Selo de pedra da civilização do Indus-Sarasvatī: figura sentada numa postura de Yoga, com um toucado de chifres, rodeada de animais

Cronologia Histórica do Yoga e da Índia Antiga

Por Pedro Kupfer 7 de setembro de 2020 24 minutos de leitura

श्रीः

कालानुक्रमः

Kālānukramaḥ

Cronologia histórica do Yoga e da Índia antiga

A cronologia histórica da Índia proposta pela nova geração de estudiosos, baseada em estudos arqueológicos e análise de referências vêdicas e purânicas, poderia ser assim estimada:

  1. Idade Védica: 7000-4000 a.C.
  2. Surgimento do proto-Yoga: 7000 a.C.
  3. Fim do Período do Rāmāyāṇa/Mahabhārata: 3000 a.C.
  4. Apogeu da civilização do Indus-Sarasvati: 3000-2000 a.C.
  5. Declínio da civilização do Indus-Sarasvati: 2200-1900 a.C.
  6. Sistematização do Yoga (Śruti: primeiras Upaniṣads, Ārāyṇakas e Brāhmaṇas): 1900-1500 a.C.
  7. Período de caos e migração: 1900-1500 a.C.
  8. Síntese do hinduísmo clássico (Smṛti: Sūtras, Tantras, Darśanas e Épicos): 1400-250 a.C.
Página de um manuscrito do Ṛgveda em devanāgarī, com acentos védicos e correções em vermelho
Manuscrito do Ṛgveda, Índia, início do séc. XIX. Coleção Schøyen, MS 2097. Wikimedia Commons (domínio público).

A civilização que deu origem ao Yoga

A civilização que deu origem ao Yoga, ensinou-nos igualmente a viver em cidades e a conviver através do comércio e do trabalho industrioso.

Também mostrou-nos como sobreviver às catástrofes naturais do planeta e a reconstruir a existência, afirmando-se na enorme força ancestral das suas convicções que foram postas à prova uma geração após a outra durante milênios.

O que mais admiramos neles é que sua aventura espiritual através do Yoga continua tendo vigência: sua ousadia construtiva é hoje patrimônio de todos.

É preciso deixar de lado essas tolices, para ver quais foram as reais contribuições desta civilização, tão habituada a vencer limites quanto o próprio Yoga.

Uma cultura capaz de resistir a terremotos e cataclismos e que mostra a concepção do mundo que esta possui, permite a seus homens trocar de domicílio mas não de identidade: continuam sendo eles mesmos.

A densidade da literatura surgida durante e após o deslocamento para o vale do Ganges fala de muitos milênios de história espiritual.

A excepcional complexidade da sua linguagem, de seu mundo metafórico e de seus recursos simbólicos continua sendo hermética para nós, porque perdemos a chave para decifrá-la.

Não obstante, este obstáculo não pode servir de pretexto para subestimá-la.

Através do pouco que sabemos da história deste povo, percebe-se a sua força, advinda de uma convicção profunda num modo de ver a vida.

A sua espiritualidade foi posta a prova não pelas catástrofes, mas pela própria experimentação dos seus rishis, os sábios ascetas que compuseram os Vedas.

Esse mundo corresponde a uma realidade metafísica transcendente.

Com o Yoga, eles criaram um canal prático e ousado que não faz senão resumir a trajetória milenar dos rishis, e que lhes permite, de modo nem místico nem religioso, comprovar a veracidade da sua cosmovisão.

A literatura hindu e a síntese do hinduísmo

Hinduísmo é o termo empregado para designar as instituições culturais, religiosas e sociais da grande maioria da população indiana.

O hinduísmo faz a sua aparição no contexto da cultura védica, durante o alvorecer da civilização indiana.

Embora não exista uma data precisa a partir da qual possa se dizer que surge a civilização hindu, poderíamos localizá-la entre o declínio da civilização vêdico-harappiana (2200-1900 a.C.) e o século vi a.C., a partir do qual possuímos registros escritos.

Não temos evidências históricas para o milênio anterior à época clássica na Índia, mas temos abundante material nos planos filosófico e religioso.

