Os Mantras do Fogo e a cultura dos Vedas
O homa, também chamado havana, é uma prática muito mais antiga que a pūjā.
Faz parte do hinduísmo mas nasceu nos tempos védicos, entre 6500 e 4000 anos atrás, quando o uso do fogo era essencial na vida dos homens. Temos evidências de que é algo muito antigo, mas não sabemos ao certo quanto.
O altar védico era originalmente o mesmo lugar que se usava para cozinhar. O resto da casa se construía em torno desse fogo central. Tais fogos permaneciam acesos durante gerações e gerações. Aliás, isso acontece até hoje.
Na Índia, tivemos a oportunidade de participar numerosas vezes dessa prática num altar cujo fogo não se apagava há sessenta anos. Ao mesmo tempo, as sociedades de antigamente mantinham acesos fogos comunitários, que serviam para unir as pessoas, pois estabeleciam uma ligação com os ancestrais.
O fogo é um símbolo muito poderoso, porque revela a Consciência que subjaz em tudo, como a chama que se esconde na lenha. Por exemplo, o samagri, a mistura de ervas medicinais, doces e cereais que se oferece ao fogo, não tem unicamente o objetivo de purificar o ambiente.
Junto com o samagri, a pessoa precisa queimar também seu ego; junto com o ghee, precisa oferecer ao fogo seus sentidos, suas emoções, seus pensamentos, não para destruí-los, pois o fogo não destrói, senão para purificá-los, para sutilizá-los, e torná-los mais leves.
E é aí que a prática toma outra dimensão. Então, o que torna o fogo sagrado não é o ritual exterior, mas a atitude com que o fazemos. O fogo é símbolo da consciência universal.
Nem politeísmo nem monoteísmo
Após o estudo e a prática cuidadosa do homa, fica claro que os ṛṣis védicos não eram politeístas nem monoteístas. Eram panenteístas. Agni, Indra, Vāyu e Rudra não são deuses separados, senão nomes ou formas de uma mesma e única Presença.
[Entenda a diferença entre teísmo e panenteísmo olhando para o esquema abaixo. Veja um texto completo sobre o tema aqui. Depois, tire a palavra Deus e coloque no seu lugar o termo Consciência e você vai compreender o que queremos dizer. Obrigado pelo esforço.]
Assim como os prāṇas do corpo, que têm cinco configurações e cinco nomes diferentes, são um só, da mesma maneira, os deuses védicos são diferentes manifestações da Consciência única.
É impressionante a quantidade de significados que as palavras têm em sânscrito. Você pode fazê-las dizer praticamente o que quiser.
Mas está valendo a citação abaixo. Não é possível fazer uma única tradução dos mantras védicos. O melhor é lê-los no original.
Melhor ainda, é sentir a vibração e o efeito que eles têm sobre o corpo sutil e a consciência. Além do mais, está escrito nos śāstras: “quem é você para interpretar o Veda? Você sabe em que sílaba começar?”
E ainda: “o Veda tem medo de pessoas com pouco conhecimento, pois elas podem feri-lo”. Ou seja, que a tarefa é mesmo desafiante.
Tão difícil, que Swāmi Dayānanda (1824-1883), um dos maiores estudiosos dos Vedas de todos os tempos e um dos arquitetos do movimento de independência da Índia moderna, descobriu até nove camadas diferentes de significados em cada mantra.
O princípio básico de interpretação dos Vedas, segundo Swāmi Dayānanda, é que as palavras dos hinos estão em “estado fluido” (yaṅgika = derivativas). Ou seja, não têm apenas um significado único e estático (rudha). Donde, podem interpretar-se de formas muito variadas. Ele foi enfático ao afirmar que todos os nomes dos “deuses” védicos se referiam ao mesmo e único Ser.
Śrī Aurobindo disse: “no campo da interpretação dos Vedas, Swāmi Dayānanda deve ser reconhecido como a aquele que descobriu as primeiras chaves de decifração”.
Ou seja, ele foi quem vislumbrou que, por trás do monte de entulho que eram as interpretações e traduções do século passado, havia algo mais. Removeu o entulho e encontrou uma porta. Arrombou a porta e morreu. Morreu envenenado por seus inimigos, antes de poder concluir a decifração.
Os mantras são de uma beleza arrebatadora. São tão profundos quanto belos, e não é raro chorar de emoção e felicidade ao fazê-los. Se fazem com uma cadência e uma forma de respirar específica.
Precisa igualmente conhecer algumas regras básicas de sânscrito e ter a técnica de vocalizar os mantras inteiros sem respirar.
As traduções feitas pelos sanscritistas ingleses e alemães da época da colônia podiam fazer sentido para eles, mas não fazem para nós. Eles queriam achar nos textos mitologia, politeísmo e história e tentaram dar-lhes esse sentido.
No Veda não há história nem politeísmo. Aliás, no Veda inteiro não aparece nem sequer um nome próprio. O exemplo mais claro disto é Viśvamitra. Viśvamitra é um grande ṛṣi, mas o nome não se refere a um sábio de carne e osso. Não é um “autor” de hinos.
Nunca um ṛṣi compôs um hino. Os ṛṣis são videntes. Ṛṣi significa “aquele que vê”. Sabe quem é o ṛṣi Viśvamitra? Seus próprios ouvidos! Viśva significa, universal, “aquele que está em todas partes”. Mitra quer dizer amigo. Se refere aos ouvidos, pois o som vem de todas partes.
Na física, a gravidade é Viśvamitra, porque a gravidade é o que nos sustenta aqui na terra. Os hinos são desvelação. Os ṛṣis não são escritores nem poetas. São yogis que perceberam os mantras durante as suas contemplações.
