiva como Ardhanārīśvara, metade mulher; nāyaka: protagonista, herói; nāṭita: encenado; nāṭya: drama, teatro dançado; sugāna: belo canto; sugānarate: que se deleita com o belo canto; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe que é] louvada por todo o mundo; para quem preces de vitória são sussurradas antes da batalha e gritos de vitória são dados após a batalha, seguidos pela melodia dos seus stutis [cânticos de louvor]. Cujos tornozelos tilintando com o som jhaṇa–jhaṇa fascinam Śiva, o Senhor dos fantasmas e espectros, que se delicia pelo belo canto e dança apresentados por um dançarino que representa uma atriz com uma das metades do seu corpo. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 10 ||

Décima primeira estrofe: a beleza que ofusca a lua

अयि सुमनःसुमनःसुमनः सुमनःसुमनोहरकान्तियुते
श्रितरजनी रजनीरजनी रजनीरजनी करवक्त्रवृते ।
सुनयनविभ्रमर भ्रमरभ्रमर भ्रमरभ्रमराधिपते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ ११ ॥

ayi sumanaḥsumanaḥsumanaḥ sumanaḥsumanoharakāntiyute
śritarajanī rajanīrajanī rajanīrajanī karavaktravṛte |
sunayanavibhramara bhramarabhramara bhramarabhramarādhipate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 11 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

sumanas: palavra que, repetida, joga com os seus sentidos: flor, deus e mente boa; manohara: que encanta a mente; kānti: beleza, esplendor; yutā: dotada; sumanoharakāntiyute: dotada de uma beleza que encanta; śrita: buscado, a que se recorre; rajanī: noite; rajanīkara: «a que faz a noite», a lua; vaktra: rosto; vṛtā: envolta, dotada; karavaktravṛte: cujo rosto é como a lua; sunayana: de belos olhos; vibhrama: movimento gracioso; bhramara: abelha; bhramarādhipati: o rei das abelhas; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

Saudações à Divina Mãe, cuja bela mente se combina com um aspecto fascinante, fascinante, fascinante, cujo belo rosto subjuga a beleza do luar à noite, ofuscando-o com a sua beleza, cujos belos olhos conquistam a beleza das abelhas, das abelhas, das abelhas, por sua própria beleza. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 11 ||

Décima segunda estrofe: o sorriso como a aurora

सहितमहाहव मल्लमतल्लिक मल्लितरल्लक मल्लरते
विरचितवल्लिक पल्लिकमल्लिक झिल्लिकभिल्लिक वर्गवृते ।
सितकृतफुल्ल समुल्लसितारुण तल्लजपल्लव सल्ललिते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १२ ॥

sahitamahāhava mallamatallika mallitarallaka mallarate
viracitavallika pallikamallika jhillikabhillika vargavṛte |
sitakṛtaphulla samullasitāruṇa tallajapallava sallalite
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 12 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

sahita: acompanhada; mahāhava: grande batalha; malla: lutador; matallikā: o mais excelente; mallikā: jasmim; mallarate: que se deleita na luta; viracita: arranjado, formado; vallikā: trepadeira; pallikā: aldeia; aldeã; jhillikā: o cricrilar dos grilos; bhillikā: mulher da tribo bhil, da floresta; varga: grupo; vṛtā: cercada, acompanhada; sita: branco, claro; phulla: aberto, florido; samullasita: resplandecente; aruṇa: vermelho; a aurora; tallaja: excelente; pallava: broto, rebento; sallalite: ó graciosa; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe] Que na grande batalha contra os excelentes lutadores é acompanhada por meninas que parecem delicadas como jasmins mas que lutam [ferozmente] contra os seus inimigos. Cuja comitiva é composta de meninas da tribo Bhīl, que são tão delicadas quanto as plantas de jasmim de uma aldeia e que zumbam como um enxame de abelhas. Cujo rosto mostra um sorriso criado pela alegria que surge como um amanhecer resplandecente de cor vermelha e uma floração de excelentes botões. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 12 ||