As primeiras escrituras do hinduísmo não possuem uma data precisa, foram compostas e transmitidas oralmente durante um lapso de tempo incerto antes de serem transcritas, embora a tradição oral (paramparā) estivesse largamente desenvolvida.

O termo hinduísmo não deve restringir-se apenas ao âmbito religioso, pois não seria uma religião tal como se concebe no Ocidente: não possui um fundador, nem hierarquia, dogmas, liturgia ou profetas.

Aliás, nem sequer existe uma palavra para designar essa instituição em sânscrito. A que mais se aproximaria é dharma, que se traduz mais precisamente como lei humana ou social. Também não existe um termo para designar Deus.

Distinguimos quatro grandes momentos na formação do hinduísmo clássico:

  1. O período vêdico (1400-500 a.C.), que compreende a transcrição para o nágarí de obras de tradição oral que remontam à idade védica (7000-4000 a.C.): Vedas, Brāhmaṇas, Upaniṣads e Āraṇyakas, que formam a base de uma importante porção ulterior da filosofia hindu.
  2. A literatura épica: o Mahabhārata, o Rāmāyāṇa e as Purāṇas, epopéias e escritos mitológicos surgidos com anterioridade ao ano 3000 a.C. e transcritos para o nágarí entre os séculos iii a.C. e iv d.C.
  3. A grande síntese hindu, momento em que começam a se configurar as seis escolas filosóficas tradicionais (darśana), o dharma, o sistema de castas, o uso do sânscrito como língua sagrada e a diferença entre Revelação (Śruti) e Tradição (Smṛti), de 1400 a.C. até o século v d.C.
  4. O Bhakti Yoga ou hinduísmo devocional, que embora tenha raízes antigas, alcançou força considerável entre os séculos vii e xvi d.C.

1. O período védico

A) O gênero mais antigo é o dos Vedas, uma coleção de hinos e fórmulas rituais através dos quais o oficiante se harmonizava com as forças naturais.

Embora de temática aparentemente limitada, estes livros revelam-se obras primas do ponto de vista literário, dando-nos uma visão global da cultura, dos valores e da forma de vida do povo védico. Existem quatro Vedas: Ṛg, Sāma, Yajur e Athārvaveda.

O panteão dedico era muito complexo e contraditório, pois os diversos autores inseriram ao longo dos séculos inúmeras concepções diferentes.

Mesmo assim, podemos identificar claramente as diferentes forças da Natureza encarnadas nestes deuses: Sūrya, Viṣṇu e Savitṛ são divindades solares, Agni personifica o fogo; Vāyu relaciona-se com o vento, Rudra-Śiva é o deus terrível, Mitra e Varuṇā são os conservadores da criação e Indra o deus guerreiro.

B) Os Brāhmaṇas são tratados escritos pelos sacerdotes que versam sobre a prática litúrgica e expõem a cosmogonia através do mito genésico do Puruṣaśukta: o nascimento do homem primordial pela ascese (tapasya), que garante a continuidade da criação através da repetição do gesto criador.

C) Já nas Ārāṇyakas (“Livros da Floresta”) e nas Upaniṣads (“ensinamentos ouvidos aos pés de um Mestre”), os hindus passam a aplicar as técnicas contemplativas, havendo uma transferência de interesses do ritual para a meditação.

Questionam o universo, a natureza da Realidade, o porque da existência humana e as relações entre essa Realidade e o ser humano.

Inferiram que a natureza suprema é igual à natureza humana e que é possível alcançar a fusão dessas realidades através das técnicas contemplativas.

Há treze Upaniṣads reveladas (Śruti), das quais quatro tratam especificamente sobre o Yoga e descrevem técnicas de meditação: Svetāśvātāra, Maitrī, Kena e Kaṭha. Todas as outras são posteriores, e pertencem à Tradição (Smṛti).

2. A literatura épica

Ganha popularidade ao mesmo tempo em que se delineiam as principais tendências do hinduísmo: o shivaísmo, o vaishnavismo e o culto de Shaktī nas suas diversas formas. As epopéias mais importantes são o Mahabhārata e o Rāmāyāṇa.

