Uma conversa com uma amiga foi a inspiração para este texto. Falávamos sobre a morte repentina de alguém muito jovem, e de como ela conseguiria explicar a visão do Yoga sobre a morte para seu sobrinho pequeno que ficou muito impressionado com o acidente que viu e mais ainda, com a morte!
Falamos da Bhagavad Gītā e da explicação de Kṛṣṇa sobre aquilo que não nasce nem morre, que o fogo não pode queimar nem a faca pode cortar, que sempre existiu e vai continuar existindo.
Da mesma forma que a alma adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice, durante a vida, da mesma forma, a alma adquire outro corpo após a morte.
Conversamos sobre Īśvarapraṇidhāna: a entrega total ao divino. Render-se a esta Ordem que rege o universo e é perfeita, seja lá que fé você pratique! Isto não significa retirar-se da vida, da família, dos laços e dos deveres. Pelo contrário.
Entregar-se a Ordem é compreender que nascemos em um determinado lugar, família, corpo, por razões muito maiores do que pode explicar nossa vã filosofia…
Compreender que não existe acaso. Tudo o que vivemos é fruto de karmas, das ações feitas num passado distante ou recente. Tudo gera resultados. Cada pensamento, palavra ou ato gera um efeito. E o que nos acontece é fruto do que plantamos. Simples assim.
Assim como, segundo esta visão, não existe “sorte”. Tudo o que aparentemente vem fácil e nossa cultura ocidental denomina sorte, é mérito! Por isso, não devemos nem podemos nos sentir culpados quando tudo vai bem!
Tudo vai bem porque é assim que deve ser. É isso que nós somos: bem. Plenitude. Sofremos porque sentimos saudades de ser quem somos. Plenos. Ninguém sente saudades de ser triste, vazio, inseguro…
Porque isso é o que não somos e por isso, não reconhecemos e sofremos. Īśvarapraṇidhāna é ter certeza que tudo que nos acontece faz parte de uma ordem perfeita.
Ao invés de nos vitimizarmos ou culparmos procurando encontrar razões para justificar o que nos acontece, simplesmente receber de braços abertos a vida, o momento, o bom e o
o menos bom. Fazer do limão uma maravilhosa limonada!
E isso não tem nada a ver com resignação. Muito menos, com fatalismo. Tem a ver com aceitação. Não ter a ver com fé. Tem a ver com cognição. Com dar-se conta, compreender que faço parte desta ordem, portanto nada é aleatório, muito menos pessoal.
Īśvarapraṇidhāna é viver o que deve ser vivido com amor, entrega e confiança. Fazer o que devemos fazer como uma oferenda, como um ato de amor.
Continue a leitura no yoga.pro.br: Prazer ou Felicidade? · Bom dia, tristeza · Como Funciona o Sankalpa, a Resolução Interior?
Mais textos em Yoga na Vida.


Deixe um comentário