Apesar do Yoga estar avançando pelo mundo e se desdobrando em novas ramificações e versões em seu percurso, pouco se fala sobre seu poder transformador. E no entanto, desde sua origem, e mesmo atualmente, é a energia do pensamento concentrado, ou o poder do Yoga, que o torna a base sobre a qual uma grande transformação interior pode acontecer.
"Se todas as Upaniṣads e as demais escrituras fossem repentinamente reduzidas a cinzas, e se somente este primeiro verso da Īśopaniṣad permanecesse na memória dos hindus, o hinduísmo viveria para sempre". Mahātma Gandhi.
O imperador grego Alexandre Magno invadiu a Índia no ano 326 antes de Cristo, estabelecendo colônias na terra que viu o Yoga nascer e iniciando assim o primeiro grande intercâmbio cultural, filosófico, artístico, técnico e comercial entre Oriente e Ocidente.
O texto que você vai ler a seguir é um resumo comentado do livro Karma-Yoga, a Educação da Vontade, de Swami Vivekananda. As idéias estão expostas seguindo a mesma seqüência empregada no livro e, na sua grande maioria, apesar de reformuladas de uma maneira mais sintética, mantêm o sentido original.
Recentemente voltei de uma visita ao Arshavidya Pitham, ashram de Swami Dayananda Saraswati, em Rishikesh, uma cidade sagrada à beira do rio Ganges, onde tive a boa fortuna e o bom karma de ser aceito, pelo pouco tempo que lá fiquei, no curso regular de Vedanta, de três anos de duração, que estava em andamento.
Hoje estava ouvindo a música da Madonna chamada Die another day ("Morrer outro dia"), que dá nome a um dos filmes da série do espião James Bond. A letra dessa música recolhe algumas idéias centrais da prática yogue. Num trecho, que chamou bastante minha atenção, essa música diz três coisas...
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A consciência testemunha, sakshi em sânscrito, é uma noção chave para entender como funciona o Yoga. O yogi deve manter uma atitude totalmente equânime e imparcial perante qualquer pensamento, emoção ou sensação. Exercer a consciência testemunha significa desprender-se e desidentificar-se das próprias vivências, sejam estas positivas ou negativas.
Segundo o sutra da mente desperta, enquanto se lava a louça, deve-se somente lavar a louça, o que quer dizer: enquanto se está lavando a louça, deve-se estar totalmente cônscio do fato de que se está lavando louça.
Todos já ouvimos falar de ahimsa, o sistema de não-violência que Gandhi tornou mundialmente conhecido ao expulsar o Império Británico da Índia sem disparar um tiro sequer. O que não todo o mundo sabe, é que esse poderoso sistema forma o alicerce do Yoga. A prática do Yoga começa (ou deveria começar) na prática da não-violência. Ela é a condição fundamental para que as demais disciplinas éticas do Yoga funcionem: veracidade, honestidade, não-posessividade, etc.
Sempre é possível enxergar em nós mesmos a forma em que percebemos a realidade, e a maneira em que nos relacionamos eticamente com o mundo e com nós mesmos. Nosso olhar ético é um espelho do que somos por dentro.
Hoje, após a aula semanal que ministro no presídio masculino de Florianópolis, tive uma conversação interessante com o traficante que trabalhava aqui na praia onde eu moro. O rapaz só vendia coisa fina: skunk (maconha híbrida do Afeganistão), LSD e ecstasy holandês. Com estes materiais importados, ele tinha uma seleta clientela entre a burguesia da ilha de Florianópolis. Ele me contou, em meio a uma série da anecdotas, que a filha do juiz que o condenou era sua cliente. Uma dessas 'coincidências' kármicas que a malandragem gosta de contar, quiçá para mitigar a dor da condenação.
Estava ontem lendo um livro de Yoga escrito por um dos mais famosos yogis estadunidenses, que ensina um método criado por ele próprio aqui em ocidente. Embora tente me manter aberto, tendo a desconfiar das formas de Yoga nascidas fora do berço, porque a possibilidade de viralatizar a prática aumenta muito.
Não quero ser repetitivo com os temas que escolho para escrever neste site, mas as atuais circunstâncias nos mostram que alguns assuntos estão longe de se esgotar. Um deles é o tratamento patife e caricato que o Yoga está recebendo nos meios de comunicação. Do jeito que as coisas estão sendo apresentadas, esse sofisticado sistema de filosofia está ficando muito parecido com um cachorro viralata (com todo respeito pelos simpáticos quadrúpedes).
O lugar era Varanasi, cidade sagrada hindu, morada mítica de Shiva, símbolo da destruição e do renascimento, patrono dos yogues. Em um retiro espiritual, no meio de 50 outras pessoas, eu absorvia as palavras singelas e certeiras do mestre: "Yoga é para quem não quer levar uma vida no automático".
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