Décima terceira estrofe: a filha do rei da montanha

अविरलगण्ड गलन्मदमेदुर मत्तमतङ्गज राजपते
त्रिभुवनभूषण भूतकलानिधि रूपपयोनिधि राजसुते ।
अयि सुदतीजन लालसमानस मोहन मन्मथराजसुते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १३ ॥

aviralagaṇḍa galanmadamedura mattamataṅgaja rājapate
tribhuvanabhūṣaṇa bhūtakalānidhi rūpapayonidhi rājasute |
ayi sudatījana lālasamānasa mohana manmatharājasute
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 13 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

avirala: contínuo, ininterrupto; gaṇḍa: têmpora; galat: que escorre; mada: a secreção que escorre das têmporas do elefante no cio; medura: espesso; matta: excitado, furioso; mataṅgaja: elefante; rāja: rei; pati: senhor; rājapate: senhora dos elefantes reais; tribhuvana: os três mundos; bhūṣaṇa: ornamento; bhūta: os seres; kalā: arte; nidhi: tesouro; rūpa: forma, beleza; payonidhi: oceano; rājasute: ó filha do rei [Himavat]; sudatī: de belos dentes; mulher bela; jana: gente; lālasa: ávido, desejoso; mānasa: mente, coração; mohana: que encanta, que seduz; manmatha: Manmatha, «o que agita a mente»: Kāma, o deus do amor; manmatharājasute: ó filha do rei Manmatha: tu que encantas como o deus do amor; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe] Que controla enormes elefantes reais de cujas têmporas exala incessantemente o espesso mada [hormônio dos jovens machos]. Quem é a filha do Rei de quem derivam os tesouros da arte, beleza e poder que são ornamentos dos três mundos. Que é como a filha de Manmatha, o deus do Amor, que com seu lindo sorriso desperta o desejo e a paixão nos corações das mulheres. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 13 ||

Décima quarta estrofe: a fronte de lótus

कमलदलामल कोमलकान्ति कलाकलितामल भाललते
सकलविलास कलानिलयक्रम केलिचलत्कल हंसकुले ।
अलिकुलसङ्कुल कुवलयमण्डल मौलिमिलद्बकुलालिकुले
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १४ ॥

kamaladalāmala komalakānti kalākalitāmala bhālalate
sakalavilāsa kalānilayakrama kelicalatkala haṁsakule |
alikulasaṅkula kuvalayamaṇḍala maulimiladbakulālikule
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 14 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

kamala: lótus; dala: pétala; amala: imaculado; komala: delicado, macio; kānti: brilho, beleza; kalā: arte; o crescente da lua; kalita: dotado; bhāla: fronte, testa; latā: trepadeira; bhālalate: cuja fronte se arqueia como uma trepadeira; sakala: todo, completo; vilāsa: graça, jogo; nilaya: morada; krama: passo, sucessão; keli: brincadeira, jogo; calat: que se move; kala: suave, melodioso; haṁsa: cisne; kula: bando, família; ali: abelha; saṅkula: cheio; kuvalaya: lírio-d’água azul; maṇḍala: círculo; mauli: cabeleira, coroa; milat: que se junta; bakula: a flor bakula; alikula: enxame de abelhas; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Mãe Divina,] Cuja testa brilhante e imaculada é como a delicada beleza de uma pétala de lótus imaculada e brilhante, belamente arqueada. Cujos movimentos se assemelham a jogos, aos movimentos suaves de um bando de cisnes, nos quais todas as escolas da arte dramática se manifestam sucessivamente. Cujos enfeites e tranças combinam a beleza e a doçura da água azul cobalto, cheia de lírios com enxames de abelhas e flores bakula visitadas por um enxame de abelhas. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 14 ||

