Turma no pátio, sob céu azul e buganvílias

Como lidar com o sentimento de rejeição

Por Humberto Meneghin 21 de outubro de 2009 3 minutos de leitura

Todos foram convidados para a festa patrocinada pela pessoa que você achava que lhe nutria apreço mas, de repente, você fica sabendo que seu nome não consta na lista dos convidados. O sentimento de rejeição sempre existiu e sempre existirá entre os humanos. É o empregador que rejeita o empregado não promovendo ou demitindo, sem se importar e valorizar o que foi feito. É a namorada ou o namorado que, de uma hora para a outra se torna gélida(o), e simplesmente rejeita a nossa companhia sem que haja qualquer motivo aparente.

A tristeza que advêm do sentimento de rejeição gera, por sua vez, frustração. No entanto, sabemos que oposto ao sentimento de rejeição existe a aceitação. Isto significa aceitar pacificamente, desde o próprio contentamento, aquilo que a vida nos traz. Se por um motivo justificável você achar que não pode ou deve insistir uma determinada situação, vale buscar a força e a confiança necessárias para aceitar aquilo que não se pode mudar, como ensina a sabedoria do Yoga.

No Yoga, a prática de āsanas, prāṇāyāmas e cânticos de mantras estão a nossa disposição para auxiliar a nos recuperar de qualquer situação de rejeição, inadequação e frustração que eventualmente possam surgir. A prática de prāṇāyāma pode ajudar a digerir emoções e pensamentos derivados do inóspito sentimento que a rejeição nos apresenta. Em alguns minutos, qualquer padrão mental trazido pelo fato ou pessoa que nos rejeitou irá diminuir sua intensidade, criando a estabilidade necessária para retornarmos ao ponto de equilíbrio.

Muito embora os efeitos benéficos que os prāṇāyāmas nos trazem sejam amplamente conhecidos, às vezes temos que experimentar o revés causado por uma situação ou pessoa para lembrarmos desta eficaz ferramenta, que estará a nossa disposição.

Agregados aos prāṇāyāmas, alguns āsanas específicos do Yoga tem como objetivo principal auxiliar a abertura do coração, como o trikonasana, ustrasana e alguns outros mais, que de uma forma ou outra, eivados de uma boa extensão física, vem contribuir para que o sentimento de rejeição do humano seja suavizado. O fato de colocarmos o foco da nossa atenção noutra situação diferente daquela que provocou esse sentimento de rejeição, já nos ajuda a conviver com ele de maneira mais leve. Como a prática de āsana nos traz para o presente, ela pode ser eficaz numa situação destas.

Já dizem que “quem mantra, seus males espanta”. Paralelamente aos āsanas e ao prāṇāyāma existem ainda os mantras ou kirtans, trabalham sutilmente a energia interna do ser. Ainda, podemos nos dedicar ao mantra no silêncio de nosso espaço pessoal, pois mantras feitos com convicção e devoção têm a grata finalidade de nos ajudar a deixar aquele empobrecido padrão de rejeição trazidos pela identificação com os diferentes sentimentos e desejos.

Om Lokah Samasta Sukhino Bhavantu é um mantra que significa “que todos os seres, em todos os lugares sejam felizes”. Se desejamos que todos os seres em todos os lugares sejam de fato felizes e vivam nutridos de compaixão, é bom lembrar que nós mesmos estamos incluímos nessa totalidade e que qualquer sentimento de rejeição será diluído no tempo, pois não mais haverá mágoa, revolta, desespero e frustração: somente plenitude e liberdade. Om Shanti!

Continue a leitura no yoga.pro.br: Como lidar com o desejo? · Identidade e autojulgamento · O que traz paz ao dia-a-dia?
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Humberto Meneghin

Humberto é professor de Yoga em Campinas.
Mantém o excelente blog Yoga em Voga.

2 respostas

  1. Wecio Bezerra Santos Júnior

    Adorei mesmo que eu não compreenda tão bem o yoga, pois só tenho aula de educação fisica uma vez na semana e é minha prof. que nos passa um pouco de conhecmento de yoga. mais gosto de pensamentos e reflexões.

  2. José Fernando

    Ótimo texto. Realmente, todos estes sentimentos são causados por nós, e sempre tem alguma forma de voltar ao equilibrio e se centrar novamente. Muito bom! Namaste!

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