Agni, Consciência e o fogo do altar
Agni (fogo) é a primeira palavra que aparece nos Vedas. Os ṛṣis cultuavam o fogo porque sabiam que amplifica e purifica qualquer coisa que se jogar nele. Agni representa o Sol na terra.
O yajña é um ritual simbólico: alimenta-se o Sol para alimentar a vida, pois a vida não existiria se não houvesse Sol. Entretanto, Agni é mais do que o fogo: é a inteligência viva.
Assim como quando você olha para uma pessoa na verdade não está vendo o indivíduo, mas seu corpo, aparência, expressão, etc., da mesma forma, quando seus sentidos captam o fogo, podem perceber Agni detrás dele. O fogo é símbolo da vida e da inteligência.
Agni é a vida e a inteligência. A aparência não é a pessoa, embora faça parte dela. A expressão desvela a pessoa; o gesto desvela o pensamento. Agni não é o fogo apenas. Lembre disso ao sentar frente a ele.
Porque fazer yajña? O sādhana externo serve e funciona como um guia para o iniciante. No início, as regras são úteis para nos dar orientação. Depois de algum tempo se tornam desnecessárias.
Porém, é preciso ficar muito atento a algo que pode acontecer: fazer os mantras automaticamente. Lembra do exemplo da chave de fenda que demos no início? É como diz o provérbio: “quando o sábio aponta para a lua, o tolo olha para o dedo”. Não olhe para o dedo!
Se você se flagrar fazendo os mantras automaticamente, sem ter presente o significado nem prestar atenção aos efeitos vibratórios, cuidado!
Não esqueça que para que a prática seja mesmo Yoga, você precisa estar presente, da mesma forma que você está (ou deveria estar) atento quando lê isto.
Não perca o foco. Não se distraia. Desligue o piloto automático. Observe-se: você está atento? Está lembrando neste momento da sua própria existência? Está consciente da sua respiração enquanto lê?
Enquanto o sādhana de Yoga se faz individualmente, e funciona da pele para dentro, o yajña é uma prática coletiva. Quanto mais gente, melhor. É uma prática familiar em que a presença da mulher é imprescindível.
Rāma, o herói do Rāmāyāṇa, não pôde fazer yajña durante o tempo em que sua esposa Sītā esteve seqüestrada nas mãos do demônio Rāvaṇa.
Os saṁnyasins, yogis que renunciaram à vida em sociedade, não podem fazer yajña, pois não têm casa. Não tendo casa, não podem ter cozinha. Sem cozinha, não há fogo. Nem ritual do fogo.
Pormenores práticos do Ritual
A rigor, se faz havana duas vezes por dia, ao amanhecer e ao entardecer. O yajña deve começar entre 25 minutos antes e 25 minutos depois da hora do nascer ou do pôr-do-sol. Isso, porque para os hindus, o dia não começa à meia noite, senão no horário sāndhya, quando o sol nasce.
A prática completa leva uns 40 minutos. Recomenda-se tomar banho antes de começar. Para fazer yajña se precisa um agnikunda ou havankunda; um recipiente onde você fará o fogo sem correr o risco de incendiar a sua casa.
O agnikunda pode fazer-se com cinco camadas de tijolos empilhados, caso você tenha bastante espaço. Deve estar sempre orientado para leste, ser quadrado, e medir internamente um cúbito de lado e meio cúbito de profundidade (37x37x18,5 centímetros).
Se você não tiver espaço para construir um yajñaśālā, o local onde se faz o ritual, pode usar uma bandeja de cobre. Na Índia se acham recipientes de cobre, construídos seguindo medidas específicas.
Mas como a Índia não é logo ali na esquina, e talvez você não planeje ir para lá tão cedo, faça o fogo do jeito que o seu bom senso indicar.
A madeira que se queima deve ser aromática e estar bem seca. Não use madeira pintada, ou de caixas ou móveis desmontados.
Na Índia se usam madeiras como tulsi, rudrākṣa, banyam ou pippal, mas, sendo impossível achá-las aqui, pode usar sem problemas galhos de pinheiro, mangueira ou eucalipto.
Prepare a lenha cuidadosamente antes de acender o fogo. Entretanto, se você não tiver agnikunda, nem lenha, nem ghee, nem samagri, nem companhia para praticá-lo, poderá mesmo assim fazer yajña.
Só basta ter vontade de fazer os mantras e praticá-los com o coração aberto. Pessoalmente, já fiz yajña mentalmente sobre aviões, barcos, trens e carros.
Obviamente não se compara à sensação de estar presente frente ao fogo, sentindo aquele calor e aquela vibração, mas mesmo assim é uma experiência muito forte. O que realmente interessa é a atitude como que se faz:
Quando, no fogo da Suprema Realidade, no qual até o mais absoluto vazio se dissolve, os cinco elementos, os objetos dos sentidos e a mente são vertidos, usando a consciência como colher, isso é o homa (yajña) verdadeiro. Vijñānabhairava Tantra, verso 149, p. 137.
O fogo simboliza a presença da luz e do sagrado. É um verdadeiro ser vivente que você alimenta com três tipos de oferenda: gravetos, ghee e samagri.
O samagri é uma mistura cuja composição varia, mas que contém cereais, ervas medicinais, flores, frutos, resina de incenso, perfume, açúcar e ghee, ou pelo menos alguns desses ingredientes.
Mas não esqueça que, junto com as oferendas, e ainda muito mais importante que elas, é oferecer, como já dissemos, os sentimentos, os órgãos dos sentidos e da ação, o pensamento e a consciência, não para queimá-los no fogo, senão para purificá-los, para torná-los mais sutis, de maneira que eles nos ajudem a nos aproximar da meta, que é mokṣa, a liberdade.
Ao mesmo tempo, visualize que na presença do fogo você desintegra tudo o que não quiser guardar consigo: emoções, pensamentos ou lembranças de experiências que não forem desejáveis.