A primeira obra, O Grande (Combate) dos Bhāratas, é um poema épico escrito em 100.000 slokas, estrofes de dois ou quatro versos, oito vezes maior do que a Ilíada e a Odisséia juntas.

Descreve a cruenta batalha renhida entre os Pāṇḍavas e seus primos Kauravas pelo reino de Bhārata.

Essa guerra, embora real, é uma verdadeira alegoria sobre o ser humano e a eterna conflagração de poderes entre o bem e o mal.

Posteriormente será acrescentada à sua estrutura a Bhagavadgītā, poema no qual o avatāra Kṛṣṇa, ensina ao príncipe guerreiro Arjuna os princípios de três tipos de Yoga: Karma, Jñāna e Bhakti Yoga.

O Rāmāyāṇa, ou Feitos de Rāma, que possui numerosas versões, conta as aventuras de Rāma para resgatar a sua amada Sītā do seu raptor, o demônio Rāvaṇa.

É necessário precisar que as datas aqui mencionadas referem-se ao momento em que estas obras, de transmissão oral, foram transcritas para pergaminhos ou folhas de palmeira (puṣtaka).

Existem atualmente estudiosos que situam a origem do Veda e dos épicos na última era glacial, ao redor de 8000 anos atrás.

Paralelamente às epopéias surgem as dezoito Grandes e as dezoito Pequenas Purāṇas, crônicas, mitos e lendas arquetípicos utilizados desde tempos imemoriais como fonte de educação popular.

As Purāṇas e os épicos possuem para a nação hindu o mesmo valor exemplar e a mesma importância que o Ocidente outorga à História.

3. A síntese hindu

É o momento em que se definem as grandes instituições e tendências filosóficas, acontece no fim do período upanishâdico.

Neste período perfilam-se as seis grandes escolas de filosofia (darśana) e outras instituições tradicionais: a concepção do sistema de castas (varṇa), os códigos da lei (dharma) e a literatura sânscrita clássica, que inclui textos sobre fonética, gramática, astronomia, matemática e outras ciências.

As epopéias (Mahabhārata, Rāmāyāṇa), Purāṇas (crônicas e mitos populares), Āgamas (manuais de culto), Tantras (tratados filosóficos) e darshanas (pontos de vista filosóficos), constituem a Tradição (Smṛti), oposta e posterior à Revelação (Śruti), que inclui os Vedas, que são constituídos de quatro partes cada um: Saṁhitās, Brāhmaṇas, Ārāṇyakas e Upaniṣads.

Os seis darśanas, pontos de vista ou escolas filosóficas, formam três pares: Sāṅkhya/Yoga, Nyāya/Vaiśeśika e Mīmāṅsā/Vedānta.

O Sāṅkhya (lit., número, discriminação) é uma filosofia que poderíamos chamar emanacionista: os seus 24 princípios (tattva) formam uma estrutura vertical, na qual cada elemento ou grupo de elementos emana dos anteriores, e todos do par original Puruṣa/Prakṛti.

Através dos diferentes tattvas circulam três estados (guṇa) que definem por interação todo o existente: sattva (leveza, equilíbrio), rājas (ação, emoção), e tamas (inércia, escuridão).

O Yoga é um ensinamento que tem como propósito outorgar a liberdade, mokṣa. ele vai sempre acompanhado de uma disciplina prática e um estilo de vida.

O Yoga, bem como o Vedānta, utilizam práticas contemplativas para firmar a visão e aplicar o ensinamento. [Conheça mais sobre a História do Yoga aqui]

O Nyāya e o Vaiśeśika são ramos separados da mesma escola, complementam-se entre si e ficaram virtualmente amalgamados em um único sistema filosófico.

Nyāya (penetrar, compreender) é uma palavra que significa investigação analítica, e foi tomada em um sentido menos amplo como lógica.

Esta é a corrente que mais se aprofundou nos processos e leis do pensamento, e baseia-se em compreensão exata e argumentação correta, estabelece uma clara diferença entre matéria e espírito.

