Aula de Yoga com Pedro Kupfer e a turma

Svādhyāya, a Busca do Ser

Por José Hermógenes 16 de junho de 2001 2 minutos de leitura
Svādhyāya: Quem sou eu? Que sou eu?

Todas as respostas, baseadas na lógica ou num autodiagnóstico comprometido, seja por autopiedade, auto-severidade, autocomplacência, ou seja por racionalização, são incapazes, e não válidas.

Quem são ou que são os outros?

Que são as coisas que meus sentidos e minha mente percebem? O quê nas coisas e nos fenômenos vejo e sinto até onde são reais? Até onde são fantasmas? Que têm de realidade os sonhos?

Que há de real escondido sob tantos mantos e véus? Como desvendar o que está velado? ? são perguntas que fazemos, praticando svādhyāya.

O yogīn está avisado sobre o vínculo que o prende ao mundo de fantasias que parecem reais. Ele sabe que tanto quanto dure sua condição de obcecado, agora por uma ventura, depois por uma desventura, aqui por uma gratificação, ali por uma privação, estará grudado e fatalmente acorrentado ao ‘vale de lágrimas’.

Svādhyāya

Ele sabe que há uma Verdade que liberta, e querendo ele a Libertação, insiste na procura de tal Verdade.

Ssvādhyāyasvādhyāyavādhyāya requer a tenacidade de quem ‘procura agulha no palheiro’, possibilita ‘arrancar as ervas que o Pai não plantou’ e permite colher o trigo – riqueza e pão – sufocado no meio do joio.

Além da persistência, a busca do Ser reclama prudência. Viveka, o discernimento, é indispensável. Sem discernir friamente, a pesquisa toma o rumo que interesses e motivos até inconscientes impõem.

Assim, supondo que buscamos a Verdade que liberta, começamos a buscar a semiverdade que consola, que interessa, que consolida o ego, e reforça o jugo, o samsāra.

Quem, apegado ao que convém, repelindo o que desagrada, temendo o que parece ameaça, pode esperar desvelar a Verdade, o Ser?

O yogīn pode praticar svādhyāya pelo estudo das escrituras (śāstras), analisando-as pelo ‘espírito que vivifica’ e não pela ‘letra que mata’; pelas lições que os Sábios e Mestres têm para dar, eles que são experientes e já cidadãos do Reino; pelas inferências dos raciocínios; pela intuição; pela inspiração; pela meditação; pela auto-análise; e por tornar-se a Verdade.

A pesquisa é incessante. É aqui e agora, pois todos os lugares escondem a Presença Oculta e todos os segundos falam de Seu Silêncio. Cada instante diz da Eternidade. Cada ponto no espaço fala do Infinito.


॥ हरिः ॐ ॥
Extraído do livro Yoga, Caminho para Deus.
Digitado por Cristiano Bezerra.
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Visite aqui o site do Professor Hermógenes.
॥ हरिः ॐ ॥

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