Uma pequena lista de sugestões das coisas que você pode purificar no fogo do homa: o ambiente em que você vive. Os relacionamentos com os seus pais, amigos, filhos, cônjuge e com você mesmo.
Os elementos do seu próprio corpo. A sua prática e a sua meditação. As suas emoções e pensamentos.
Precisamos presente o significado dos mantras, pois eles têm esse objetivo: limpar, purificar e fazer uma resignificação dos conteúdos da mente.
Pois a cada vez que você diz svāhā, que significa entre outras coisas tudo está perfeitamente bem, você se reprograma para que, de fato, tudo fique perfeitamente bem. Svāḥ também significa ofereço a oblação.
Os mantras devem pronunciar-se lenta e claramente: uma só exalação para cada mantra, respeitando as vogais curtas e longas, estas últimas representadas pelo acento.
As oferendas se vertem no fogo a cada vez que se diz svāhā. Quando se faz mantra mentalmente durante o prāṇāyāma, a prática recebe o nome de prāṇayajña, ou sacralização do prāṇa.
Esses mantras são expressão da lei e da verdade universal (dharma e ṛta) e servem para harmonizar-nos com elas.
Formam parte da essência do ser humano e todos podem fazê-los, pois não estão limitados por fronteiras temporais ou culturais. Valem para todos os homens em todos os tempos, e nos revelam a nossa mais profunda natureza.
Os mantras
I – Ācamanasūtra
Antes de começar, sentado em posição de meditação frente ao agnikunda, se fazem três libações junto com estes mantras. Pegue um pouco de água na palma da mão direita.
Faça o primeiro mantra e beba essa água. Proceda da mesma forma com os outros dois mantras. Depois, lave a mão.
ॐ अमृतोपस्तरणमसि स्वाहा ॥ १ ॥
ॐ अमृतापिधानमसि स्वाहा ॥ २ ॥
ॐ सत्यं यशः श्रीर्मयि श्रीः श्रयतां स्वाहा ॥ ३ ॥
oṁ amṛtopastaraṇamasi svāhā || 1 ||
oṁ amṛtāpidhānamasi svāhā || 2 ||
oṁ satyaṁ yaśaḥ śrīrmayi śrīḥ śrayatāṁ svāhā || 3 ||
1. O Om imortal é o meu sustentador (minha cama). Svāhā.
2. O Om imortal é o meu cobertor. Svāḥ.
3. Que estejamos sempre repletos de verdade, glória e prosperidade. Svāhā.
Taittirīyāraṇyaka, X:32-35
Om, protetor de todo o existente, que estejamos protegidos da dor exterior e da dor interior. Que alcancemos o conhecimento verdadeiro, a prosperidade e o crescimento interior.
II – Aṅgasparśasūtra
Em seguida, fazem-se as sete abluções. Coloque um pouco de água na palma da mão esquerda. Molhando os dedos médio e anular da mão direita a cada mantra, toque as diferentes partes do corpo sucessivamente, começando sempre pelo lado direito.
Ao concluir, lave as mãos com um pouco de água. Estes mantras eqüivalem à circunvalação do corpo que se faz durante o kaya sthairyam. Concentre-se no sentido do mantra e em cada parte do corpo ao vocalizar.
ॐ वाङ्म आस्येऽस्तु ॥ १ ॥
ॐ नसोर्मे प्राणोऽस्तु ॥ २ ॥
ॐ अक्ष्णोर्मे चक्षुरस्तु ॥ ३ ॥
ॐ कर्णयोर्मे श्रोत्रमस्तु ॥ ४ ॥
ॐ बाह्वोर्मे बलमस्तु ॥ ५ ॥
ॐ ऊर्वोर्म ओजोऽस्तु ॥ ६ ॥
ॐ अरिष्टानि मेऽङ्गानि तनूस्तन्वा मे सह सन्तु ॥ ७ ॥
oṁ vāṅma āsye’stu || 1 ||
oṁ nasorme prāṇo’stu || 2 ||
oṁ akṣṇorme cakṣurastu || 3 ||
oṁ karṇayorme śrotramastu || 4 ||
oṁ bāhvorme balamastu || 5 ||
oṁ ūrvorma ojo’stu || 6 ||
oṁ ariṣṭāni me’ṅgāni tanūstanvā me saha santu || 7 ||
1. Oṁ. Que eu tenha sempre palavras claras na minha boca.
2. Oṁ. Que tenha sempre energia nas minhas narinas.
3. Oṁ. Que tenha sempre visão penetrante nos olhos.
4. Oṁ. Que tenha sempre audição apurada nos ouvidos.
5. Oṁ. Que tenha sempre força nos braços.
6. Oṁ. Que tenha sempre vigor e resistência nas pernas.
7. Oṁ. Que todo o meu corpo esteja sempre saudável e livre de doenças.
Pāraskara Gṛhyasūtra, II:3-25
III – Agni ādhāna
Havendo colocado a madeira no agnikunda, acende-se o fogo recitando este mantra:
ॐ भूर्भुवः स्वः ।
ॐ भूर्भुवः स्वर्द्यौरिव भूम्ना पृथिवीव वरिम्णा ।
तस्यास्ते पृथिवि देवयजनि पृष्ठेऽग्निमन्नादमन्नाद्यायादधे ॥
oṁ bhūrbhuvaḥ svaḥ |
oṁ bhūrbhuvaḥ svardyauriva bhūmnā pṛthivīva varimṇā |
tasyāste pṛthivi devayajani pṛṣṭhe’gnimannādamannādyāyādadhe ||
O Om é Ser, Transformação e Bem-aventurança.
O Om é vasto como o céu e amplo como a terra.
Ó terra, altar do sacrifício da Natureza, sobre ti coloco a lenha,
para que possamos ganhar boas colheitas (boa alimentação).