O Vaiśeśika expõe o ponto de vista atomista, explicando a origem, a estrutura e a evolução do Universo.

O mundo material é composto de átomos (anu), unidades especiais, eternas e imutáveis que se caracterizam apenas pela sua particularidade (viśeśa), donde o nome.

O Mīmānsā (exame, forma, regra) ou Pūrva Mīmānsā não é um sistema filosófico propriamente dito, mas um dogmático sistema de interpretação das escrituras vêdicas que versa sobre como devem ser feitos os rituais e as cerimônias religiosas.

O Vedānta (o fim do Veda) é um darśana não-dual (advaita), que tem como objetivo acabar com a ignorância e o sofrimento que nasce dela.

Está baseado na interpretação das Upaniṣads e propõe o discernimento entre o real (Brahman, o Ilimitado) e māyā (o aparente, o que depende do real). Também recebe o nome de Uttāra Mīmānsā.

4. O hinduísmo devocional

O culto devocional (bhakta) de Śiva, Śakti e Viṣṇu possui os seus próprios textos: os Āgamas e os Tantras. O culto de Śiva e Viṣṇu já aparece nos épicos, sendo de grande importância no sul da península indiana.

Existem diversas correntes do śivaísmo e do śaktismo que integram práticas do Yoga e do Tantra. Nelas reconhecemos formas de culto à Natureza que remetem às populações proto-australóides da Índia pré-histórica.

Cronologia histórica

Em destaque, o subcontinente indiano1; logo abaixo, em letra menor, o que acontecia na mesma época noutras regiões do mundo.

Da última glaciação aos primeiros hinos védicos c. 10000 – 6500 a.C.

  1. 10000 final da última glaciação

    8000 neolítico pré-cerâmico. Culto da Grande Deusa

    c. 8215-7215 Mehrgarh, primeira cidade da cultura índica em Baluquistão

    • 9000-8000 África e Oriente PróximoRevolução Neolítica: domesticação de animais e cultivos
    • c. 9000 Outras regiõescaçadores ocupam o continente americano em direção sul
  2. c. 7000 surgimento da cultura vêdica. Presença de símbolos tântricos em toda a Eurásia

    • c. 7000 África e Oriente Próximofundação de Jericó
  3. c. 6500 presença do shivaísmo e elementos de vários tipos de Yoga (Jñāna, Karma, Mantra) na cultura vêdica. Evidências do Yoga proto-histórico no Ṛgveda

    • c. 6500 EuropaGrécia: início da agricultura, que se estende do Danúbio até o Mediterrâneo
    • c. 6500 EuropaChipre: culto da Deusa Mãe

Da Índia neolítica à civilização do Indus-Sarasvatī c. 6000 – 1100 a.C.

  1. c. 6000-5000 ocupação da planície em Baluqui e Gujarat: uso de implementos em cobre, tijolo cozido, cerâmica pintada, cultivos e domesticação de animais. Registros do Ṛgveda coincidem com achados arqueológicos

    c. 4500 assentamentos na área montanhosa do Cholistão precedem a civilização harappiana: início do intercâmbio entre habitantes da montanha e do vale do Sarasvatī

    • c. 6000 África e Oriente PróximoAnatôlia: fundação de Çatal Hüyük. Trabalhos em lã e cerâmica
    • c. 5000 África e Oriente PróximoMesopotâmia: colonização da planície aluvial
    • c. 5000 África e Oriente PróximoEgito: início da agricultura
    • c. 4000 África e Oriente PróximoOriente Próximo: fundição do bronze
    • c. 5600 EuropaChipre: ídolos de pedra
    • c. 5600 Europafim de Lascaux e Altamira
    • c. 4500-2500 Europapovos falantes do proto-indo-europeu espalham-se pelo continente eurasiático
    • c. 3800 EuropaMalta: monumentos megalíticos
    • c. 6000 ÁsiaTailândia: cultivo do arroz
  2. c. 3500 fundação da cidade de Kot Diji, da cultura madura pré-harappiana