Décima quinta estrofe: a flauta que envergonha o cuco

करमुरलीरव वीजितकूजित लज्जितकोकिल मञ्जुमते
मिलितपुलिन्द मनोहरगुञ्जित रञ्जितशैल निकुञ्जगते ।
निजगणभूत महाशबरीगण सद्गुणसम्भृत केलितले
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १५ ॥

karamuralīrava vījitakūjita lajjitakokila mañjumate
militapulinda manoharaguñjita rañjitaśaila nikuñjagate |
nijagaṇabhūta mahāśabarīgaṇa sadguṇasambhṛta kelitale
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 15 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

kara: mão; muralī: flauta; rava: som; vījita: abanado; posto de lado; kūjita: o trinado dos pássaros; lajjita: envergonhado; kokila: cuco; mañju: belo, suave; mati: pensamento, intenção; milita: reunido; pulinda: os pulindas, povo das montanhas; manohara: encantador; guñjita: zumbido, cantarolar; rañjita: colorido, alegrado; śaila: montanha; nikuñja: bosque, caramanchão; gatā: que vai; nija: próprio; gaṇa: grupo, séquito; mahāśabarī: as grandes mulheres śabaras, da floresta; Pārvatī tomou a forma de caçadora śabarī; sadguṇa: boas qualidades; sambhṛta: repleto; keli: brincadeira; tala: lugar, chão; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe] Que toca com as suas mãos a flauta, cujo som expõe o cuco à vergonha pela beleza [da sua música], que cantarola canções de arrasar corações para as garotas da tribo Pulinda caminhando pelo cume da montanha brilhante e colorida [pelo desabrochar das flores] e brinca com as mulheres da sua tribo, cheias das virtudes mais desejáveis. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 15 ||

Décima sexta estrofe: o manto dourado

कटितटपीत दुकूलविचित्र मयूखतिरस्कृत चन्द्ररुचे
प्रणतसुरासुर मौलिमणिस्फुरदंशुलसन्नख चन्द्ररुचे ।
जितकनकाचल मौलिमदोर्जित निर्भरकुञ्जर कुम्भकुचे
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १६ ॥

kaṭitaṭapīta dukūlavicitra mayūkhatiraskṛta candraruce
praṇatasurāsura maulimaṇisphuradaṁśulasannakha candraruce |
jitakanakācala maulimadorjita nirbharakuñjara kumbhakuce
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 16 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

kaṭi: cintura; taṭa: encosta; os quadris; pīta: amarelo, dourado; dukūla: tecido fino, seda; vicitra: variado, maravilhoso; mayūkha: raio de luz; tiraskṛta: ofuscado, eclipsado; candra: lua; ruc: brilho; candraruce: que ofusca o brilho da lua; praṇata: inclinado em reverência; surāsura: deuses e demônios; mauli: cabeça; diadema; maṇi: joia; sphurat: que cintila; aṁśu: raio de luz; lasat: que brilha; nakha: unha; lasannakha candraruce: cujas unhas brilham como a lua; jita: vencido, superado; kanakācala: a montanha de ouro, o Meru; mauli: cimo; mada: orgulho; ūrjita: poderoso; nirbhara: pleno, cheio; kuñjara: elefante; kumbha: a protuberância da fronte do elefante; kuca: seio; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Mãe Divina] Cujo sári dourado brilha com um resplendor que eclipsa o brilho da lua. Cujas unhas pulsam como o brilho de diamantes em um diadema e espalham o seu brilho como a própria lua, saudadas com reverência por deuses e demônios. Cujos seios eclipsam as têmporas dos elefantes selvagens e os altos picos das montanhas douradas. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 16 ||

Décima sétima estrofe: a mãe de Kārttikeya

विजितसहस्रकरैक सहस्रकरैक सहस्रकरैकनुते
कृतसुरतारक सङ्गरतारक सङ्गरतारक सूनुसुते ।
सुरथसमाधि समानसमाधि समाधिसमाधि सुजातरते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १७ ॥

vijitasahasrakaraika sahasrakaraika sahasrakaraikanute
kṛtasuratāraka saṅgaratāraka saṅgaratāraka sūnusute |
surathasamādhi samānasamādhi samādhisamādhi sujātarate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 17 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

