Havia uma vez um guru chamado Paramānanda. Ele tinha dez estudantes que eram chamados conjuntamente Paramānandaśiṣyaḥ, estudantes de Paramānanda. Um dia, aconteceu uma festividade numa aldeia próxima à floresta onde ficava o Āśram e os jovens resolveram comparecer. O professor não ia poder acompanhá-los e então pediu para o maior deles se ocupar de cuidar dos outros nove no caminho até a aldeia.
Antes de começar, cabe o pensamento: nós precisamos mesmo deste tipo de discussão? É este tema realmente relevante para a vida de Yoga? Hoje em dia vemos muitos “profissionais” do Yoga focados em prosperar e totalmente refratários à ideia de olhar com compromisso e sinceridade para o Yoga que afirmam ensinar e praticar. Este tipo de conversação pode nos desviar, de fato, do tema central, que é a liberdade.
Tanto no que diz respeito à representação e simbologia das divindades nas diversas espiritualidades, quanto em relação ao tema da consciência, a visão que nos chega da Índia é muito diferente da que estamos acostumados a manejar aqui. Em relação às divindades, entende-se que sejam manifestações da inteligência criativa, presentes tanto na natureza quanto no corpo humano.
Estamos acostumados a ouvir e aceitar sem maiores questionamentos que o Haṭha Yoga, de origem tântrica, é bem mais recente e está completamente separado dos sistemas anteriores a ele, como o Yoga de Patañjali, o Jñāna Yoga, o Karma Yoga, o Mantra Yoga, etc., como se esses sistemas pertencessem a um universo totalmente diferente do contexto em que o Haṭha nasceu. Mas a coisa não é bem assim.
Estou num avião vindo de Paris para o Rio. Abro uma revista e vejo um anúncio insólito, de quatro longas páginas, cujo objetivo é vender perfumes. Porém, ao invés do usual deste tipo de anúncio, um(a) modelo posando e uma frase dizendo como é sofisticado esse perfume, e porque seria necessário comprá-lo, deparo-me com uma longa citação da Bhagavadgītā. Ilustrando as páginas, fotos de um surfista, sua prancha e uma onda, tubular, enorme, daquelas de cortar o fôlego.
Há temor legítimo, raiva legítima, tristeza legítima: "legítimos", porque a sociedade os aceita como tais. A psicologia moderna diz que a raiva é normal e que se deve ficar zangado quando uma situação em particular pede. Da mesma forma, existe um ciúme "normal" e uma tristeza "normal" e porque eles são "normais", não há nada de errado com eles. Estes, então, nós resolvemos espiritualmente.
A palavra saṃsāra até serve de nome para um perfume francês. Esta palavra define a sede por, ou a caçada de, experiências. Define a ideia de ir atrás de uma experiência, e mais uma, e mais uma, e mais uma, e mais uma, e mais uma, e mais uma... Buscar experiências nesta vida, buscar experiências depois da morte, buscar experiências noutras dimensões, onde for. Buscar experiências.
Você precisa, primeiramente, compreender Īśvara. Bhakti é descobrir que tudo o que está aqui é Īśvara. Toda a realidade é Īśvara. Īśvara não é um objeto de crença. Īśvara precisa ser compreendido. Īśvara é todo o conhecimento. Se há um processo de conhecimento, também deve haver um grau de ignorância incluído nesse processo. Devoção é descobrir que Īśvara é a única realidade.
Tudo o que está aqui é Īśvara. Você não pode negar a realidade de Īśvara se quiser compreender o Vedānta. Vedānta sem Īśvara não existe. Quando dizemos tudo é Īśvara, isso é conhecimento; não é crença. A aversão a Īśvara nasce numa crença do passado. Īśvara é igualmente símbolo do pai. Se eu tiver algum problema com o meu, vou tender a negar Īśvara, pois nego o meu próprio pai. Se você tem um problema com seu pai, resolva com ele. Īśvara não tem nada a ver com isso.
A visão védica de Deus é única. Embora o tema Deus não esteja aberto a ideias ou especulação, achamos que o conceito de Deus difere de pessoa para pessoa e de religião para religião. Se existe um Deus, por que há tanta diferença nas maneiras em que as pessoas vêem esse Deus? A resposta é muito clara. Deus é um Ser a quem não se conhece. No entanto, não se pode deixar de dizer alguma coisa sobre ele.
Muito se fala sobre a importância do Yoga para a manutenção da saúde e especialmente para a cura de doenças. Neste artigo irei um pouco além desse discurso. Não falarei dos benefícios específicos do Yoga para a cura de doenças. O desafio deste artigo é mostrar que o Yoga e suas disciplinas afins dão conta de “cuidar do indivíduo” em todos seus aspectos.
O que há em comum no ser humano, seja ele de qualquer parte do mundo, dentro de qualquer cultura, é a busca pela felicidade. Todos nós buscamos a felicidade. Essa é uma fórmula essencial para a compreensão da conduta humana. As nossas ações são direcionadas a esse fim.
O Tattvabodhaḥ de Śri Śaṅkarācārya é uma obra interessante para aqueles que desejam aprofundar seus estudos. O texto é bem simples, na forma de um diálogo entre um professor e seu discípulo que busca o entendimento sobre si próprio. O grande ganho que temos ao estudá-lo é a familiarização que passamos a ter com palavras carregadas de significados que serão posteriormente vistas em praticamente todas as Upaniṣads.
Às vezes, a nossa maneira de definir certos padrões da conduta humana nos faz usar a palavra inumano. Porém, a bem da verdade, todas as condutas humanas são humanas, valha a redundância. Dizemos isto, pois é um fato e acabamos qualificando como não humanas algumas atitudes que são tipicamente humanas.
Era uma vez um músico muito bom mas muito ciumento, que ensinava seus discípulos menos do que sabia por que não queria concorrência. Ensinava apenas o básico para que os demais pudessem cantar, mas sem lhes mostrar os segredos fundamentais. Um bom dia, morreu de um ataque cardíaco fulminante e se tornou um fantasma, um Brahmarakshasa.
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