Segundo o sábio Gheraṇḍa, o Haṭha Yoga não teria oito, mas sete membros. Āsanas e mudrās (posturas e selos) seriam respectivamente o segundo e o terceiro membros, e as normas morais (isto é, yama e niyama) reúnem-se num membro só.
A Gheraṇḍa Saṁhitā (2.1) afirma que existem tantos āsanas quantas são as espécies de animais. Segundo Gheraṇḍa, Śiva ensinou até 840.000 posturas, das quais 84 são consideradas importantes pelos yogins.
Os 32 Āsanas do Haṭha
Já segundo a Haṭhayoga Pradīpikā (1.33), Śiva ensinou somente 84 posturas. Dessas, as seguintes 32 são descritas na Gheraṇḍa Saṁhitā:

1) Siddhāsana (‘postura do adepto’)
2) Padmāsana (‘postura do lótus’)
3) Bhadrāsana (‘postura auspiciosa’)
4) Muktāsana (‘postura liberta’)
5) Vajrāsana (‘postura do diamante’)
6) Svastikāsana (‘postura svastika’)
7) Siṁhāsana (‘postura do leão’)
8) Gomukhāsana (‘postura da cara-de-vaca’)
9) Virāsana (‘postura do herói’)
10) Dhanurāsana (‘postura do arco’)
11) Mṛtāsana (‘postura do cadáver’)
12) Guptāsana (‘postura oculta’)
13) Matsyāsana (‘postura do peixe’)
14) Matsyendrāsana (‘postura de Matsyendra’)
15) Gorakṣāsana (‘postura de Goraksha’)
16) Paścimottānāsana (‘postura de extensão das costas’)
17) Uṭkatāsana (‘postura extraordinária’)
18) Samkaṭāsana (‘postura perigosa’)
19) Mayūrāsana (‘postura do pavão’)
20) Kukkuṭāsana (‘postura do galo’)
21) Kūrmāsana (‘postura da tartaruga’)
22) Uttānakūrmāsana (‘postura estendida da tartaruga’)
23) Uttānamaṇḍukāsana (‘postura estendida do sapo’)
24) Vrikṣāsana (‘postura da árvore’)
25) Maṇḍukāsana (‘postura do sapo’)
26) Garuḍāsana(‘postura da águia’)
27) Vriṣāsana (‘postura do touro’)
28) Śalābhāsana (‘postura do gafanhoto’)
29) Makārāsana (‘postura do tubarão’)
30) Uṣṭrāsana (‘postura do camelo’)
31) Bhujaṅgāsana (‘postura da serpente’, freqüentemente chamada de ‘postura da naja’) e
32) Yogāsana (‘postura do Yoga’).

Em lugar de extensas descrições, que se podem encontrar em inúmeros livros, as ilustrações contidas nas páginas 475 e 476 de A Tradição do Yoga mostram algumas posturas.
Os manuais contemporâneos descrevem mais de 1000 posturas. Algumas – como as posturas do lótus e do adepto – têm a nítida finalidade de possibilitar que a pessoa sente-se em meditação por períodos prolongados.
A maioria delas, porém, foi criada para harmonizar a força vital no corpo de modo a equilibrá-lo, fortalecê-lo e curá-lo.
Parece que o Haṭha Yoga teve, desde o começo, uma dimensão terapêutica, que atualmente está se transformando numa profissão: a ‘Yogaterapia’ (1).
Pode-se dizer que até as posturas de meditação têm um certo efeito terapêutico, e os textos sânscritos às vezes fazem afirmações exageradas a esse respeito.
Tanto no Ocidente quanto no Oriente, os meios yogis muitas vezes dão uma ênfase excessiva à postura. Quando a isso, cabe citar a seguinte observação do Kularṇāva Tantra:
“O Yoga não é realizado nem pelo sentar-se na postura do lótus nem por fixar-se o olhar na ponta do nariz. O Yoga, segundo os especialistas em Yoga, é a identidade da psique (jīva) com o Si Mesmo [transcendente].” (9.30)
(1) Os limites da Yogaterapia, que é uma profissão nova, ainda estão sendo definidos, tanto em relação à medicina quanto ao Yoga tradicional.
॥ हरिः ॐ ॥
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Extraído do livro A Tradição do Yoga (traduzido por Marcelo Brandão Cipolla), Editora Pensamento, São Paulo, e digitado por Cristiano Bezerra.
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