carregadoras de água

Da confiança

Por Tereza Freire 7 de abril de 2011 2 minutos de leitura

Uma conversa com uma amiga foi a inspiração para este texto. Falávamos sobre a morte repentina de alguém muito jovem, e de como ela conseguiria explicar a visão do Yoga sobre a morte para seu sobrinho pequeno que ficou muito impressionado com o acidente que viu e mais ainda, com a morte!

Falamos da Bhagavad Gītā e da explicação de Kṛṣṇa sobre aquilo que não nasce nem morre, que o fogo não pode queimar nem a faca pode cortar, que sempre existiu e vai continuar existindo.

Da mesma forma que a alma adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice, durante a vida, da mesma forma, a alma adquire outro corpo após a morte.

Conversamos sobre Īśvarapraṇidhāna: a entrega total ao divino. Render-se a esta Ordem que rege o universo e é perfeita, seja lá que fé você pratique! Isto não significa retirar-se da vida, da família, dos laços e dos deveres. Pelo contrário.

Entregar-se a Ordem é compreender que nascemos em um determinado lugar, família, corpo, por razões muito maiores do que pode explicar nossa vã filosofia…

Compreender que não existe acaso. Tudo o que vivemos é fruto de karmas, das ações feitas num passado distante ou recente. Tudo gera resultados. Cada pensamento, palavra ou ato gera um efeito. E o que nos acontece é fruto do que plantamos. Simples assim.

Assim como, segundo esta visão, não existe “sorte”. Tudo o que aparentemente vem fácil e nossa cultura ocidental denomina sorte, é mérito! Por isso, não devemos nem podemos nos sentir culpados quando tudo vai bem!

Tudo vai bem porque é assim que deve ser. É isso que nós somos: bem. Plenitude. Sofremos porque sentimos saudades de ser quem somos. Plenos. Ninguém sente saudades de ser triste, vazio, inseguro…

Porque isso é o que não somos e por isso, não reconhecemos e sofremos. Īśvarapraṇidhāna é ter certeza que tudo que nos acontece faz parte de uma ordem perfeita.

Ao invés de nos vitimizarmos ou culparmos procurando encontrar razões para justificar o que nos acontece, simplesmente receber de braços abertos a vida, o momento, o bom e o
o menos bom. Fazer do limão uma maravilhosa limonada!

E isso não tem nada a ver com resignação. Muito menos, com fatalismo. Tem a ver com aceitação. Não ter a ver com fé. Tem a ver com cognição. Com dar-se conta, compreender que faço parte desta ordem, portanto nada é aleatório, muito menos pessoal.

Īśvarapraṇidhāna é viver o que deve ser vivido com amor, entrega e confiança. Fazer o que devemos fazer como uma oferenda, como um ato de amor.

Continue a leitura no yoga.pro.br: Prazer ou Felicidade? · Bom dia, tristeza · Como Funciona o Sankalpa, a Resolução Interior?
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3 respostas

  1. Nada como Sábias Palavras para ampliar nossa consciência.

    Obrigado Tereza, suas palavras inspiram nossa caminhada!

    Andréia

  2. Renata Mendes

    Te, que texto lindo!!! Vc nao estava na India pessoalmente ouvindo os ensinamentos do Swami mas entendeu tudo que ele falou…. Que presente voltar de la e ler seu texto! Vou compartilhar! bjom

  3. Greice Costa

    Recebo essas palavras como um presente!
    Muito obrigada, Tereza.

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