Na esteira de uma série de recentes escândalos envolvendo condutas criminosas por parte de famosos professores de Yoga, cabe uma reflexão aqui para voltarmos ao básico do básico.
O machismo é endêmico: está em todas partes na nossa sociedade e, desafortunadamente também bastante presente nos ambientes do Yoga. Negar esse fato é contribuir ativamente para os estupros, femicídios e agressões que preenchem o noticiário. É preciso fazer alguma coisa.
Este é um convite para questionar a ideia da proibição do Yoga para a mulher na Índia antiga, que se revela falsa depois de um passeio pelo textos onde estão registradas as descobertas e experiências dos yogins do passado desde a Idade védica, há mais de 3500 anos, até os mais recentes textos de Haṭhayoga no século XVIII.
No contexto do Tantra, os termos paśu, vīra e divya representam diferentes níveis de desenvolvimento e qualificação dos praticantes (sādhakas). Esses três tipos descrevem estágios ou disposições internas de cada pessoa em relação à prática, à disciplina e à compreensão do ensinamento não-dual.
Com fazer nossas escolhas, quando defrontados com dilemas aparentemente insolúveis desde o ponto de vista ético? Como conduzir nossas ações para nos manter alinhados com o princípio da não-violência? Como devemos ou podemos viver, de fato, a vida de Yoga?
O Yoga vê o homem como um reflexo do macrocosmos. A energia criadora que engendra o Universo manifesta-se no homem, que não está separado nem é diferente dela. O nome dessa energia é kuṇḍalinī.
A ideia de progressão não faz muito sentido em relação a mokṣa (liberdade), o objetivo do Yoga. Mokṣa não é sobre ganhar algo que você não tem, mas é sobre reconhecer o que você já é. A progressão é um processo mecânico. Estritamente falando, essa ideia do progresso para mokṣa é enganosa. Você não pode mensurar esse processo, por exemplo, pensando: “ja fiz metade, ou já cobri 65% das etapas para chegar na meta.”
Segundo a Bhagavadgītā, há somente duas formas de viver, dois estilos de vida: o do karma yogin e o do saṁnyāsin. Mokṣa é conhecimento. Quando a motivação por mokṣa é suficientemente intensa, o estilo de vida pode ser o da renúncia, saṁnyāsa, no qual a pessoa abandona tudo para se dedicar a esse propósito.
“Ó filho de Upamanyu, sobre que Ser você medita?” Ele respondeu: “Apenas sobre o Céu, venerável rei”. “O Ser sobre quem você medita”, disse o rei, “é Vaiśvānara, a soma de todos os seres do universo, chamado Sutejas (Boa Luz)".
Aśviṇī mudrā, o gesto da égua, é uma das técnicas fundamentais do Haṭhayoga. Ela aparece na Gheraṇḍa Saṁhitā (III:82), um dos textos fundamentais da tradição do Yoga tántrico que deu origem ao Yoga que você pratica hoje em dia. O nome deriva do fato de que, ao fazermos esta mudrā, contraímos o assoalho pélvico de maneira ritmada, como fazem as éguas depois de urinar.
A Segunda Guerra Mundial ceifou a vida de aproximadamente 75 milhões de seres humanos. Muitos civis morreram por causa do genocídio deliberado, crimes de guerra, massacres em campos de concentração, bombardeios, doenças e fome. Afora isso, para alimentar a máquina de guerra, o nazismo drenava constantemente os recursos dos territórios conquistados. O custo desse conflito, […]
Kāma mūta é uma emoção que todos sentimos e conhecemos bem, ainda que não tenhamos uma palavra específica na nossa língua para referir-nos a ela. É um forte sentimento de amor, empatia ou união com alguém (uma pessoa, família ou grupo), ou ainda com a natureza, o universo inteiro, ou ainda, um filhote de animal.
Na tradição do Yoga tántrico, a serpente enroscada kuṇḍalinī simboliza o potencial de iluminação e liberdade e ao mesmo tempo a força que possibilita a realização desse processo. Nesse sentido, a serpente é símbolo de poder, pois consegue andar apesar da ausência de pernas.
Esta é uma das muitas histórias da tradição do Yoga que apresentam mulheres como yoginīs e mestras e que evidenciam o importante papel que elas tiveram ao longo da história.
O Yoga, com suas raízes milenares na filosofia e cultura indiana, se tornou um fenômeno global nos últimos anos. Essa popularização, embora positiva em muitos aspectos, também levanta questões importantes sobre o tema da apropriação cultural.
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