  3. c. 3000 fim do período dos épicos (Mahabhārata e Rāmāyāṇa). Aparece a primeira Purāṇa

    • c. 3100 África e Oriente PróximoSuméria: desenvolvimento de cidades e invenção da escrita pictográfica
    • c. 3000 EuropaEuropa: começa o trabalho com cobre
    • c. 3000 ÁsiaTailândia: uso do bronze
    • c. 3000 Outras regiõessurgimento da cerâmica na América do Sul
  4. c. 3000-2000 desenvolvimento da civilização do Indus-Sarasvatī:

    2940-2540 Surkotada

    2863-2776 Harappā

    2655-2185 Lothal

    2545-2315 Mohenjodaro

    • c. 3100 África e Oriente PróximoEgito: unificação sob o rei Menes.
    • c. 2500 África e Oriente PróximoEgito: Quéops constrói as pirâmides de Gizeh
    • c. 2800 EuropaCreta: apogeu da arte minoense
    • c. 2700 EuropaChipre: culto do touro
    • c. 2300 EuropaMalta: cultos do touro e o falo (tarxiano)
    • c. 2500 Ásiadomesticação do cavalo na Ásia Central
    • c. 2500 Outras regiõesos ancestrais dos maias ocupam a América Central
  5. c. 2200-1900 declínio da civilização do Indus-Sarasvatī

    c. 1900 grande cataclismo: desertificação do vale do Indus-Sarasvatī devido a movimentos tectónicos que alteram o curso dos rios

    c. 1900-1500 período de caos e migração. Composição dos Brāhmaṇas, Āraṇyakas e as primeiras Upaniṣads. Fim do Śruti (período da literatura revelada)

    • c. 1800 África e Oriente Próximofundação do estado assírio
    • c. 1750 África e Oriente PróximoHamurabi funda o Império Babilônico
    • 1650 África e Oriente PróximoImpério Hitita na Anatôlia
    • c. 1567 África e Oriente PróximoEgito: Novo Império
    • c. 2000 EuropaGrã Bretanha: megalitos de Stonehenge.
    • c. 2000 EuropaCreta: civilização minóica.
    • c. 2000 EuropaIndo-europeus ocupam o Peloponeso
    • c. 1600 EuropaGrécia: primórdios da civilização micénica
    • c. 2000 Ásiahititas invadem a Anatôlia e fundam um império
    • c. 1800 Ásiacriação do estado assírio
    • c. 1750 ÁsiaHamurabi funda o Império Babilônico
    • c. 1600 ÁsiaChina: cultura shang (Idade do Bronze)
    • c. 2000 Outras regiõestrabalhos em metal em Peru
    • c. 2000 Outras regiõespovoamento da Melanésia por imigrantes polinésios
  6. c. 1500 Fundação de Dvāraka. Inserção da Bhagavadgītā no Mahabhārata.

    • c. 1500 África e Oriente PróximoAnatôlia: escrita cuneiforme
    • c. 1450 EuropaCreta: destruição da civilização minóica
    • c. 1500 ÁsiaChina: escrita ideográfica
  7. c. 1400-250 síntese do hinduísmo clássico: início do período Smṛti (‘memória’, tradição): darśanas, Sūtras, Śāstras, lei humana (dharma), Tantras, Āgamas e Saṁhitās.

    • c. 1200 África e Oriente Próximoinício da religião judaica
    • c. 1300-1200 EuropaGrécia: guerra de Tróia
    • c. 1200 EuropaGrécia: fim da civilização micênica
    • c. 1200 Ásiaqueda do império hitita
    • c. 1200 Ásiaêxodo dos judeus. Povoação da Palestina
    • c. 1300 Outras regiõesmelanésios ocupam Fidji e a Polinésia Oriental
    • c. 1100 Ásiaos fenícios criam uma escrita alfabética
    • c. 1150 Outras regiõesinício da civilização olmeca

Das cidades do Ganges ao Império Gupta c. 1000 a.C. – 520 d.C.