vijita: vencido; sahasrakara: «o de mil raios», o Sol; também «o de mil braços», o rei Sahasrārjuna; eka: único; nutā: louvada; kṛta: feito; sura: deus, deva; tāraka: salvador; e Tāraka, o demônio vencido por Kārttikeya; saṅgara: batalha, combate; sūnu: filho; sūnusute: cujo filho [Kārttikeya] salvou os devas na batalha contra Tāraka: leitura tradicional de uma expressão difícil; suratha: o rei Suratha; samādhi: Samādhi, o mercador que, com Suratha, ouviu do sábio Medhas as histórias da Deusa no Devīmāhātmya; também, absorção meditativa; samāna: igual; sujāta: bem nascido, nobre; rata: que se deleita; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe] a única reverenciada pelas mil mãos do rei Sahasrārjuna, que superou o Sol de mil raios com a sua bravura. Quem criou o salvador dos devas [o seu filho Kārttikeya] que lutou uma batalha vitoriosa no confronto entre os deuses e o demônio Tārakāsura. Aquela que esmagou o demônio, e que recebe com prazer a realização [da pūjā oficiada pelo sábio Medhas] em nome do [Rei] Suratha e [do vaiśya] Samādhi. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 17 ||

Décima oitava estrofe: os pés de lótus

पदकमलं करुणानिलये वरिवस्यति योऽनुदिनं सुशिवे
अयि कमले कमलानिलये कमलानिलयः स कथं न भवेत् ।
तव पदमेव परम्पदमित्यनुशीलयतो मम किं न शिवे
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १८ ॥

padakamalaṁ karuṇānilaye varivasyati yo’nudinaṁ suśive
ayi kamale kamalānilaye kamalānilayaḥ sa kathaṁ na bhavet |
tava padameva parampadamityanuśīlayato mama kiṁ na śive
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 18 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

pada: pé; kamala: lótus; padakamalam: os pés de lótus; karuṇā: compaixão; nilaya: morada; karuṇānilaye: ó morada da compaixão; varivasyati: adora, serve; yaḥ: aquele que; anudinam: dia após dia; suśive: ó muito auspiciosa; ayi: ó; kamale: ó Kamalā, Lakṣmī; kamalānilaye: ó tu que moras no lótus; kamalānilayaḥ: morada de Kamalā: próspero, afortunado; saḥ: ele; katham: como; na: não; bhavet: seria; tava: teu; padam: pé; estado, morada; eva: de fato; param: supremo; iti: assim; anuśīlayataḥ: de quem pratica, de quem medita continuamente; mama: para mim; kim: o quê; śive: ó Śivā, ó auspiciosa; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

Ó Deusa, morada da compaixão, sempre acompanhada por Śiva, aqueles que adoram diariamente os seus pés de lótus, como essas pessoas não serão abençoadas por Kamala [Lakṣmī], aquela que mora no lótus? Seus pés são, de fato, os pés supremos [o refúgio supremo]; como posso deixar de dirigir a minha devoção a eles, ó Mãe auspiciosa? Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 18 ||

Décima nona estrofe: o refúgio aos teus pés

कनकलसत्कलसिन्धुजलैरनुषिञ्चति तेगुणरङ्गभुवम्
भजति स किं न शचीकुचकुम्भतटीपरिरम्भसुखानुभवम् ।
तव चरणं शरणं करवाणि नतामरवाणि निवासि शिवम्
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ १९ ॥

kanakalasatkalasindhujalairanuṣiñcati teguṇaraṅgabhuvam
bhajati sa kiṁ na śacīkucakumbhataṭīparirambhasukhānubhavam |
tava caraṇaṁ śaraṇaṁ karavāṇi natāmaravāṇi nivāsi śivam
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 19 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

