Se alguém faz um comentário sobre você, permita que o faça. Se o comentário não for verdadeiro, você geralmente tenta justificar suas ações e prova que ele estava errado. Se você é objetivo, você vai tentar ver se existe qualquer validade na crítica dele sobre você. Se ele o colocou para baixo para a sua própria segurança, lhe dê essa liberdade e então você está livre.
Éramos idealistas e tínhamos a certeza de que o Yoga poderia mudar o mundo, tornar a sociedade humana um lugar mais amigável e o ser humano um bicho menos brutal. Pessoalmente, mantenho essa convicção ainda hoje, não mais aplicada à sociedade como um todo, senão a alguns indivíduos que estejam prontos e desejem dar esse passo.
Na atual onda de popularidade que o Yoga está vivendo, constatamos que uma grande ênfase é dada à prática dos āsanas, em detrimento do real objetivo: mokṣa, a liberdade. Āsanas são os exercícios: posturas que vitalizam, dão flexibilidade e fortalecem o corpo, além de movimentarem de forma variada o fluxo de energia, preparando a estrutura para o despertar da potencialidade.
A palavra sânscrita arsha significa aquilo que vem de um rishi. Um rishi é aquele que conhece ou vê, portanto, um rishi é um vidente. Vidente de quê? Ele é um vidente do que é, das coisas que outros não vêem. Vidya significa conhecimento, que se opõe ao erro e a ignorância. Assim, arsha vidya designa o conhecimento dos rishis.
Quando você aprecia o céu azul, você é uma pessoa que não exige. Olhe para você mesmo; veja como você é alguém que aprecia/compreende. Uma pessoa que está satisfeita com o Ser, esta é a pessoa que você é, muito atenta, consciente.
O problema não está no papel; o problema é pensar que você é o papel. O marido não é um problema nem é a esposa; é pensar que você é um marido em tempo integral ou uma esposa em tempo integral é onde o problema está. Você deve primeiro perceber que a representação de um papel não é um problema, mas sim as reações é que são o problema.
Surf e Yoga têm tudo a ver. O surf pode ser visto como uma prolongação da prática de Yoga e o Yoga como um complemento natural do surf, ou viceversa. Quando feito com a atitude correta, com o que o estudioso Georg Feuerstein chama de "pensamentoyogue aplicado", o surf pode ser considerado uma forma de Karma Yoga, o Yoga da ação consciente.
Um dia, conversando com uma amiga surdo-muda, perguntava-lhe como era estar sempre no silêncio. Achava eu que deveria ser por um lado assustador e por outro maravilhoso mas, para a minha surpresa, ela me perguntou: "que silêncio?"
Para muitos praticantes, o Yogasūtra, obra seminal de Patañjali, é visto como um dos textos mais importantes dentro desta tradição. Porém, a bem da verdade, devemos lembrar que este tratado não contém ideias originais: suas bases estão firmemente fincadas na tradição védica. Muitos pensam que Patañjali tenha “inventado” este sistema quando de fato, ele apenas reúne este corpo de conhecimento e o coloca como um sistema prático.
Certa vez, na escola onde trabalho como professora de educação física, ensinei aos alunos alguns asanas durante a aula. Foi, além de uma atividade significativa para os jovens, muito divertido e pensei em repetir a dose. Mas para minha surpresa algumas mães não gostaram e uma delas foi até a escola reclamar comigo. O que ela alegava era que sua religião não permitia que a filha praticasse nada relacionado ao yoga e que não gostaria que eu a ensinasse mais nas minhas aulas.
O corpo fala. Mas poucos o escutam. Fora dos limites da dor e do prazer, tudo que se refere ao corpo parece padecer de um silêncio constrangido e disciplinado. Quase todas as sociedades na história trataram de estabelecer práticas e técnicas de ocultamento do corpo real em nome de um corpo desejado.
Alguns anos atrás me disseram que os filhos, para as mulheres ocidentais, eram como os gurus para os hindus, isto é, traziam ensinamentos e sabedoria através da experiência da díade mãe-bebê e também da relação mãe, bebê e sociedade. Melhor dizendo, na presença ínfima de mestres espirituais no ocidente, a criança plena por nascença exerceria tal papel.
É impossível negar a influência que o Yoga tem hoje em dia sobre centenas de milhares de ocidentais. Estrelas de Hollywood, pop stars e atletas famosos estão voltando seus interesses para esta prática que surgiu em tempos neolíticos na Índia. A descoberta de si próprio está na moda!
Quando você representa um papel, lembra sempre da sua identidade, porque o conhecimento do ator já está presente em você. Este conhecimento permanece mesmo quando você se identifica com o papel que representa. Você não precisa lembrar de si mesmo, porque conhecimento não é memória.
Comumente, negamos os próprios problemas e suportamos a dor. Nós não queremos enfrentar os problemas porque isso é muito desagradável. Como crianças, nós também negamos os nossos problemas. Esta negação é uma espécie de fuga de algo que é desagradável e é o caminho que nós geralmente tomamos para gerir os problemas.
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