  1. c. 1000 a.C. ocupação da planície gangética

    • c. 1000 a.C. Europachegada dos etruscos à península itálica
    • c. 1000 a.C. ÁsiaChina: a dinastia Shang é destronada pelos Chou
    • 814 a.C. África e Oriente Próximofundação de Cartago, colônia fenícia
    • c. 750 a.C. África e Oriente PróximoAmós, primeiro grande profeta de Israel
    • 721-705 a.C. África e Oriente PróximoAssíria: apogeu do poderio militar
    • 776 a.C. EuropaGrécia: primeiros jogos olímpicos
    • 753 a.C. Europafundação de Roma
    • 771 a.C. ÁsiaChina: fim do feudalismo Chou
  2. c. 500-200 a.C. Kapila ensina o sistema Sāṅkhya

    528 a.C. morte de Mahavīra, fundador do jainismo

    • 671 a.C. África e Oriente PróximoAssíria conquista o Egito: trabalhos em ferro
    • c. 586 a.C. África e Oriente Próximocativeiro dos judeus na Babilônia
    • 558 a.C. África e Oriente PróximoPérsia: Zoroastro inicia sua obra profética
    • c. 750 a.C. Europaos poetas homéridas compilam a Ilíada e a Odisséia.
    • c. 750 a.C. Europacolônias gregas no Mediterrâneo
    • c. 700 a.C. Europainício da arte etrusca
  3. c. 500 a.C. surge o sistema de castas

    • c. 550 a.C. África e Oriente PróximoCiro o Grande funda o império persa
    • 700-400 a.C. Europacultura de Hallstatt: ferro, agricultura mista
    • c. 650 a.C. Ásiaintrodução da tecnologia do ferro na China
  4. c. 400 a.C. gramática sânscrita de Pāniṇi

    486 a.C. morte de Siddharta Gautama, fundador do budismo

    • 521 a.C. África e Oriente PróximoDario I, o Grande, reina desde o Nilo até o Indus
    • 585 a.C. EuropaGrécia: início da filosofia racionalista
    • c. 520 a.C. EuropaMaratona: a Pérsia ataca Atenas e é derrotada
    • 520 a.C. Ásiamorte de Lao Tsé
    • 479 a.C. Ásiamorte de Confúcio
    • c. 500 a.C. Outras regiõesexpansão da tecnologia do ferro pela África subsaariana
    • c. 510 a.C. Europafundação da república romana
    • 403-221 a.C. ÁsiaChina: período dos estados beligerantes
    • 500 a.C. Outras regiõescultura nok no norte da Nigéria
    • c. 500 a.C. Outras regiõesescrita hieroglífica no México
  5. 322 a.C. Candragupta funda o império Maurya

    • 334 a.C. África e Oriente PróximoAlexandre Magno invade a Ásia Menor, conquista o Egito, a Pérsia e alcança a Índia
    • 479-338 a.C. Europaperíodo da cultura clássica grega: Esquilo, Sófocles, Hipócrates, Sócrates, Heródoto
    • 350-200 a.C. ÁsiaChina: formação das escolas taoísta e confuciana
    • 323 a.C. África e Oriente Próximomorte de Alexandre: o império se divide
    • 312 a.C. Europacomeça a era selêucida: primeiro sistema histórico contínuo de datamento
  6. 262 a.C. Aśoka, imperador Maurya, converte-se ao budismo. Surgimento da escrita brahmī

    • c. 290 a.C. África e Oriente Próximofundação da biblioteca de Alexandria
    • 206 a.C. EuropaRoma controla a Península Ibérica
  7. c. 200 a.C. Patañjali compõe o Yogasūtra

    • 168 a.C. EuropaRoma derrota a Macedônia
    • c. 141 a.C. Ásiapoderio Han na Ásia Central
    • 149 a.C. África e Oriente PróximoRoma destrói Cartago
    • 146 a.C. Europaqueda de Corinto: Grécia sob domínio romano
    • c. 112 a.C. Ásiaabertura da Rota da Seda, ligando a China ao Ocidente
    • 100 a.C. Outras regiõesintrodução do uso do camelo no Saara africano
    • 30 a.C. África e Oriente Próximomorte de Antônio e Cleópatra: Egito sob domínio romano
    • 49 a.C. EuropaJúlio César conquista a Gália
  8. c. 100 d.C. Īśvarakṛṣṇa compõe o Sāṅkhyasūtra

