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Bāhya kumbhaka prāṇāyāma

Por Pedro Kupfer 31 de julho de 1999 2 minutos de leitura

Este exercício vai nos servir para desenvolvermos o tempo de retenção com os pulmões vazios, chamado śūnyaka (vazio) ou bāhya kumbhaka (retenção externa).

A maioria das pessoas tem dificuldades nesta fase da respiração, razão pela qual é aconselhável não forçá-la. No caso da técnica que vamos descrever a seguir, o śūnyaka deverá ser desenvolvido sem esforço.

O ritmo que utilizaremos será 1:0:2:4. Sentado na posição de sua preferência, elimine todo o ar dos pulmões. Inspire agora pela narina esquerda, mantendo a direita obstruída, usando a viṣṇu mudrā. A inspiração deverá ser profunda e completa, fazendo a contagem de, por exemplo, quatro mātrās.

Não faça retenções com os pulmões cheios. Expire pela narina direita em oito mātrās. Quando os pulmões estiverem vazios recolha o abdômen, contraia os esfíncteres e contraia a garganta, inclinando a cabeça para a frente mas sem pressionar o queixo contra o peito, fazendo assim o bandha traya. Conte dezesseis mātrās, mantendo o śūnyaka, sem inspirar.

Inspire agora pela narina direita elevando a cabeça, em quatro mātrās. Não retenha o ar e logo em seguida expire em oito tempos pela narina esquerda. Retenha novamente a respiração com os pulmões vazios, durante dezesseis tempos, repetindo o bandha traya.

Um ciclo completo é assim: inspiração pela narina esquerda, expiração pela direita, retenção; inspiração pela direita, exalação pela esquerda, retenção. Faça dez ciclos completos.

Efeitos: aquieta as ondas mentais, possui efeito catabolizante sobre o consumo de energia orgânica. Reduz a irrigação sangüínea na área do cérebro, diminuindo conseqüentemente a quantidade de oxigênio. O objetivo dessa redução é facilitar o controle das instabilidades da consciência (vṛtti). Produz intenso calor, fortalece o sistema nervoso e desenvolve as faculdades mentais. Esta prática é desaconselhada para pessoas com problemas cardíacos ou de hipertensão e também para quem está começando, pois, feita de maneira incorreta, pode comprometer o sistema nervoso.


Texto extraído do livro Guia de Meditação.

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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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