Um dia, um yogin estava tomando banho num rio. Seu discípulo sentou na beira, junto às roupas e o japamālā (terço de meditação) do mestre.
O yogin viu um escorpião que lutava contra a corrente. Movido pela piedade, pegou o animal na mão e começou a voltar para a beira.
Assim que o animal se recuperou, picou o yogin na palma. O yogin sentiu uma dor insuportável subindo pelo braço, mas não soltou o escorpião.
Seu discípulo assistiu da beira e ficou alarmado, mas não disse nada.
O yogin tinha dado mais alguns passos, quando o escorpião o picou novamente.
Uma dor mais intensa que a primeira subiu braço acima e pulsou na sua cabeça. O yogin cambaleou e quase afunda no rio. Desta vez, o discípulo gritou:
“Solte esse escorpião! Ele vai picar você novamente. Deixe-o ter seu destino. Sua generosidade não vale nada para essa criatura. Ele não aprenderá nada com isto!”
O yogin o ignorou e continuou caminhando. Tinha quase chegado à beira do rio, quando o escorpião o picou pela terceira vez.
A dor explodiu na sua cabeça, pulmões e coração. Porém, o discípulo viu um sorriso de felicidade aparecer na face do yogin antes dele desmoronar no rio.
O rapaz, desesperado, arrastou o yogin para a areia, que sorria, segurando ainda o animal na mão.
Assim que esteve em segurança, o escorpião caiu fora tão depressa quanto pôde.
A natureza do yogin, a natureza do escorpião
“Gurujī!” disse o discípulo depois que o yogin recuperou a consciência, “como você pode sorrir? Aquela criatura miserável quase matou você!”
“Você tem razão, meu filho”, disse o yogin. “Mas ele estava apenas seguindo seu dharma, a sua natureza.
“É o dharma de um escorpião picar, e é o dharma de um yogin salvar a sua vida.
“Ele está seguindo o dharma dele e eu estou seguindo o meu. Tudo está no seu exato lugar.
“Tudo está perfeitamente bem. Por isso estou tão contente.”
॥ हरिः ॐ ॥
॥ हरिः ॐ ॥
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