kanaka: ouro; lasat: brilhante; kala: suave, melodioso; sindhu: rio; jala: água; jalaiḥ: com as águas; anuṣiñcati: banha, asperge; te: teu; guṇa: qualidade, atributo; raṅga: palco; bhū: chão, lugar; guṇaraṅgabhuvam: o lugar onde os teus atributos se mostram: o altar; bhajati: desfruta, experimenta; saḥ: ele; kim na: acaso não; śacī: Śacī, esposa de Indra; kuca: seio; kumbha: jarro; taṭī: encosta; parirambha: abraço; sukha: felicidade; anubhava: experiência; tava: teu; caraṇam: pé; śaraṇam: refúgio; karavāṇi: que eu faça; nata: inclinado em reverência; amara: imortal, deva; vāṇī: palavra; Vāṇī, a deusa da palavra; nivāsin: que habita; śivam: o auspicioso; Śiva; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe] Quando um devoto banha o altar onde seus atributos são exibidos com as águas do rio que são brilhantes como ouro e fluem suavemente, ele não sentirá a felicidade da sua graça, [semelhante à de Indra] ao abraçar o colo de Śacī, [a deusa da beleza]? Eu me refugio aos seus pés que são também a residência de Śiva, ó Vāṇi [deusa da palavra], e me curvo diante de você, ó Vāṇi eterna, em quem todos os auspícios residem. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 19 ||

Vigésima estrofe: o rosto de lua

तव विमलेन्दुकुलं वदनेन्दुमलं सकलं ननु कूलयते
किमु पुरुहूतपुरीन्दुमुखी सुमुखीभिरसौ विमुखीक्रियते ।
मम तु मतं शिवनामधने भवती कृपया किमुत क्रियते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ २० ॥

tava vimalendukulaṁ vadanendumalaṁ sakalaṁ nanu kūlayate
kimu puruhūtapurīndumukhī sumukhībhirasau vimukhīkriyate |
mama tu mataṁ śivanāmadhane bhavatī kṛpayā kimuta kriyate
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 20 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

tava: teu; vimala: imaculado; indu: lua; kula: família, conjunto; vadana: rosto; mala: mancha; sakalam: inteiro, todo; nanu: certamente; kūlayate: põe à margem, supera; kimu: por que, acaso; puruhūta: «o muito invocado», Indra; purī: cidade; indumukhī: de rosto de lua; sumukhī: de belo rosto; asau: este [devoto]; vimukhīkriyate: é afastado, desviado; mama: meu; tu: mas; matam: opinião, entendimento; nāman: nome; dhana: riqueza, tesouro; śivanāmadhane: ó tu, cujo tesouro é o nome de Śiva; bhavatī: tu, senhora; kṛpayā: com compaixão, pela graça; kimuta: o que mais, quanto mais; kriyate: é feito; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe,] Seu rosto de lua é o lar da pureza imaculada, que certamente supera todas as impurezas. Caso contrário, por que minha mente se afastou do rosto de luar de damas tão belas como as do palácio de Indra? Na minha opinião, como é possível descobrir o tesouro do nome de Śiva dentro de nós sem a sua graça? Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 20 ||

Vigésima primeira estrofe: a compaixão de Umā

अयि मयि दीन दयालुतया कृपयैव त्वया भवितव्यमुमे
अयि जगतो जननी कृपयासि यथासि तथानुमितासिरते ।
यदुचितमत्र भवत्युररीकुरुतादुरुतापमपाकुरुते
जय जय हे महिषासुरमर्दिनि रम्यकपर्दिनि शैलसुते ॥ २१ ॥

ayi mayi dīna dayālutayā kṛpayaiva tvayā bhavitavyamume
ayi jagato jananī kṛpayāsi yathāsi tathānumitāsirate |
yaducitamatra bhavatyurarīkurutādurutāpamapākurute
jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute || 21 ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

ayi: ó; mayi: para comigo, em mim; dīna: aflito, miserável; dayālutā: compaixão; dayālutayā: com compaixão; kṛpayā: com graça; eva: mesmo; tvayā: por ti; bhavitavyam: deve ser, convém; ume: ó Umā, Pārvatī; jagataḥ: do mundo; jananī: mãe; asi: és; yathā … tathā: assim como … assim também; anumitā: inferida, reconhecida; asirate: que se deleita com a espada (asi); ou «és, ó amada» (asi + rate): as duas leituras são tradicionais; yat: o que; ucitam: apropriado, conveniente; atra: aqui, agora; bhavati: ó senhora; ou «é»; urarīkurutāt: aceita, faz; uru: grande; tāpa: aflição, ardor; apākurute: remove, afasta; jaya jaya he mahiṣāsuramardini ramyakapardini śailasute: o refrão: vitória, vitória, ó destruidora do demônio Mahiṣa, de belas tranças, filha da montanha (palavra por palavra na primeira estrofe).

