Aula de Yoga com Pedro Kupfer e a turma

Utthita trikonasana

Por Pedro Kupfer 21 de julho de 2005 3 minutos de leitura

Tradução do nome desta postura:

utthita = estendido, tri = três, kona = ângulo ==> postura do triângulo estendido

Este exercício representa a trindade (trimurti) hindu: Brahma, Vishnu e Mahadeva (Śiva). Por sua vez, estes três deuses simbolizam o aspecto tripartito da existência: evolução, manutenção e dissolução. Separe as pernas e mantenha os pés a cinco palmos de distancia. Volte a ponta do pé esquerdo para o lado esquerdo. Inspire e eleve os braços até a altura dos ombros. Flexione-se para o lado esquerdo, até que a mão se aproxime do joelho, da panturrilha, do tornozelo ou do solo, à frente do pé. Mantenha a posição respirando amplamente.

Trikonasana simboliza a estrutura da existência material: o ciclo de nascimento, vida e morte, e os poderes de criação, manutenção e destruição da vida. Esses são os três lados do triângulo. O exercício representa igualmente as três forcas que trabalham no nossa existência: jati, a herança cultural, a vida que estamos vivendo agora e o karma potencial que as nossas ações presentes estão gerando.

Na prática de āsana, na medida em que a consciência se expande, aprendemos a identificar os momentos em que começamos a sair do estado de equilíbrio, e assim adquirimos a qualidade de corrigir o rumo antes que o desequilíbrio se manifeste. O mesmo vale para a vida.

Inverta a posição dos pés e repita o exercício, flexionando agora para o lado direito. Inspire elevando os braços ate a altura dos ombros. Afaste um pouco os braços, aproximando as omoplatas. No āsana, quando um elemento está fora de lugar, perdemos o equilíbrio e caímos. Na vida não e diferente. Quando um aspecto esta fora do ponto de equilíbrio, podemos igualmente perder a domínio sobre nossas ações.

Utthita trikonasana

utthita trikonasana

Dicas de execução:

Eleve os arcos dos pés, mantendo os dedos ativos.

O pé de trás fica num ângulo de 90 a 65 graus em relação ao pé da frente.

Mantenha as pernas ativas, colocando mais peso na perna de trás.

Sinta as espirais ascendentes da energia, desde os arcos dos pés até as virilhas, em ambas as pernas.

Perceba a rotação externa da crista ilíaca de cima.

Rotacione a parte interna da coxa para fora, para não forçar o joelho.

Mantenha o cóccix apontando para o calcanhar do pé de trás.

Faça uddiyana bandha e respire, expandindo lateralmente as costelas.

Mantenha espaço entre os ombros e a base do pescoço.

Gire os ombros para trás, em direção às escápulas.

Sinta o espaço entre os ombros e o pescoço.

Perceba se existe espaço entre as cristas ilíacas e as axilas, especialmente no flanco que fica para baixo.

Para girar corretamente e com segurança o pescoço, faça isto:

a) com a cabeça em posição vertical, estenda bem a pele da nuca;

b) traga o queixo levemente em direção ao esterno;

c) rotacione o pescoço, mantendo o alinhamento das vertebras cervicais com o resto da coluna. Isso vale igualmente para todas as torções.

Tome consciência da circulação da energia vital, desde as plantas dos pés até o alto da cabeça.

Atenção:

Estas dicas não substituem um professor de Yoga. São disponibilizadas apenas para que o praticante possa aprimorar sua técnica. A prática sob a supervisão cuidadosa de um instrutor preparado e competente é essencial para o sucesso na prática, bem como para evitar lesões. O autor não se responsabiliza pelo mal uso que possa ser feito destes textos.

Continue a leitura no yoga.pro.br: Detalhes do Trikoṇāsana · Utthita parshvakonasana · Parivritta Parshvakonásana: a torção estendida em pé
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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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Uma resposta

  1. Este asana é um dos principais exercícios de lateralidade no Dakshina Tantra Yoga, que, na nossa visão, equilibra os aspectos masculinos e femininos da nossa personalidade. No nosso trabalho, é mais importante que os quadris não girem na direção da inclinação do corpo e da cinta abdominal, o que irá energizar o swadhistana chakra. Por isso, pouquíssimas pessoas conseguem ir até o pé, como na ilustração.

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