    • 27 d.C. Europaqueda da república romana. O Império inicia
    • c. 30 d.C. EuropaJesus de Nazaré, fundador do cristianismo, é crucificado em Jerusalém
    • 43 d.C. Europaos romanos invadem a Grã Bretanha
    • 150 d.C. Outras regiõesbérberes e mandingos dominam o Sudão
    • 117 d.C. Europaapogeu do Império Romano
    • c. 105 d.C. Ásiacomeça a utilizar-se o papel na China
    • 132 d.C. África e Oriente Próximodiáspora judaica após a rebelião contra Roma
    • 150 d.C. Ásiao budismo chega na China
    • c. 200 d.C. África e Oriente Próximoconclusão da codificação da lei judaica (Mishnah)
    • 221 d.C. África e Oriente Próximofundação da dinastia Sassânida na Pérsia
    • 276 d.C. África e Oriente Próximocrucificação de Mani, fundador do maniqueísmo
    • 313 d.C. EuropaÉdito de Milão: o cristianismo passa a ser tolerado no Império Romano
    • 184 d.C. Ásiarebelião dos turbantes amarelos na China
    • 245 d.C. Ásiaembaixadores chineses visitam Funam (Camboja), no sudeste asiático
    • 271 d.C. Ásiauso da bússola mangética (China)
    • c. 250 d.C. Outras regiõesAxem (Etiópia) assume o controle do comércio no mar Vermelho
    • c. 300 d.C. Outras regiõescivilização maia na América Central (Teotihuacán, Monte Albán, El Tajín)
  9. 320 d.C. Candragupta funda o Império Gupta, no norte de Índia

    • c. 350 d.C. África e Oriente Próximoos hunos invadem a Índia e a Pérsia
    • 330 d.C. Europaa capital do Império Romano é transferida para Constantinopla
    • 285 d.C. Ásiao confucionismo chega ao Japão
    • c. 300 d.C. Outras regiõespovoamento da Polinésia Oriental
  10. c. 400-700 d.C. eclosão do tantrismo

    • 370 d.C. Europainvasão dos hunos na Europa
  11. 413 d.C. Kumāragupta: grande período da literatura indiana

    • 429 d.C. África e Oriente Próximoreinado vândalo no norte da África
    • 410 d.C. Europaos visigodos saqueiam Roma e ocupam a Espanha
  12. 480 d.C. queda do Império Gupta

    • 476 d.C. Europadeposto o último imperador romano
  13. 520 d.C. criação do sistema decimal por Āryabhata e Vāramihāra

Do sânscrito em devanāgarī à Haṭhayoga Pradīpikā c. 600 – 1300 d.C.

  1. c. 700 d.C. surge a escrita nagārī (urbana), utilizada para transcrever o sânscrito, chamada posteriormente (s. xviii) devanāgarī (escrita dos deuses)

    • 625 d.C. África e Oriente Próximoo profeta Maomé inicia sua missão
    • 590 d.C. Europao papa Gregório expande o poder da igreja católica
    • 624 d.C. ÁsiaChina une-se sob a dinastia Tang
    • 625 d.C. África e Oriente Próximomorte de Maomé. Expansão árabe
    • 645 d.C. Europao budismo alcança o Tibete
    • 665 d.C. Ásiaexpansão tibetana no Turquestão
    • c. 600 d.C. Outras regiõesapogeu da civilização maia
    • 641 d.C. África e Oriente Próximoos árabes conquistam o Egito e o norte da África
    • 711 d.C. África e Oriente Próximoinvasão islâmica em Espanha
    • 701 d.C. Ásiaunificação do Tibete
    • c. 800 d.C. Outras regiõesnavegantes polinésios chegam à Nova Zelândia e à Ilha da Páscoa
  2. 788 d.C. nasce Śrī Ādi Śaṅkarācārya, grande mestre de Vedānta