Yajurveda, III:63.11
O fogo representa a energia que anima os três planos da existência (bhūr, bhuvaḥ, svaḥ): céu, atmosfera e terra. O Om é vida e bem-aventurança, é aquele que elimina a dor. O agnikunda, lugar onde arde o fogo, representa o próprio universo. O fogo consume as oferendas e purifica o ambiente e as pessoas.
IV – Agni pradīpana
Coloque mais alguns gravetos finos na fogueira para alimentá-la. Enquanto o fogo começa a arder, se faz este mantra:
ॐ उद्बुध्यस्वाग्ने प्रतिजागृहि त्वमिष्टापूर्ते संसृजेथामयं च ।
अस्मिन्त्सधस्थे अध्युत्तरस्मिन्विश्वेदेवा यजमानश्च सीदत ॥
oṁ udbudhyasvāgne pratijāgṛhi tvamiṣṭāpūrte saṁsṛjethāmayaṁ ca |
asmintsadhasthe adhyuttarasminviśvedevā yajamānaśca sīdata ||
Om. Que o fogo desperte e se eleve.
Que o Ser, junto com o purohit e estas pessoas,
realizem trabalhos pelo bem-estar individual e pelo de todos.
Que as pessoas que estão aqui sentem junto com o purohit.
Yajurveda, XV:54
Om. Que o fogo, símbolo da inteligência e a realização, cresça no interior das pessoas. Que os nossos amigos trabalhem junto conosco pelo interesse social e pessoal. Que nos apoiemos incondicionalmente no caminho do crescimento. O purohit é o oficiante da cerimônia.
V – Tri samidādhāna
Oferecem-se ao fogo três gravetos finos molhados em ghee. O primeiro, com este mantra:
ॐ अयन्त इध्म आत्मा जातवेदस्तेनेध्यस्व
वर्धस्व चेद्ध वर्धय चास्मान् प्रजया पशुभिर्
ब्रह्मवर्चसेनान्नाद्येन समेधय स्वाहा ।
इदमग्नये जातवेदसे इदन्न मम ॥
oṁ ayanta idhma ātmā jātavedastenedhyasva
vardhasva ceddha vardhaya cāsmān prajayā paśubhir
brahmavarcasenānnādyena samedhaya svāhā |
idamagnaye jātavedase idanna mama ||
Om. Fogo, iluminador e senhor de todo o existente,
este graveto é teu corpo.
Que possas crescer e alimentar tua luz com ele.
Ilumine-nos e enriqueça-nos com uma boa prole,
gado, glória e alimento saudável.
Mentalizamos por todos (svāhā).
Esta oblação é para o fogo. Não para mim.
Āśvalāyana Gṛhyasūtra, I:10.12
Oṁ, fonte da energia simbolizada pelo fogo, expressamos aqui o nosso desejo de abandonar nossos objetivos egoístas oferecendo combustível ao fogo e negando nossa possessividade. Trabalhemos pelo bem de todos os seres vivos. Que nunca falte o necessário para vivermos uma vida feliz.
O segundo graveto, com estes dois mantras, no segundo svāhā:
ॐ समिधाग्निं दुवस्यत घृतैर्बोधयतातिथिम् ।
आस्मिन् हव्या जुहोतन स्वाहा ॥
इदमग्नये इदन्न मम ॥
oṁ samidhāgniṁ duvasyata ghṛtairbodhayatātithim |
āsmin havyā juhotana svāhā ||
idamagnaye idanna mama ||
Oṁ. Alimente o fogo com madeira seca.
Receba o convidado (Agni) com manteiga clarificada.
Coloque depois as oferendas.
Tudo está perfeitamente bem.
Isto é para o fogo. Não para mim.
ॐ सुसमिद्धाय शोचिषे घृतं तीव्रं जुहोतन ।
अग्नये जातवेदसे स्वाहा ॥
इदमग्नये जातवेदसे इदन्न मम ॥
oṁ susamiddhāya śociṣe ghṛtaṁ tīvraṁ juhotana |
agnaye jātavedase svāhā ||
idamagnaye jātavedase idanna mama ||
Oṁ. Ofereça manteiga clarificada
e quente ao fogo onipresente.
Tudo está perfeitamente bem.
Isto é para o fogo. Não para mim.
Yajurveda, III:1-2
Alimentamos o fogo resplandescente, não para atingir os nossos fins egoístas, senão para beneficiar todos os seres vivos. Que tenhamos sucesso nessa tarefa. As oferendas são um símbolo dessa nossa disposição. Elas queimam e se dispersam no ambiente para purificar a atmosfera e concretizar as nossas intenções. Que possamos dedicar o melhor de nós para o bem-estar coletivo.
O fogo envolve as partículas sutis das substâncias oferecidas e as desintegra. Essas partículas se misturam à energia vital do ambiente, para purificá-lo. Que este ato possa trazer saúde, prosperidade e felicidade para todos.
O terceiro, com este mantra:
ॐ तन्त्वा समिद्भिरङ्गिरो घृतेन वर्धयामसि ।
बृहच्छोचा यविष्ठ्य स्वाहा ॥
इदमग्नयेऽङ्गिरसे इदन्न मम ॥
oṁ tantvā samidbhiraṅgiro ghṛtena vardhayāmasi |
bṛhacchocā yaviṣṭhya svāhā ||
idamagnaye’ṅgirase idanna mama ||
Oṁ. Ó fogo vivificante, te alimentamos
com madeira seca e ghee para que possas brilhar.
Tudo está perfeitamente bem.
Esta oferenda é para o fogo. Não para mim.
Yajurveda, III:3
O fogo envolve as partículas sutis das substâncias oferecidas e as desintegra. Essas partículas se misturam à energia vital do ambiente, para purificá-lo. Que este ato possa trazer saúde, prosperidade e felicidade para todos.
