श्रीः
भज गोविन्दम्
Bhaja Govindam
Prioridades Primeiro · Pedro Kupfer
Assim como o Nirvāṇa Ṣaṭkaṁ, as “Seis Estrofes da Iluminação” o Bhaja Govinda também é um poema de Śrī Śaṅkarāchārya. “Cante Govinda”, ou ainda, “Adore Govinda”, são maneiras de traduzir o título. O poema também é conhecido como Moha Mugdara, ou “O Martelo que Destrói a Ignorância”.
O mantra
ॐ भगवान् जय भगवान् श्री भगवान् जय ॐ ।
भज भज भज गोविन्दं मूढमते ॥
oṁ bhagavān jaya bhagavān śrī bhagavān jaya oṁ |
bhaja bhaja bhaja govindaṁ mūḍhamate ||
Ouça na Rádio Havelī: Bhaja Govinda
Ādi Śaṅkarāchārya é um dos grandes pilares da tradição védica. Ele não apenas comentou e esclareceu o ensinamento contido nas Upaniṣads e na Bhagavadgītā usando uma linguagem acessível e clara, mas compôs igualmente uma série de poemas que têm como objetivo despertar a devoção nas pessoas. Devoção não-dual, como você sabe, pois ele é um dos professores mais importantes no Advaita Vedānta.
No Bhaja Govinda vemos que não há diferença entre o Caminho do Conhecimento, Jñāna Yoga, e o caminho da Devoção, Bhakti Yoga. Conhecimento não é teoria, não é especulação filosófica, mas compreensão clara das realidades da vida. Devoção não é fé cega nem irracionalidade, mas confiança na Ordem Maior.
Ambas, compreensão e confiança, confluem no coração daqueles que derem uma chance ao ensinamento. Não interessa se o caminho for percorrido desde a mente ou desde o coração: o yogi de discernimento e o yogi devoto confluem neste ponto. Não há, portanto, vários Yogas, mas maneiras diversas de abordar e expor o mesmo ensinamento. Todos os caminhos do Yoga conduzem a mokṣa, a liberdade.
Diz a lenda que Ādi Śaṅkarāchārya, acompanhado por alguns discípulos, estava visitando a cidade sagrada de Benares ou Varanasi. Este é um lugar muito especial dentro da espiritualidade da Índia, pois à beira do sagrado Ganges. Considera-se que passar uma temporada meditando antes morrer em Varanasi liberta o devoto do ciclo das reencarnações e do sofrimento.
Passando pelas ruelas que beiram o rio, Śaṅkara ouviu um ancião professor de sânscrito, recitando as regras de pronúncia, apesar de que estava muito próximo ao momento da própria morte. Compreendendo a situação, ele parou de andar, entrou na cabana onde o professor estava deitado e lhe disse:
“Você acha que ficar repetindo essas regras de sânscrito até a morte vai fazer alguma coisa pela sua libertação? Cante Govinda, seu tolo! Abandone sua sede de acumular fortuna e centre seu pensamento no que é Real. Fique contente com aquilo que você recebeu como fruto das suas ações passadas.
“Não se afogue na ilusão das paixões. Mantenha a mente focada no que interessa. A vida é tão incerta como uma gota de chuva deslizando na pétala de uma flor de lótus. As coisas do mundo são apenas uma prece para alimentar o ego, a doença e o sofrimento. […] Da associação com os sábios surge o desapego. Do desapego surge a libertação das ilusões, que conduz à capacidade de centrar-se em Si Mesmo. Da estabilidade no ser deriva a Libertação. ”
Bhaja Govinda, muḍha mate, que quer dizer “cante o nome de Govinda, seu tolo”. O poema é uma linda e compassiva maneira de nos lembrar que, sabiamente, nós não deveríamos nos distrair com coisas que não irão nos libertar nem nos trazer felicidade, uma vez que o apego a coisas fúteis só termina em sofrimento.
Este kīrtan recolhe os dois primeiros versos desse poema, mas neles já está contida toda a mensagem. Essa mensagem é a seguinte: não perca tempo. Não se distraia. Você está aqui para ser feliz. Evite a dispersão pensando em coisas que podem afastar você do que realmente interessa.
Se for o caso, meditando sobre estas palavras, podemos lembrar que elas funcionam como uma compassiva chamada de atenção, quando percebemos que perdemos o tempo ou nos distraímos com coisas que não irão nos dar nada para ou que não irão fazer nenhuma diferença no nosso crescimento interior. Daí então fica o convite: cante Govinda. Não perca tempo.
॥ हरिः ॐ ॥
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