Pintura (Kishangarh, Rajasthan, c. 1750–60): Kṛṣṇa recebe uma guirlanda de flores

Tvameva Mātā: a Plenitude

Por Pedro Kupfer 7 de novembro de 2026 4 minutos de leitura

श्रीः

त्वमेव माता

Tvameva Mātā

A Plenitude · Pedro Kupfer

Este mantra é a estrofe final do Gurustotraṁ, mas originalmente faz parte da célebre Taittirīya Upaniṣad.

O mantra

त्वम् एव माता च पिता त्वम् एव ।
त्वम् एव बन्धुश् च सखा त्वम् एव ।
त्वम् एव विद्या द्रविणं त्वम् एव ।
त्वम् एव सर्वं मम देव देव ॥

tvam eva mātā ca pitā tvam eva |
tvam eva bandhuś ca sakhā tvam eva |
tvam eva vidyā draviṇaṁ tvam eva |
tvam eva sarvaṁ mama deva deva ||

Ouça na Rádio Havelī: Tvameva

Você é a minha mãe. Meu pai você é. Você é o meu irmão. Meu amigo você é. Você é conhecimento. Você é riqueza. Você é tudo, amado Deus dos Deuses.

Quando olhamos para a nossa mente, não deveriamos encontrar muitas preocupações nela. Só quando formos capazes de manter externo o que é externo, poderemos compreender a realidade das coisas. Façamos isso.

Quando percebemos a Unidade podemos usar de maneira adequada o livre arbítrio e lidamos de maneira adequada com os desejos. Pensemos neles como um motor para realizar ações conscientes, e não como problemas a ser resolvidos.

Quando não desejamos mais do que temos, os desejos não se expressam como carência ou ansiedade, mas como a força que nos permite desfrutar do que somos. Sofrer pelo que não temos é adiar a possibilidade de viver o presente de maneira plena. Vale mais amar o que temos do que nos lamentar pelo que não temos.

A realização pessoal implica coisas diferentes para pessoas diferentes, que dependem de tempo, lugar e circunstância. Mas, como vimos ao longo destas práticas que fizemos juntos aqui, há algo que é comum a todos nós: somos Plena Consciência.

Se conseguirmos nos livrar das crenças limitadoras, estaremos mais próximos da nossa realização, alimentando uma forma de viver que nos permita estar em paz com nós mesmos e com o mundo.

Não há uma receita mágica para a felicidade. Mas sabemos que ela não está no futuro nem no passado. Encontra-se agora, neste presente que estamos vivendo. Precisamos descobrir a felicidade em nós, percebendo que cada instante é único e vale a pena ser vivido. Assim tornamo-nos capazes de desfrutar a calma e a harmonia em todos os momentos do cotidiano.

Conhecendo a nós mesmos como o Ser Ilimitado deixamos de nos sentir vazios e de buscar experiências que possam nos preencher. Não há distância entre a Consciência e nós. Consciência é o que somos. E essa consciência está sempre presente, independentemente das experiências que vivemos ou dos julgamentos que fizermos sobre elas.

Quando há expectativas baixas, não há frustração. Quando há calma aceitação, apreciamos as coisas como são. Amamos o Ser Pleno, através do espelho que é o outro, que nos devolve uma imagem de nós mesmos como pessoas aceitáveis e dignas de amor.

Podemos mudar a nossa percepção. Mudar, para nos harmonizar com o que é. Para compreender que somos a plenitude que buscamos.

Imagem de destaque: Kṛṣṇa recebe uma guirlanda de flores, Kishangarh, Rajasthan, c. 1750–60. Cleveland Museum of Art (CC0).

॥ हरिः ॐ ॥

Nesta série: Vedānta e os grandes ensinamentos

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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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