VI – Pañca ājyāhuti
Depois fazem-se cinco oferendas de ghee, repetindo cinco vezes este mantra:
ॐ अयन्त इध्म आत्मा जातवेदस्तेनेध्यस्व
वर्धस्व चेद्ध वर्धय चास्मान् प्रजया पशुभिर्
ब्रह्मवर्चसेनान्नाद्येन समेधय स्वाहा ।
इदमग्नये जातवेदसे इदन्न मम ॥
oṁ ayanta idhma ātmā jātavedastenedhyasva
vardhasva ceddha vardhaya cāsmān prajayā paśubhir
brahmavarcasenānnādyena samedhaya svāhā |
idamagnaye jātavedase idanna mama ||
Oṁ. Fogo, iluminador e senhor de todo o existente,
esta manteiga é teu sangue.
Que possas crescer e alimentar tua luz com ela.
Ilumine-nos e enriqueça-nos com uma boa prole,
gado, glória e alimento saudável.
Mentalizamos por todos (svāhā).
Esta oblação é para o fogo. Não para mim.
Āśvalāyana Gṛhyasūtra, I:10.12
Este mantra se repete, com a diferença que antes idhma significava graveto, e neste contexto significa ghee. Esta palavra encaixa nos dois contextos, pois idhma significa etimologicamente inflamar, e ambos os elementos, madeira e manteiga, servem para esse propósito.
VII – Jalaprasecana
Se fazem estes quatro mantras aspergindo água em torno do altar.
ॐ अदितेऽनुमन्यस्व ॥ १ ॥
ॐ अनुमतेऽनुमन्यस्व ॥ २ ॥
ॐ सरस्वत्यनुमन्यस्व ॥ ३ ॥
oṁ adite’numanyasva || 1 ||
oṁ anumate’numanyasva || 2 ||
oṁ sarasvatyanumanyasva || 3 ||
1. Oṁ. Ó Mãe infinita, favoreça-nos.
2. Oṁ. Ó Mãe reconciliação, favoreça-nos.
3. Oṁ. Ó Mãe iluminadora, favoreça-nos.
ॐ देव सवितः प्रसुव यज्ञं प्रसुव यज्ञपतिं भगाय ।
दिव्यो गन्धर्वः केतपूः केतं नः पुनातु वाचस्पतिर्वाचं नः स्वदतु ॥ ४ ॥
oṁ deva savitaḥ prasuva yajñaṁ prasuva yajñapatiṁ bhagāya |
divyo gandharvaḥ ketapūḥ ketaṁ naḥ punātu vācaspatirvācaṁ naḥ svadatu || 4 ||
4. Oṁ. Aceite o nosso sacrifício
e leve o sacrificador para a prosperidade.
Que o resplandecente sustentador da terra,
o purificador dos pensamentos, purifique os nossos.
Que o Senhor da Palavra torne doces (eloqüentes)
as nossas línguas (os nossos discursos).
Yajurveda, XXX:1
Que a água, que tem o poder da coesão, guarde o nosso fogo sacrifical no leste.
Que a água, que beneficia a todos, proteja o nosso fogo no oeste.
Que a água que flui conserve o fogo no norte.
Que as águas nos motivem a agir corretamente.
Que purifiquem os nossos corpos e os nossos pensamentos.
VIII – Āghārāvāhuti
Duas oferendas de ghee para o fogo, junto com estes mantras. A primeira no norte (lado esquerdo do agnikunda), a segunda no sul (lado direito):
ॐ अग्नये स्वाहा । इदमग्नये इदन्न मम ॥ १ ॥
ॐ सोमाय स्वाहा । इदं सोमाय इदन्न मम ॥ २ ॥
ॐ प्रजापतये स्वाहा । इदं प्रजापतये इदन्न मम ॥ ३ ॥
ॐ इन्द्राय स्वाहा । इदमिन्द्राय इदन्न मम ॥ ४ ॥
oṁ agnaye svāhā | idamagnaye idanna mama || 1 ||
oṁ somāya svāhā | idaṁ somāya idanna mama || 2 ||
oṁ prajāpataye svāhā | idaṁ prajāpataye idanna mama || 3 ||
oṁ indrāya svāhā | idamindrāya idanna mama || 4 ||
1. Oṁ. Para Agni. Svāhā. Isto é para o fogo. Não para mim.
2. Oṁ. Para o Abençoado. Svāhā. Isto é para Soma. Não para mim.
3. Oṁ. Para o Senhor das Criaturas. Svāhā. Isto é para Prajapati. Não para mim.
4. Oṁ. Para o Senhor Resplandecente. Svāhā. Isto é para Indra. Não para mim.
Gobhila Gṛhyasūtra, I:8,24; I:8,4-5
Que todas as criaturas alcancem a felicidade através deste ato. Oferecemos estas oblações às forças da natureza como um símbolo da nossa intenção de aniquilar o egoísmo.
IX – Homakāraṇa mantras
Quatro oblações de ghee, doces e samagri (mistura de ervas medicinais), oferecidas com os dedos polegar, médio e anular da mão direita, junto com os quatro seguintes mantras. Para o homa matinal:
ॐ सूर्यो ज्योतिर्ज्योतिः सूर्यः स्वाहा ॥ १ ॥
ॐ सूर्यो वर्चो ज्योतिर्वर्चः स्वाहा ॥ २ ॥
ॐ ज्योतिः सूर्यः सूर्यो ज्योतिः स्वाहा ॥ ३ ॥
ॐ सजूर्देवेन सवित्रा सजूरुषसेन्द्रवत्या ।
जुषाणः सूर्यो वेतु स्वाहा ॥ ४ ॥
oṁ sūryo jyotirjyotiḥ sūryaḥ svāhā || 1 ||
oṁ sūryo varco jyotirvarcaḥ svāhā || 2 ||
oṁ jyotiḥ sūryaḥ sūryo jyotiḥ svāhā || 3 ||
oṁ sajūrdevena savitrā sajūruṣasendravatyā |
juṣāṇaḥ sūryo vetu svāhā || 4 ||
1. Oṁ. Sol, a Luz. Luz, o Sol. Svāhā.
2. Oṁ. Sol, o Brilho. Luz, o Brilho. Svāhā.
3. Oṁ. Luz, o Sol. Sol, a Luz. Svāhā.
4. Oṁ. Que o Sol que ilumina, junto com a Força criadora
e a aurora, se sintam felizes de vir aqui e desfrutar. Svāhā.
