Página de um manuscrito do Ṛgveda em devanāgarī, com acentos védicos e correções em vermelho

Dyauḥ Śāntiḥ: a Paz que Irradia no Céu Inteiro

Por Pedro Kupfer 7 de novembro de 2026 4 minutos de leitura

श्रीः

द्यौः शान्तिः

Dyauḥ Śāntiḥ

A Paz que Irradia no Céu Inteiro · Pedro Kupfer

Que a paz irradie lá, no céu inteiro, 
assim como no vasto espaço, em todas partes. Que a paz reine em todos os lugares da terra, 
nas águas e nas ervas, árvores e arbustos. Que a paz flua em todo o Universo. Que a paz esteja [ou que possa ser reconhecida 
por nós, a cada momento] no Ilimitado Brahman. E que sempre exista em tudo paz, e somente paz. Paz para cada um, paz para todos os seres.

O mantra

ॐ द्यौः शान्तिर् अन्तरिक्षं शान्तिः पृथिवी शान्तिर् आपः शान्तिर् ओषधयः शान्तिः ।
वनस्पतयः शान्तिर् विश्वे देवाः शान्तिर् ब्रह्म शान्तिः सर्वं शान्तिः शान्तिर् एव शान्तिः सा मा शान्तिर् एधि ॥
ॐ शान्तिः शान्तिः शान्तिः ॥

oṁ dyauḥ śāntir antarikṣaṁ śāntiḥ pṛthivī śāntir āpaḥ śāntir oṣadhayaḥ śāntiḥ |
vanaspatayaḥ śāntir viśve devāḥ śāntir brahma śāntiḥ sarvaṁ śāntiḥ śāntir eva śāntiḥ sā mā śāntir edhi ||
oṁ śāntiḥ śāntiḥ śāntiḥ ||

Ouça na Rádio Havelī: Dyauḥ Śānti

Este lindo mantra da paz, śāntipāṭhaḥ, é do Yajur Veda (36:17). O mantra diz “que a paz irradie no céu inteiro, assim como no vasto espaço, em todas partes”: em verdade, a paz já está em todos os lugares. O mantra aponta para que possamos ver que a paz de fato já está em todos os lugares. Depois diz “que a paz reine em todos os lugares da terra, nas águas e nas ervas, árvores e arbustos”. Que sejamos capazes de reconhecer e aceitar que, na natureza, tudo está sempre bem, tudo está, tudo acontece e tudo flui, em harmonia e em paz, o tempo todo.

Continua ainda dizendo “que a paz flua em todo o Universo. Que a paz esteja [ou que possa ser reconhecida por nós, a cada momento] no Ilimitado Brahman. E que sempre exista em tudo paz, e somente paz”.

Todos os mantras da paz concluem da mesma maneira, com a repetição três vezes da palavra śānti, que é paz. Isto, pois considera-se que há três fontes de aflição: adhibhautika, adhidaivika e adhiātmika, ou a que vem nossa interação com a natureza, a que deriva das relações que nutrimos com as pessoas, e a que já está instalada na nossa mente, na forma de condicionamentos e crenças paralisantes.

No fim do mantra, repetimos então śānti três vezes, para neutralizar as três eventuais fontes de angústia, lembrando que somos o Ser Ilimitado, manifestado nesta presente forma, na qual cada uma dessas fontes de sofrimento pode ser superada quando compreendemos nossa real natureza.

Imagem de destaque: Manuscrito do Ṛgveda em devanāgarī, Índia, início do séc. XIX. Coleção Schøyen, MS 2097. Wikimedia Commons (domínio público).

॥ हरिः ॐ ॥

Nesta série: Mantras no cotidiano

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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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