Pintura indiana: sete sábios em meditação e em posturas de Yoga, um deles invertido sobre a cabeça, em torno de uma pedra

Mantrapuṣpam: o Poder dos Mantras

Por Pedro Kupfer 7 de novembro de 2026 5 minutos de leitura

श्रीः

मन्त्रपुष्पम्

Mantrapuṣpam

O Poder dos Mantras · Pedro Kupfer

Chegados neste ponto, você pode legitimamente se perguntar o que os mantras podem nos dar? A resposta é que podem nos dar muitas coisas. O fundamental, o mais importante, é que os mantras são um lindo veículo para transmissão do conhecimento libertador.

O mantra

ॐ योऽपां पुष्पं वेद पुष्पवान् प्रजावान् पशुमान् भवति ।
चन्द्रमा वा अपां पुष्पम् पुष्पवान् प्रजावान् पशुमान् भवति ।
य एवं वेद योऽपाम् आयतनं वेद आयतनवान् भवति ॥

oṁ yo’pāṁ puṣpaṁ veda puṣpavān prajāvān paśumān bhavati |
candramā vā apāṁ puṣpam puṣpavān prajāvān paśumān bhavati |
ya evaṁ veda yo’pām āyatanaṁ veda āyatanavān bhavati ||

Ouça na Rádio Havelī: Mantra Puṣpam

Através das suas palavras, que são a própria exposição da visão ancestral dos yogis, temos uma revelação sobre nós mesmos: somos plenitude; somos liberdade; somos felicidade; somos já o que quer que seja que possamos buscar.

Na tradição do Yoga, o processo que conduz à liberdade consta de três passos: ouvir o ensinamento, questionar o ensinamento, e contemplar o ensinamento. Em sânscrito, śravaṇam-mananam-nididhyāsanam.

Nesse sentido, as palavras dos Vedas, que são os próprios mantras, nos revelam quem somos. Nos dizem que, para mais além de quaisquer identificações com pensamentos e desejos, já somos toda a felicidade que buscamos. Um exemplo é a fórmula tat tvam asi, você, individualidade, é idéntico Àquele [Ser Ilimitado].

Muitos dos textos do Yoga, como as Upaniṣads, são escritos em forma de diálogo entre um professor e seus estudantes. Nessas conversações são esclarecidas todas as dúvidas que cada um possa ter. Dessa maneira cobre-se o questionamento do ensinamento que acabamos de mencionar. Cabe lembrar aqui que temos um veículo à sua disposição para que você possa colocar as suas dúvidas, se as tiver.

A terceira parte desse processo, contemplar o ensinamento, consiste em meditar sobre os diferentes aspectos daquilo que já se compreendeu ou já se sabe sobre Si Mesmo.

Isso é o que podemos esperar da visão que os mantras revelam: nem mais nem menos que a mais absoluta liberdade. Porém, o tema não termina aqui. Também podemos esperar que os mantras nos dêem uma mente clara e objetiva. Que nos ajudem a organizar as coisas do dia-a-dia.

Que nos possibilitem apreciar a Ordem Maior em todos e cada um dos momentos vividos. Que nos mostrem que o Ilimitado está em todos os lugares, em todas as situações, por insignificantes que possam nos parecer. Que nos mostrem que o Ilimitado está em todas as pessoas, em todos os seres vivos!

“Aquele que compreende a beleza do poder da Consciência Ilimitada é abençoado com uma vida plena, progênie e abundância. A Lua [o Femenino] é certamente uma das manifestações desse poder. Aquele que percebe as qualidades da Lua, que não são mais que as expressões do poder da Consciência Ilimitada, é abençoado com uma vida plena, progênie e abundância. Aquele que compreende esta Realidade e percebe igualmente a Fonte da qual ele emana, torna-se ele próprio a morada desses poderes divinos”.

Esta é a primeira estrofe do Mantrapuṣpam, que consta de nove ao todo:

Imagem de destaque: Os sete sábios (saptarṣi), pintura indiana anônima. Wikimedia Commons, domínio público.

॥ हरिः ॐ ॥

Nesta série: Mantras no cotidiano · Fundamentos do Mantra Yoga

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Pedro Kupfer

Pedro nasceu no Uruguai em 1966. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o site yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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