Yajurveda, III:7-8
O sol representa a luz e o resplandor da Consciência. Ele é a fonte da luz e da vida que anima o mundo. O mundo do que se move e o do que permanece imóvel dependem dele. Ele é a fonte da ação e do movimento. Que através destas oferendas nunca nos faltem ação e movimento. Que o sol e a aurora resplandescente aceitem essas oferendas. Que este seja um ótimo dia para todos.
Para o homa vespertino:
ॐ अग्निर्ज्योतिर्ज्योतिरग्निः स्वाहा ॥ १ ॥
ॐ अग्निर्वर्चो ज्योतिर्वर्चः स्वाहा ॥ २ ॥
ॐ अग्निर्ज्योतिर्ज्योतिरग्निः स्वाहा ॥ ३ ॥
ॐ सजूर्देवेन सवित्रा सजू रात्र्येन्द्रवत्या ।
जुषाणो अग्निर्वेतु स्वाहा ॥ ४ ॥
oṁ agnirjyotirjyotiragniḥ svāhā || 1 ||
oṁ agnirvarco jyotirvarcaḥ svāhā || 2 ||
oṁ agnirjyotirjyotiragniḥ svāhā || 3 ||
oṁ sajūrdevena savitrā sajū rātryendravatyā |
juṣāṇo agnirvetu svāhā || 4 ||
1. Oṁ. Fogo, a Luz. Luz, o Fogo. Svāhā.
2. Oṁ. Fogo, o Brilho. Luz, o Brilho. Svāhā.
3. Oṁ. Fogo, a Luz. Luz, o Fogo. Svāhā.
4. Oṁ. Que o fogo, junto com a Força criadora
e a noite, se sintam felizes de vir aqui e desfrutar. Svāhā.
Yajurveda, III:9-10
O fogo representa a luz da Inteligência. O resplandor do fogo representa o brilho da Consciência. As três fontes de luz e energia são o sol no céu, a energia dos trovões na atmosfera e o fogo sobre a terra. À noite, dependemos do fogo e do calor. Que este fogo sagrado aceite as nossas oferendas e as esparja na atmosfera. Que esta seja uma ótima noite para todos. O terceiro mantra se faz mentalmente. Só se pronuncia o Om e o svāhā.
X – Ubhayakālika mantrāḥ
Estes são os oito mantras finais, que se fazem em ambos os agnihotras, matutino e vespertino, oferecendo samāgri e ghee ao fogo a cada vez que se repete a interjeição svāhā (tudo está bem).
ॐ भूरग्नये प्राणाय स्वाहा ।
इदमग्नये प्राणाय इदन्न मम ॥ १ ॥
oṁ bhūragnaye prāṇāya svāhā |
idamagnaye prāṇāya idanna mama || 1 ||
Oṁ. Para a causa da existência (bhūr),
para Agni. Para o prāṇa. Svāhā.
Isto é para Agni e o prāṇa. Não para mim. || 1 ||
Que estas oblações, dirigidas ao fogo terrestre, possam dar vitalidade para todos os seres. Que todas as criaturas do universo se beneficiem com este ato.
ॐ भुवर्वायवेऽपानाय स्वाहा ।
इदं वायवेऽपानाय इदन्न मम ॥ २ ॥
oṁ bhuvarvāyave’pānāya svāhā |
idaṁ vāyave’pānāya idanna mama || 2 ||
Oṁ. Para a causa do devir (bhuvaḥ),
para Vāyu. Para apāna. Svāhā.
Isto é para Vāyu e apāna. Não para mim. || 2 ||
Que estas oferendas alcancem o ar vital, que elimina o sofrimento dos seres vivos. Que o vento carregue as substâncias purificadoras para levar saúde e prazer a todos os organismos vivos. Este ato é para o benefício de todos, não apenas o nosso.
ॐ स्वरादित्याय व्यानाय स्वाहा ।
इदमादित्याय व्यानाय इदन्न मम ॥ ३ ॥
oṁ svarādityāya vyānāya svāhā |
idamādityāya vyānāya idanna mama || 3 ||
Oṁ. Para a causa da felicidade (svaḥ),
para Āditya (o Sol). E para vyāna (o ar vital). Svāhā.
É para o Sol e para vyāna. Não para mim. || 3 ||
Que estas oblações oferecidas por nós alcancem o sol que nos dá vida, calor e felicidade. Que as substâncias purificadoras cheguem até ele e se combinem com a energia solar para purificar o espaço inteiro. Este ato é para o benefício de todo o universo.
ॐ भूर्भुवः स्वरग्निवाय्वादित्येभ्यः प्राणापानव्यानेभ्यः स्वाहा ।
इदमग्निवाय्वादित्येभ्यः प्राणापानव्यानेभ्यः इदन्न मम ॥ ४ ॥
oṁ bhūrbhuvaḥ svaragnivāyvādityebhyaḥ prāṇāpānavyānebhyaḥ svāhā |
idamagnivāyvādityebhyaḥ prāṇāpānavyānebhyaḥ idanna mama || 4 ||
Oṁ. Para bhūr, bhuvaḥ e svaḥ;
para Agni, Vāyu e Āditya; portadores da natureza
do prāṇa, do apāna e do vyāna. Svāhā.