    • 760 d.C. África e Oriente Próximoos árabes adotam os numerais da Índia, a álgebra e a trigonometria, que os indianos usavam 4000 anos antes
    • 788 d.C. Europagrande mesquita de Córdoba
    • 800 d.C. Europainício do Santo Império Romano com Carlos Magno
    • 751 d.C. Ásiamanufatura do papel se estende da China à Europa e ao mundo muçulmano
    • c. 850 d.C. Outras regiõesfim da cultura clássica maia
    • 853 d.C. Ásiaprimeiro livro impresso na China
    • c. 890 d.C. Ásiarenascimento cultural japonês
  3. c. 900 d.C. Matsyendranātha inicia a linhagem dos Nāthasiddhas, mestres de Haṭhayoga

    • 935 d.C. África e Oriente Próximofinalização do texto do Alcorão
    • 936 d.C. Europaestabelecido o califado de Córdoba
    • 907 d.C. ÁsiaChina: deposição do último imperador Tang
  4. c. 900-1200 d.C. Gorakṣanātha codifica o Haṭhayoga e funda a escola Kaula

    1000 d.C. templos de Kajuraho

    • 969 d.C. África e Oriente Próximoos fatímidas conquistam o Egito e fundam Cairo
    • 1037 d.C. África e Oriente Próximomorte de Avicena (Averroes), filósofo persa
    • 959 d.C. EuropaEdgard unifica a Inglaterra
    • 960 d.C. EuropaMiezsko funda o estado polonês
    • 979 d.C. ÁsiaChina reunificada sob a dinastia Sung
    • c. 990 d.C. Outras regiõesexpansão do Império Inca (Peru)
    • c. 1000 d.C. Outras regiõesvikings colonizam a Groenlândia e descobrem a América (Vinland)
  5. 1021 d.C. os Cholas invadem Bengala

    1175 d.C. Muizzudin de Ghazni estabelece o domínio muçulmano na Índia

    • 1096 d.C. África e Oriente PróximoPrimeira Cruzada dos francos em Anatôlia e Síria
    • c. 1100 d.C. África e Oriente PróximoOmar Khayam compõe o Rubayat
    • 1031 d.C. Europaqueda do califado de Córdoba
    • 1066 d.C. Europaos normandos conquistam a Inglaterra
    • c. 1100 d.C. Europaprimeiras universidades européias
  6. c. 1300 d.C. Svātmarāma compõe a Haṭhayoga Pradīpikā

    • 1188 d.C. África e Oriente PróximoSaladin acaba com o domínio franco na Terra Santa
    • c. 1160 d.C. Europapoesia vernâcula européia: El Cid, Chanson de Roland, Tristão e Isolda
    • 1180 d.C. Ásiao reino de Angkor (Camboja) alcança seu máximo esplendor
    • 1227 d.C. ÁsiaMorte de Gengis Khan
    • c. 1200 d.C. Outras regiõesImpério de Mali na África Ocidental

Uma nota sobre as datas

Em princípio, todas as cronologias podem estar equivocadas ou conter dados incorretos ou conjecturas sobre o tempo que podem vir a ser refutadas à luz de novas pesquisas.

Não obstante, elas ajudam a nos situar e são necessárias para uma primeira compreensão.

Entretanto, existem pontos de vista diferentes, alguns até mesmo antagônicos entre os historiadores.

Portanto, o autor deixa claro aqui o seu escrúpulo perante as evidentes limitações deste quadro.

As fontes aqui usadas foram o Atlas Histórico, editado pelo New York Times, o Vedic Glossary of Indus Seals, do Dr. Natwar Jha, The Indus-Saraswati Civilization: problems and issues, do Dr. S. P. Gupta, e In Search of the Cradle of Civilization de G. Feuerstein, S. Kak e D. Frawley.

1 Entende-se por sub-continente indiano aquela área que abrange não apenas a Índia, mas também Paquistão, Bangladesh e Nepal.

॥ हरिः ॐ ॥

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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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