Guache indiano: três ascetas caminham sobre brasas

Tapas, a Austera Disciplina

Por José Hermógenes 17 de junho de 2001 2 minutos de leitura

Se o caminhante tem as pernas frágeis para tão longo e duro caminho, deve fortalecê-las antes de começar a andar.

Quanto os Mestres aconselham: “pratiquem tapas”, estão querendo salvar os caminhantes de uma provável derrota.

Eles têm visto muitos, que partiram afoitos e foram batidos pelas árduas provas na estrada.

A estrada não é para os que cedem às fadigas, aos desconfortos, às ciladas, aos desafios, às barreiras…

A estrada não é para os indisciplinados, para os que amam o conforto, para os entregues aos prazeres sensuais, para dengosos e lânguidos, para mofinos e covardes…

Tapasya

O yogin, praticando tapas, queima, no fogo da austeridade, as sementes da impureza. E se defende de todos os cansaços, desânimos, preguiças, fossos e fossas.

Sem discernimento (viveka), a prática de tapas degenera em ascetismo masoquista, em mortificações e em auto-agressões que danificaram o corpo e a mente de tantos religiosos do passado.

Tapas é para dar ao corpo higidez, energia e resistência e para prolongar-lhe juventude e vida. Para isso é que o Hatha Yoga foi pelos mestres ensinado.

Haṭha Yoga é para aprimorar o corpo como um instrumento, mas os vaidosos usam-no com fins narcísicos. Tapas não é para maltratar o organismo. Não é para desenvolver faquirismo ou doenças mortais.

Entre o sibarita, distraído nos prazeres de cama e mesa, se corrompendo e diluindo as forças, e o asceta masoquista agredindo o corpo com autoflagelação, tapas é o ‘caminho do meio’, do equilíbrio e da dignificação.

tapas

Para o yogin, o ‘corpo é o templo do Espírito Santo’. Tapas conserta, aprimora e purifica o templo. É obrigação de todo devoto, seja qual for a religião.

Pobre do yogin que teme e detesta a dor. O ignorante não sabe que a dor leciona, retifica, desperta, desafia a crescer, fortalece e liberta.

Diante da dor, o yogin não tenta fugir nem se rebela. Tudo ele faz no sentido de evitá-la, e, atendendo às sábias leis da Natureza, procura minorá-la.

Efetivamente, os analgésicos reduzem ou disfarçam a dor superficial. Mas, e a dor existencial cósmica (dukha)?!… Que pode extingui-la senão a iluminação?!…

O asceta, praticando tapas, aceita a cruz, desde que seja inevitável. E, com a cruz, caminha. Sem protestar. Sem reclamar. Sem pretender escapar.

Um grande e invencível heroísmo é indispensável a todo discípulo de Cristo, seguidor de Buddha, devoto de Kṛṣṇa…


॥ हरिः ॐ ॥

Extraído do livro Yoga, Caminho para Deus.
Digitado por Cristiano Bezerra.
Leia aqui mais textos deste brilhante autor.
Visite aqui o site do Professor Hermógenes.

॥ हरिः ॐ ॥

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4 respostas

  1. Ananda Banhos Pinheiro

    Obrigada Cristiano Bezerra, seu ato de digitar aqui esse texto foi providencial.
    Tapas, nesse escrito do Prof Hermógenes, era o farol que precisava ter comigo para seguir. Obrigada!

    1. Por nada, querida Ananda! Fico muito feliz de saber que, depois de quase 19 anos que o digitei para este site, esse texto do Professor Hermógenes tenha sido tão importante e significativo pra você!

  2. Gilsionice Alves de Freitas Ruiz

    Encontrei em palavras incrívemente edificantes do grande professor Hermógenes aquilo que sinto em momentos difíceis. Namaste.

  3. Estou me preparando para mais um consciente intensivo de práticas a partir de amanha. Entrei aqui atrás de combustível para Tapas. E nossa! Que presente! Um texto desses na voz de alguém que me faz acreditar na verdade. Senhor José Hermógenes …. muito grato … tocado especialmente pelo trecho …Efetivamente, os analgésicos reduzem ou disfarçam a dor superficial. Mas, e a dor existencial cósmica (dukha)?!… Quem pode extingui-la senão a iluminação?!…Oh santa, desafiante e esquecida meta! Namaste namaste ((((_/\_))))

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