Isto é para Agni, Vāyu e Āditya.
E para prāṇa, apāna e vyāna. Não para mim. || 4 ||
Estas oferendas são para o fogo terrestre, o ar da atmosfera e o sol celestial, para que todos respirem com vitalidade, para que todos eliminem as aflições e sejam felizes. Que os agentes naturais levem a minha oferenda para os quatro cantos do universo. Que todos e cada um se beneficiem dela.
Humildemente ofereço esta oblação (svāhā) para o benefício da humanidade. Isto é para a humanidade, não para mim. O poder da vida onipresente, o prāṇa, se manifesta em todos os planos da criação (bhūr, bhuvaḥ, svaḥ): na terra, ele aparece como o fogo que aquece, nutre e anima. Na região atmosférica se manifesta como o ar que sustenta a vida. No céu, é visível na forma do sol, fonte de calor e energia.
ॐ आपो ज्योती रसोऽमृतं ब्रह्म भूर्भुवः स्वरोम् स्वाहा ॥ ५ ॥
oṁ āpo jyotī raso’mṛtaṁ brahma bhūrbhuvaḥ svarom svāhā || 5 ||
Oṁ. Para as águas, a luz e a doçura (o amor).
Para a imortalidade, para Brahma.
Para bhūr, bhuvaḥ e svaḥ. Om. Svāhā. || 5 ||
O Om é onipresente, é a causa de todas as formas de vida, o aniquilador da dor e a fonte de toda felicidade. Oferecemos esta oblação ao Om eterno, como retribuição pela vida que temos.
ॐ यां मेधां देवगणाः पितरश्चोपासते ।
तया मामद्य मेधयाग्ने मेधाविनं कुरु स्वाहा ॥ ६ ॥
oṁ yāṁ medhāṁ devagaṇāḥ pitaraścopāsate |
tayā māmadya medhayāgne medhāvinaṁ kuru svāhā || 6 ||
Oṁ. Dê-nos sabedoria hoje.
Dê-nos o conhecimento que os sábios e ancestrais
tanto valoram e desejam.
Yajurveda, XXXII:14 || 6 ||
Assim como os ṛṣis e os protetores da sociedade da antiguidade obtiveram iluminação e sabedoria eternas através da prática, que nós possamos igualmente tê-las e afastar as trevas da ignorância.
ॐ विश्वानि देव सवितर्दुरितानि परासुव ।
यद्भद्रं तन्न आसुव स्वाहा ॥ ७ ॥
oṁ viśvāni deva savitarduritāni parāsuva |
yadbhadraṁ tanna āsuva svāhā || 7 ||
Oṁ. Que possamos ver-nos livres de doenças e maldade.
Que tenhamos tudo o que for bom e benéfico. Svāhā.
Yajurveda, XXX:3 || 7 ||
O Om é a força geratriz do universo. Através dessa concientização dissipam-se a miséria existencial e o mal. Que obtenhamos todas as virtudes e que possamos continuar no caminho do crescimento.
ॐ अग्ने नय सुपथा राये अस्मान् विश्वानि देव वयुनानि विद्वान् ।
युयोध्यस्मज्जुहुराणमेनो भूयिष्ठां ते नम उक्तिं विधेम स्वाहा ॥ ८ ॥
oṁ agne naya supathā rāye asmān viśvāni deva vayunāni vidvān |
yuyodhyasmajjuhurāṇameno bhūyiṣṭhāṁ te nama uktiṁ vidhema svāhā || 8 ||
Oṁ, que possas nos conduzir no caminho da prosperidade.
Que possamos nos manter afastados do mal.
Com humildade, te oferecemos esta respeitosa homenagem. Svāhā.
Yajurveda, XL:16 || 8 ||
Que através desta prática agucemos as nossas faculdades intelectuais para que elas possam nos ajudar a continuar no caminho da verdade e afastados da maldade. Que fiquemos a cada dia mais próximos da emancipação.
Aqui se fazem um (ou vários) japamālā(s) de 11, 54 ou 108 repetições de Gāyatrī e/ou Triyambaka mantra:
ॐ भूर्भुवः स्वः ।
तत्सवितुर्वरेण्यं भर्गो देवस्य धीमहि ।
धियो यो नः प्रचोदयात् ॥ स्वाहा ॥
oṁ bhūrbhuvaḥ svaḥ |
tatsaviturvareṇyaṁ bhargo devasya dhīmahi |
dhiyo yo naḥ pracodayāt || svāhā ||
Oṁ. Contemplemos o excelente esplendor
de Savitṛ, o divino Sol vivificante
presente na terra, na atmosfera e no céu.
Que ele inspire a nossa visão.
Svāhā.
Ṛgveda, III:62
Bhūr, bhuvaḥ e svaḥ são os três planos da existência. Na teoria vêdica das equivalências (bandhu), esta divisão tripartida do universo tem muitos níveis de significados.
Refere-se aos três mundos: o do infinitamente grande, o humano, e o do infinitamente pequeno; aos três gunas, as três qualidades da natureza: inércia, ação e equilíbrio (tamas, rajas e sattva); ou ainda, ao paralelo que existe entre as estruturas da consciência e da Natureza.
Ou seja, assim como é acima, assim é embaixo; o macrocosmos reflete o microcosmos, etc. Savitr, o Sol, é símbolo da consciência que, como a luz do astro rei, brilha por si mesma.
O Gāyatrī mantra se faz para celebrar a existência e harmonizar-nos com o poder de transformação presente na natureza. Este mantra é um convite à contemplação da força que move o macrocosmos, o microcosmos e o homem.
