श्रीः
गणेशः
Gaṇeśa
Arquétipos, nome e forma · Pedro Kupfer
A palavra arquétipo deriva do grego arkhetupon, e designa algo que, desde sua origem, serve de modelo. Arkheos é antigo, e tupos é modelo.
O mantra
गणपति ॐ जय गणपति ॐ ।
गणपति गणपति गणपति गणपति ॥
gaṇapati oṁ jaya gaṇapati oṁ |
gaṇapati gaṇapati gaṇapati gaṇapati ||
Ouça na Rádio Havelī: Gaṇapati Oṁ · Jaya Gaṇeśa Jaya
O termo designa uma série de antigas imagens mentais, símbolos e valores herdados dos nossos primeiros ancestrais humanos, que estão presentes no inconsciente coletivo mas que têm origem na compreensão que os povos antigos tiveram das forças da natureza e da vida. O inconsciente coletivo, por sua vez, é a parte da mente inconsciente derivada dessas memórias e experiências ancestrais, comuns a todos os seres humanos.
Noutras palavras, os arquétipos são portais através dos quais podemos nos conectar com a Fonte Única da existência, Brahman, o Ser Ilimitado, através das suas diversas manifestações. Essas manifestações recebem o nome sânscrito de namarūpaḥ, composto que significa “nome-e-forma”.
Assim, tudo é nome e forma, tudo é namarūpaḥ. Para o Yoga, Īśvara, o Ilimitado, não é um objeto de crença, mas de compreensão. Assim, não precisamos acreditar nele, mas compreendé-lo. Tudo o que há aqui é Īśvara. Isso deve ser compreendido. Não é que haja um só Deus ou muitos deuses. Em verdade, tudo o que há, tudo o que existe, é Deus. Tudo o que existe é Īśvara.
Aquilo que se revela por si mesmo é Īśvara, a Consciência Ilimitada. Aquilo que é, é Consciência. Essa Consciência é o que eu sou. Consciência é Eu. Não há outra Consciência na criação. Aquilo que é, é Consciência e a Consciência é o que você é, é o que eu sou.
Essa Consciência é ilimitada, nada pode ser acrescido a ela. Os objetos são intrinsecamente limitados, no tempo e no espaço. Um momento, eles não existiam. No momento seguinte, passaram a existir. Você percebe a transformação, o crescimento. Tudo o que nasce, morre. A Consciência permanece.
Para compreendermos o arquétipo de Gaṇeśa, antes de começar com a prática, vou contar para você o história de como Gaṇeśa ganhou a sua cabeça de elefante. Isso vai nos ajudar a compreender o nome Senhor os Exércitos (de Śiva), que nós acabamos de traduzir como Senhor do Karma.
Gaṇapati ou Gaṇeśa é a força que comanda os gaṇas. Gaṇas são as forças da natureza, simbolizadas na forma de um exército de fadas, duendes e outros seres sobrenaturais, que no folclore indiano estão associados com os elementais da natureza, que regulam o equilíbrio da terra, os rios e lagos, o fogo e o raio, a noite e o dia, as chuvas, o vento e o ar.
Gaṇeśa tornou-se o chefe deles quando perdeu a sua cabeça humana e ganhou uma de elefante por ter desafiado o próprio pai, Śiva. A história é assim. Pārvatī, a companheira de Śiva, ficava longas temporadas sozinha, quando seu esposo ia meditar no alto dos Himalaias. Ela resolveu ter um filho que lhe fizesse companhia nas ausências do Deus.
Juntando raspas da sua própria pele e animando-as com prāṇa, a força vital, ela deu vida a um lindo menino. Ele se tornou um jovem muito valente, que aprendeu a amar e cuidar muito bem da sua mãe.
Um dia, Śiva retornou da sua meditação. Pārvatī estava tomando banho. Gaṇeśa montava guarda à entrada da caverna onde eles moravam. Quando seu pai chegou, ele não o reconheceu e lhe impediu de entrar. Ambos se estranharam, e começaram a lutar. Em meio à briga, o Deus cortou-lhe a cabeça com o seu tridente. Naquele momento apareceu Pārvatī e explicou para Śiva que o jovem que jazia decapitado aos seus pés era seu próprio filho.
Para reparar as coisas e devolver a vida ao menino, Śiva decidiu que animaria aquele corpo sem vida, colocando sobre seus ombros a cabeça do primeiro ser vivo que se cruzasse no caminho. Apareceu um jovem elefante e o Deus não pensou duas vezes: usou novamente seu tridente e eis que o jovem ressucitou, agora com a cabeça do paquiderme.
Nesse momento, Śiva nomeia o filho Gaṇeśa ou Gaṇapati e lhe dá o comando do seu exército sobrenatural. As duas palavras (Gaṇa+īśā e Gaṇa+pati) significam o mesmo: Senhor dos Gaṇas. É por isso que ele é chamado Senhor dos Obstáculos, ou Vighneśvara, uma vez que é quem controla as forças naturais que colocam e tiram os obstáculos do nosso caminho, para que possamos crescer.
A palavra gaṇa também nos remete à palavra guṇa, que quer dizer fio ou filamento, e se refere às forças da natureza que, através de uma dança, interagindo umas com outras, definem tudo o que existe na criação. Elas configuram o próprio corpo de Īśvara, e são três: tamas, rajas e sattva, ou quietude, ação e harmonia. Assim, Gaṇeśa é a Inteligência que controla todas as forças da natureza. É por isso que ele também é considerado Deus da Sabedoria.
Imagem de destaque: Śiva e Pārvatī, Bengala, período Pāla, séc. IX. Cleveland Museum of Art (CC0).
॥ हरिः ॐ ॥
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