[Saudações à Divina Mãe] Conceda-me a Sua graça, ó Mãe Umā, que tem compaixão pelos que sofrem. Ó Mãe do universo: assim como a sua graça é espalhada [sobre os seus devotos], da mesma forma são as suas flechas espalhadas [sobre os seus inimigos]. Por favor, faça o que for apropriado neste momento, ó venerável Mãe, para remover minhas dores e aflições, pois elas se tornaram difíceis de suportar. Vitória para Você, destruidora do demônio Mahiṣāsura, que tem o cabelo lindamente trançado e que é filha da montanha. || 21 ||

Colofão: assim conclui-se o stotra

इति श्रीमहिषासुरमर्दिनिस्तोत्रं सम्पूर्णम् ॥

iti śrīmahiṣāsuramardinistotraṁ sampūrṇam ||

Pādapāṭha tradução palavra por palavra

iti: assim, desta forma; śrī: venerável, auspicioso; mahiṣāsuramardinistotram: o hino à destruidora do demônio Mahiṣa; sampūrṇam: completo, concluído.

Assim se conclui o venerável Mahiṣāsuramardinistotram.

Ouça outros stotras, kīrtans e mantras aqui.

॥ हरिः ॐ ॥

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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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7 respostas

  1. Mirko da Costa

    E também uma dúvida, sabe me dizer por que o verso 9 não é cantado ou qual o momento que ele é cantado junto?

  2. Mirko da Costa

    Harih Om mitra Ji
    Tem direções pra indicar onde eu posso encontrar o Bhagavatīpadyapuṣpāñjalīstotram completo e referências contextuais para leitura?

    1. ॥ हरिः ॐ ॥

      Mirko querido,

      Desculpe a demora em responder.

      O Bhagavatīpadyapuṣpāñjalistotraṃ inteiro está aqui: https://sanskritdocuments.org/doc_devii/mahisha.html

      Consta de 30 estrofes, das quais as estrofes sete a 27 configuram o Mahiśāsuramardiṇī.

      Há algumas variações na recitação, dependendo de quem a ensina. Por isso você pode achar algumas pequenas diferenças entre versões.

      Saiba mais sobre Rāmakṛṣṇa Kavi, o autor, aqui: https://sriramv.wordpress.com/2010/12/28/the-life-and-works-of-manavalli-ramakrishna-kavi/amp/

      Tudo de bom!

      Abraço grande.

      1. Mirko da Costa

        Muito obrigado Pedro, desde que eu fui até a Amma e concomitantemente escutei esse stotram meu sangue ferveu e surgiu em mim uma vontade incansável de escutar e estudar essa história, algo que alimenta minha alma de uma forma inexplicável e tem trazido muita transformação interna pra minha vida. Uma história bem comprida e cheia de significado, que uma hora quero te contar pessoalmente. Agora você serviu um prato cheio pra alimentar minha fome de estudo com essas referências! Abraço pra meu querido professor e boas ondas pra nós! Jaya Mata Ji!

        1. Valeu, Mirko.

          Boas novas! Obrigado pela partilha.

          Boas ondas e um ótimo 2022!

          Tudo de bom! ॥ हरिः ॐ ॥

  3. Muita gratidão por compartilhar esse material incrível, uma preciosidade!

    1. Realmente, Carla, este stotram é mesmo incrivelmente belo.
      Girl Power em toda a sua glória!
      ॥ हरिः ॐ ॥

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