ॐ त्र्यम्बकं यजामहे सुगन्धिं पुष्टिवर्धनम् ।
उर्वारुकमिव बन्धनान्मृत्योर्मुक्षीय मामृतात् ॥ स्वाहा ॥
oṁ tryambakaṁ yajāmahe sugandhiṁ puṣṭivardhanam |
urvārukamiva bandhanānmṛtyormukṣīya māmṛtāt || svāhā ||
Oṁ. Peço àquele que tem três olhos (Śiva),
o mestre dos sentidos e sustentador de tudo o que cresce,
que me liberte do ciclo de condicionamentos e mortes.
Assim como a fruta cai quando está madura,
me leve da morte à imortalidade.
Svāhā.
Ṛgveda, VII:59-12
As oblações finais.
Ao fazer estes três últimos mantras, verta o resto do samāgri e o ghee no fogo:
ॐ सर्वं वै पूर्णं स्वाहा ।
ॐ सर्वं वै पूर्णं स्वाहा ।
ॐ सर्वं वै पूर्णं स्वाहा ॥
ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः ॥ हरिः ॐ ॥
oṁ sarvaṁ vai pūrṇaṁ svāhā |
oṁ sarvaṁ vai pūrṇaṁ svāhā |
oṁ sarvaṁ vai pūrṇaṁ svāhā ||
oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ || hariḥ oṁ ||
Tudo está perfeitamente bem.
Oṁ paz, paz, paz. Hariḥ Oṁ.
Com essas últimas três oblações conclui-se o homa. Entretanto, após o final, se faz ainda o śāntipāṭhaḥ, invocação de paz. Path significa repetição em voz alta, invocação ou recitação. Existem vários shántipathas nos Vedas e nas Upaniṣads.
Apresentamos aqui os mais conhecidos e largamente usados. Como os outros mantras, o śāntipāṭhaḥ deve fazer-se com os olhos fechados, concentrando-se na vibração do som no interior da cabeça, no significado do mantra e, principalmente, na intenção e no que você quer obter dele. No caso, paz. Muita paz para todos.
ॐ असतो मा सद्गमय ।
तमसो मा ज्योतिर्गमय ।
मृत्योर्माऽमृतं गमय ॥
सर्वेषां स्वस्तिर्भवतु । सर्वेषां शान्तिर्भवतु ।
सर्वेषां पूर्णं भवतु । सर्वेषां मङ्गलं भवतु ।
लोकाः समस्ताः सुखिनो भवन्तु ॥
oṁ asato mā sadgamaya |
tamaso mā jyotirgamaya |
mṛtyormā’mṛtaṁ gamaya ||
sarveṣāṁ svastirbhavatu | sarveṣāṁ śāntirbhavatu |
sarveṣāṁ pūrṇaṁ bhavatu | sarveṣāṁ maṅgalaṁ bhavatu |
lokāḥ samastāḥ sukhino bhavantu ||
Conduza-me da equivocação à verdade.
Da escuridão (ignorância) à luz.
Da morte à imortalidade.
Que todos tenham saúde.
Que todos vivam em paz.
Que todos vivam em plenitude.
Que todos tenham uma vida auspiciosa.
Que o universo viva em estado de felicidade.
Bṛhadāraṇyakopaniṣad, I:3, 28
ॐ द्यौः शान्तिरन्तरिक्षं शान्तिः पृथिवी शान्तिरापः शान्तिरोषधयः शान्तिः ।
वनस्पतयः शान्तिर्विश्वेदेवाः शान्तिर्ब्रह्म शान्तिः सर्वं शान्तिः
शान्तिरेव शान्तिः सा मा शान्तिरेधि ॥
oṁ dyauḥ śāntirantarikṣaṁ śāntiḥ pṛthivī śāntirāpaḥ śāntiroṣadhayaḥ śāntiḥ |
vanaspatayaḥ śāntirviśvedevāḥ śāntirbrahma śāntiḥ sarvaṁ śāntiḥ
śāntireva śāntiḥ sā mā śāntiredhi ||
Om. Que haja paz no céu.
Que haja paz na atmosfera.
Que haja paz na terra.
Que as águas tragam paz para todos.
Que as ervas medicinais tragam paz para todos.
Que as plantas tragam paz para todos.
Que as forças da natureza e os sábios dêem paz para todos.
Que a paz e a harmonia reinem no universo inteiro.
Que a paz, somente a paz, prevaleça em todos os lugares.
Que eu também tenha essa paz.
Yajurveda, XXXVI:17
Ou ainda pode fazer-se o śāntimantra:
ॐ सह नाववतु । सह नौ भुनक्तु ।
सह वीर्यं करवावहै ।
तेजस्वि नावधीतमस्तु मा विद्विषावहै ॥
ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः ॥
oṁ saha nāvavatu | saha nau bhunaktu |
saha vīryaṁ karavāvahai |
tejasvi nāvadhītamastu mā vidviṣāvahai ||
oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ ||
Oṁ. Que Ele [Īśvara, o Ilimitado], proteja nós dois. Que Ele esteja feliz conosco. Que possamos trabalhar juntos com vigor. Que o conhecimento nos ilumine. Que nunca confundamos o que somos com o que fazemos. Oṁ. Que haja paz, paz, paz. Taittiriyopaniṣad, Brahmavalli
No final da prática, com as palmas das mãos voltadas para as chamas, mentalize que você recolhe de volta tudo o que foi purificado no fogo. Lembre que yajña é o mesmo que Yoga. Homa é sacralização, consagração. O trabalho do Yoga passa por sacrificar tudo o que for exterior e inferior, facilitando o caminho para que se manifeste a nossa natureza real.
Extraído do livro Yoga Prático.
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॥ हरिः ॐ ॥
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